O próprio Jogo das Estrelas, cujo programa decorre de sexta-feira a domingo no Intuit Dome, em Inglewood (sul de Los Angeles), tem sido uma das preocupações da liga norte-americana de basquetebol nos últimos anos.
O desinteresse dos jogadores, que acabou por apagar qualquer aparência de competitividade no evento, passou para os adeptos, levando a uma queda acentuada das audiências de ano para ano.
Para esta 75.ª edição, a NBA procura motivar as estrelas com mais uma reinvenção do formato, colocando agora em campo norte-americanos contra estrangeiros. Se conseguir recuperar parte do brilho perdido, o All Star será um impulso necessário para uma liga que tem sofrido duros golpes de imagem nesta temporada.
Escândalo das apostas
Em outubro passado, a NBA e todo o desporto norte-americano foram abalados pela detenção do então treinador dos Portland Trail Blazers, Chauncey Billups, e de um jogador dos Miami Heat, Terry Rozier, no âmbito de uma vasta investigação a uma rede de apostas ilegais.
O escândalo ensombrou o início da nova época da NBA, a primeira sob o novo acordo de direitos televisivos de 11 anos e 77 mil milhões de dólares.
O caso, que não foi o primeiro a ligar jogadores da NBA ao mundo das apostas, serviu de lembrete para os riscos da atual integração destes produtos na competição. O próprio comissário Adam Silver defendeu a legalização das apostas desportivas nos Estados Unidos e associou a NBA a grandes empresas deste setor multimilionário.
Giannis Antetokounmpo, líder dos Milwaukee Bucks e uma das maiores estrelas da NBA, deu mais um passo polémico ao anunciar este mês a sua entrada como acionista numa empresa que oferece apostas desportivas.
Após a detenção de Billups e Rozier, a NBA anunciou uma revisão das suas políticas para controlar informação suscetível de ser utilizada para apostas e reforçar a segurança dos jogadores, que relataram casos de assédio devido a estas atividades.
Febre do tanking
A Silver também foi solicitado que tomasse medidas para combater outro problema que afeta a integridade da liga, o tanking. Este termo refere-se às ações que uma equipa pode tomar deliberadamente para perder jogos e terminar nos últimos lugares da classificação, melhorando assim as suas hipóteses de ficar nas primeiras posições do draft seguinte.
O tanking existe noutras ligas norte-americanas, embora em menor escala, e tem sido inseparável do modelo de distribuição de jovens talentos no draft, criado para equilibrar o nível das equipas. Esta época, contudo, assistiu-se a um maior número de franquias a recorrer a esta estratégia mais cedo, retirando os seus melhores jogadores dos campos e tornando grande parte dos jogos pouco competitivos.
Clippers sob investigação
Os Clippers, anfitriões do All Star, também estiveram envolvidos em polémica numa época que era crucial para o relançamento da franquia de Steve Ballmer, um dos homens mais ricos do mundo.
Algumas semanas antes do início da temporada, o jornalista Pablo Torre noticiou que os Clippers poderão ter contornado as regras da NBA relativas ao teto salarial na contratação de Kawhi Leonard através da empresa Aspiration, atualmente insolvente, da qual Ballmer foi investidor.
O relatório indicava que Leonard assinou um contrato de quatro anos no valor de 28 milhões em 2021 para promover a Aspiration, sem nunca o fazer, e que um funcionário não identificado da empresa afirmou que esta era uma forma de os Clippers pagarem ao jogador mais do que o permitido.
Tanto a equipa como Leonard negaram qualquer irregularidade. A NBA abriu há cinco meses uma investigação cujos resultados permanecem desconhecidos, agora que os Clippers recebem o All Star, no qual Leonard irá participar.
