Análise: Como Kon Knueppel está a quebrar a curva de lançamentos da NBA

Kon Knueppel, dos Charlotte Hornets, tornou-se em dezembro o jogador mais rápido da história da NBA a atingir 100 triplos convertidos
Kon Knueppel, dos Charlotte Hornets, tornou-se em dezembro o jogador mais rápido da história da NBA a atingir 100 triplos convertidosKENNETH RICHMOND / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Com menos de um minuto para jogar no primeiro período, o base dos Charlotte Hornets corta para o lado esquerdo, recebe um passe extra, posiciona-se e eleva-se. O lançamento sai fluido, rotineiro – simplesmente belo. No momento em que a bola deixa as suas mãos, todos na arena sabem que vai entrar. Swish. Número 100. O rookie acaba de se tornar o jogador mais rápido da história da NBA a atingir 100 triplos convertidos.

Isto aconteceu há cerca de um mês, quando os Hornets jogaram em Cleveland, poucos dias antes do Natal. Kon Knueppel, a 4.ª escolha do draft, estava a vestir a camisola pela 29.ª vez na NBA. Foi tudo o que precisou.

Destruiu o recorde anterior, que pertencia a Lauri Markkanen, por 12 jogos – a estrela finlandesa precisou de 41. Luka Doncic surge em 3.º lugar, com 42 jogos.

Anthony Edwards, Damian Lillard e Tyrese Haliburton estão todos confortavelmente dentro do top 15. Ninguém se aproximou do ritmo de Knueppel.

Com apenas 20 anos, Knueppel entrou na liga com confiança, maturidade e uma serenidade muito acima da sua idade. Está com uma média de 19,1 pontos, 5,2 ressaltos e 3,6 assistências por jogo, com uns impressionantes 42,8 por cento de eficácia nos lançamentos de três pontos.

Apenas Steph Curry e Donovan Mitchell marcaram mais triplos esta época, e ambos estão ligeiramente abaixo dos 40%. São dois veteranos.

Knueppel está apenas a começar, e já apresenta números de estrela, com potencial para se tornar um dos maiores lançadores que a NBA já viu.

Knueppel cresceu em Milwaukee, Wisconsin, o mais velho de cinco rapazes. O basquetebol estava no sangue – ambos os pais jogaram na universidade e o seu tio, Jeff Nordgaard, foi escolhido pelos Milwaukee Bucks no draft de 1996. Estaria destinado a brilhar no parquet? Não aconteceu logo de início.

"Quando o Kon tinha cinco ou seis anos, não ligava nada ao desporto", contou Nordgaard.

"Somos uma família de desporto. Mas ele era muito inteligente, usava palavras no seu vocabulário que nenhum dos outros miúdos dizia. Começámos a pensar que seria um não-atleta, o que era perfeitamente aceitável, mas ainda assim surpreendeu-nos", acrescentou.

Em criança, o Kon adorava ler e participar em concursos de soletração. Ao início, parecia que o seu potencial desportivo nunca iria aparecer. Felizmente, a sua inteligência excecional acabou por abrir-lhe caminho no basquetebol.

Não se apaixonou pelo jogo a ver resumos ou a lançar ao cesto no quintal. Tudo começou com um livro – The Big Book of Basketball.

"Provavelmente leu-o quatro vezes, a partir dos 10 anos", disse a mãe, Chari.

"Depois queria falar com toda a gente sobre o que tinha aprendido. É mesmo assim que ele é – uma alma velha", acrescentou. Outra influência surgiu pouco depois: uma Nintendo Wii.

"Não gostava de basquetebol antes da Wii. Simplesmente não me interessava quando era pequeno", contou Knueppel.

"Mas comprámos a Wii e comecei a jogar NBA Jam e 2K. Apaixonei-me pelos jogadores. A partir daí, quis saber tudo o que podia sobre os jogadores da NBA", lembrou.

Foi assim que o Kon se apaixonou pelo basquetebol.

Quando percebeu o quanto gostava e se importava com o desporto, começou a explorar o seu potencial. Nunca foi o mais forte ou o mais rápido, mas tinha um QI de basquetebol muito elevado, o que lhe permitia tomar excelentes decisões.

"Era muito talentoso, mas fisicamente não impressionava. O seu instinto, calma e compostura, aliados à capacidade de lançar, faziam-no destacar-se dos demais", afirmou Norgaard.

Destacou-se como um dos melhores jogadores do ensino secundário do país. No último ano, Knueppel liderou a sua equipa a um registo perfeito de 30-0 e a um título estadual, com médias de 26,4 pontos, 8,8 ressaltos e 5,1 assistências. As melhores universidades disputavam-no.

Knueppel escolheu os Duke Blue Devils e juntou-se a Cooper Flagg na melhor classe de recrutamento do país.

Destacou-se no escalão seguinte. Como freshman, foi titular em todos os jogos e teve uma média de 14,4 pontos, com 40,6% de eficácia nos triplos. Juntamente com Flagg, formaram uma dupla dinâmica que levou Duke à Final Four.

Os Blue Devils ficaram-se pelas meias-finais nacionais. Apesar da derrota dolorosa, Kon sabia que não havia tempo a perder. O draft aproximava-se. E ele já se tinha preparado para isso.

Antes de entrar em Duke, Knueppel fez a si próprio uma pergunta simples: O que posso fazer para ganhar minutos como freshman e ter sucesso no próximo nível?

"Comecei a levantar-me às 5:30 todos os dias do verão, exceto aos domingos, para trabalhar o máximo possível. Gosto mesmo muito de fazer o meu trabalho e de dar sempre um pouco mais", disse Knueppel. Escusado será dizer que o esforço compensou.

No início da sua única época universitária, os especialistas em mock drafts colocavam-no à porta do top 10. À medida que a noite do draft se aproximava, Kon continuava a subir. Os Hornets tinham a 4.ª escolha e chamaram o seu nome.

As expectativas são sempre elevadas para as escolhas do topo do draft. Knueppel superou-as todas. Tem sido consistente, confiante e produtivo desde o primeiro dia. Lidera todos os rookies em pontos e está taco a taco com o antigo colega Cooper Flagg na corrida ao Rookie do Ano.

Está também a caminho de pulverizar o recorde de rookie de Keegan Murray, com 206 triplos convertidos numa época. Knueppel já marcou 137, e a época vai a meio.

Se mantiver este ritmo, pode terminar com uns impressionantes 300 triplos. Ninguém chegou sequer perto deste número.

Em tempos, o basquetebol parecia não estar nos planos de Knueppel. Bastou um livro e uma consola de jogos para mudar o rumo da sua vida. Quando se comprometeu, nunca mais deixou de perseguir a excelência – e agora tem a oportunidade de continuar a reescrever a história da NBA. De rato de biblioteca a máquina de pontos.