NBA: Dez anos depois do inesquecível duelo entre Zach LaVine e Aaron Gordon, Slam Dunk Contest está em ruínas

O duelo Zach LaVine - Aaron Gordon, um momento de topo
O duelo Zach LaVine - Aaron Gordon, um momento de topoVAUGHN RIDLEY / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Já passaram dez anos desde que se realizou um dos maiores Slam Dunk Contest da história. Uma década depois, o confronto entre Zach LaVine e Aaron Gordon continua sem igual. Aliás, nem sequer tem sido imitado.

Um pedaço de história. Não se pode afirmar que foi o maior Slam Dunk Contest de sempre, pois até essa data a NBA já tinha tido vários momentos marcantes. Mas naquele 13 de fevereiro de 2016, atingiu-se o auge com o duelo incrível entre dois dunkers de topo: Zach LaVine e Aaron Gordon.

O primeiro era o detentor do título, o segundo o desafiante máximo, de quem se esperava que um dia acabasse por vencer o concurso. Um mano a mano incrível que permanece dez anos depois. Simplesmente porque ninguém conseguiu fazer melhor desde então.

Mac McClung, o anti-exemplo

E dificilmente se fará melhor este ano, olhando para a lista de participantes: Carter Bryant - Jaxson Hayes - Keshad Johnson - Jase Richardson. Um rookie, um jogador mais conhecido por um caso de violência doméstica, e dois completos desconhecidos. Mas acima de tudo, nenhum deles é recordado por um afundanço espetacular em jogo.

Mas será mesmo surpreendente? Recorde-se que o tricampeão em título é Mac McClung, um jogador que passa a maior parte do tempo na G-League e que disputou exatamente dez jogos na NBA desde 2021. Um perfil espetacular, é certo, pequeno (1,88 m) mas com uma impulsão impressionante, que conquistou o público ao arriscar nos seus afundanços. Tudo aquilo de que se gosta, no fundo.

No entanto, trata-se do All-Star Game da NBA, e McClung não é um jogador da NBA. Mas o mais surpreendente é que este ano não vai defender o título, quando podia ultrapassar Nate Robinson e tornar-se o único vencedor por quatro vezes na história do Slam Dunk Contest. Quando se lê a explicação dada à HoopsHype, fica-se boquiaberto.

"Desde o início, disse a toda a gente que parava depois da terceira vez. Falo muitas vezes com vários amigos meus (da NBA), e eles falavam do próximo ano, e eu dizia-lhes basicamente: 'Não vou participar'. Mas preparei-me na mesma, caso mudasse de ideias. Depois ligaram-me a dizer: 'As pessoas não querem participar se tu participares', e achei que era melhor ficar de fora este ano", revelou.

E quando lhe perguntam se os jogadores têm receio de o enfrentar...

"Acho que é porque já houve tantos afundanços. É difícil surpreender as pessoas neste momento. Além disso, este concurso é muito exigente fisicamente e muito stressante. Todos os olhares estão postos em ti. Há muitas críticas. Por isso, quando os jogadores têm uma pausa durante o All-Star, não têm grande vontade de participar. Penso que a próxima grande estrela que o fizer terá mesmo de adorar afundanços e criatividade, porque hoje em dia é difícil inventar algo que ninguém tenha feito ainda", acrescentou.

Uma forma muito educada e indireta de dizer que os jogadores atuais não querem este desafio, e sobretudo não querem passar semanas a preparar-se para este evento para, no fim, correrem o risco de serem batidos por um desconhecido. Porque não lhes vai render mais zeros no próximo contrato?

Já acabou

Na última década, não houve nenhum concurso verdadeiramente memorável. Lembra-se Aaron Gordon a tentar ir demasiado depressa no ano seguinte, com uma tentativa de largar a bola a partir de um drone. Lembra-se de um afundanço de John Collins vestido de aviador (?). E recorda-se da expressão de Dwyane Wade em 2020, que se tornou um meme famoso.

Acima de tudo, recordam-se muitos afundanços que não saíram à primeira. Uma falta gritante de criatividade e, sobretudo, uma execução falhada, que dava a entender que os candidatos não tinham trabalhado o suficiente. E, principalmente, desafia-se alguém a nomear de olhos fechados todos os vencedores do concurso desde 2016 (quanto mais todos os participantes).

Inevitavelmente, questiona-se o que se poderá esperar este ano. Provavelmente uma desilusão, mas desde 2016 que o fim de semana do All-Star Game oferece pelo menos uma certeza: o Slam Dunk Contest já não é o ponto alto do fim de semana. Agora, esse papel cabe ao concurso de lançamentos de três pontos (que, curiosamente, nunca tem falta de participantes, algo evidente quando se vê Damian Lillard regressar de propósito de lesão para este evento).

Acabou assim, de repente? O jogo do All-Star Game está, de resto, em pior estado do que o Slam Dunk Contest, por isso resta esperar até voltarmos a ver um espetáculo semelhante ao de 2016. Se é que algum dia voltaremos a ver... Porque, se na NBA ainda se veem grandes posters, o jogador que ousar fazer um 360° num jogo é logo acusado de provocar, de gozar, de não respeitar o adversário. Não admira que nada evolua nestas condições.

Como sempre, a última palavra estará nas mãos dos jogadores e, ao que parece, já não querem saber. Não vale a pena debater mais: quando algumas estrelas decidirem participar e prepararem-se a sério, voltaremos a ter espetáculo. Caso contrário, a sepultura do Slam Dunk Contest ficará ao lado da do All-Star Game. Chama-se evolução do jogo, ao que parece...