Quer fossem os comentadores a repetir constantemente "já vimos", quer fosse o Miami Heat e o Keshad Johnson a dançar mais do que a proporcionar algo emocionante aos adeptos, este deveria ser o ponto de rutura para que o comissário Adam Silver avance finalmente com mudanças numa competição que já foi entusiasmante.
Este foi o afundanço vencedor do Concurso de Afundanços da NBA de 2026, senhoras e senhores – um windmill em corrida, nem sequer a partir da linha de lance livre. Algo que todos vemos praticamente em todos os jogos ao longo da época.
Podem começar os aplausos de cortesia.
O Concurso de Afundanços da NBA era uma competição onde os adeptos podiam ver os jogadores mais atléticos da liga a realizar afundanços impressionantes que simplesmente não conseguiam fazer nos jogos normais. Os afundanços icónicos de Vince Carter. Os lances por baixo das pernas de Aaron Gordon. O Nate Robinson, com apenas 1,75 metros, fazia coisas que jogadores com mais 30 centímetros não conseguiam.
Era algo que adeptos de todo o mundo queriam ver sentados no sofá. Agora? Está a tornar-se tão irrelevante como o Pro Bowl da NFL.
"Nem sabia que estava a dar." "Já aconteceu?" "Quem é que participou?" "Nem conheço dois daqueles jogadores." Estas foram algumas das mensagens e respostas que recebi ao tentar perceber as reações – algo que antes fazia toda a gente estar atenta, a partilhar os melhores momentos nos grupos assim que aconteciam.
Por isso, aqui fica um lembrete do que é um grande concurso de afundanços, para quem já não se lembra.
As reações loucas de celebridades e adeptos junto ao campo estiveram completamente ausentes este ano – como devia ter sido. Voltei a ver destaques de curling olímpico só para sentir algo minimamente mais emocionante do que aquele autêntico tédio.
Há uma razão para as contas oficiais da NBA nas redes sociais não terem publicado o afundanço do Jaxson Hayes quando ele, literalmente, apenas correu para o cesto e fez um afundanço básico com uma mão, igual ao que as crianças fazem nos mini-cestos quando chegam a casa depois da escola.
Este concurso de afundanços de 2026 foi tudo menos uma piada, porque as piadas têm graça. Esta competição foi tão má que me lembrou que tinha de levar o lixo antes de acabar a noite.
Homenagens aos grandes do Concurso de Afundanços são uma coisa, mas repetir os seus afundanços sem entusiasmo ou força só os torna em afundanços banais, iguais aos que qualquer um faz no ginásio porque não sabe lançar ao cesto.
Ver o Robinson a afundar por cima do Dwight Howard, com mais de dois metros, foi impressionante. Isso é que entusiasmava os adeptos. Quando um Johnson com 1,98m afunda por cima de um E-40 com 1,85m, não tem o mesmo impacto. E, para piorar, já vimos isso vezes sem conta.
Querem saber porque é que as pessoas gostavam de ver o Matt McClung? Ele trazia espetáculo. Criatividade. Algo a que a competição se agarrava desesperadamente, ao ponto de a liga lhe garantir um contrato só para poder participar, antes de o enviar de volta para a G League assim que o fim de semana terminava.
É este o estado da competição outrora grandiosa – uma pontuação perfeita para um afundanço entre as pernas. Sem 360. Nem sequer um reverso. Nada que lhe desse um toque especial. Nem sequer aumentaram a altura do cesto. Sem adereços.
Nem conseguiu tapar os olhos com a própria fita da cabeça.
Lembro-me de quando os 50 pontos (pontuação máxima) eram atribuídos a afundanços que faziam a arena tremer tanto que parecia que ia desabar. Hoje em dia, preferia ir ao bar pagar uma fatia de pizza caríssima antes de procurar a saída do pavilhão.
Este é simplesmente um apelo a Adam Silver para recuperar algo que até quem não era adepto da NBA fazia questão de ver. Fazia com que as crianças tentassem imitar os afundanços nos seus próprios cestos. Levava os adultos a tentar fazê-lo nos ginásios locais.
Os jogadores da NBA queriam mesmo participar na competição. Era uma honra estar entre tantos talentos a lutar pelo melhor título do All-Star Weekend. Havia uma razão para ser o último evento antes do All-Star Game no dia seguinte.
Chamem-lhe o que quiserem hoje em dia, já que deixou de ser o que era, mas o Concurso de Afundanços da NBA e o Pro Bowl da NFL são as maiores anedotas do desporto americano.
