Jogos Olímpicos de inverno: Atleta israelita indigna-se com comentários na televisão suíça

Edelman, em plena ação
Edelman, em plena açãoREUTERS/Athit Perawongmetha

O membro da equipa israelita de bobsleigh Adam Edelman considerou impossível "dar crédito" ao comentário de um jornalista do canal suíço RTS, que questionou a presença do desportista nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina durante a sua participação na passada segunda-feira, o que gerou polémica.

"Edelman, na sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, que se autodefine como sionista até à medula, cito textualmente", afirmou de imediato o comentador suíço no momento da partida do trenó israelita composto por Edelman e Chen.

De seguida, o comentador recordou "as mensagens nas redes sociais" publicadas por este desportista "a favor do genocídio em Gaza".

"Recorde-se que genocídio é o termo utilizado pela comissão de inquérito da ONU na região", acrescentou.

O jornalista suíço também recordou as declarações do desportista. "Disse, cito textualmente, que a intervenção militar israelita era a guerra mais moralmente justa da história".

"Podemos, portanto, questionar a sua presença aqui em Cortina durante estes Jogos", prosseguiu o jornalista.

Adam reagiu através da sua conta X: "Estou a par da diatribe lançada pelo comentador (...) contra a equipa (...) Não considero possível assistir a isso e dar qualquer crédito aos comentários".

"Um orgulho inabalável"

O desportista acrescentou que Shul Runnings, nome pelo qual é conhecida a formação israelita de bobsleigh que participa pela primeira vez nos Jogos, "é uma equipa composta por seis israelitas orgulhosos de terem alcançado o nível olímpico".

"Não temos treinador. Não temos um programa ambicioso. Apenas um sonho, determinação e um orgulho inabalável por aqueles que representamos", escreveu.

"Trabalhámos juntos para atingir um objetivo incrível e superá-lo. Porque é isso que os israelitas fazem", sublinhou.

Questionado sobre este tema na conferência de imprensa diária desta terça-feira de manhã, o porta-voz do COI, Mark Adams, garantiu que "os comentários específicos de um comentador são uma questão que diz respeito ao difusor".

Contactada pela AFP na manhã de terça-feira, a RTS ainda não reagiu.