"Tenho hormonas femininas. E as pessoas não sabem, mas recorri a tratamentos hormonais para reduzir o meu nível de testosterona para as competições", afirmou a argelina de 26 anos.
Confirmando possuir o gene SRY, localizado no cromossoma Y e indicador de masculinidade – "Sim, e é natural" –, Khelif explicou: "Estou acompanhada por médicos, um professor acompanha-me (...) Para o torneio de qualifying para os Jogos de Paris, que teve lugar em Dacar, baixei o meu nível de testosterona até zero".
"E conquistei a medalha de ouro" na categoria de -66 kg, recordou a atleta que, posteriormente, esteve no centro de uma enorme polémica mundial e foi alvo de ataques e de uma campanha de desinformação, sendo apresentada como um "homem a combater mulheres".
Tal como a taiwanesa Lin Yu-ting, também ela campeã nos -57 kg nos Jogos de Paris, Khelif foi acusada de ser uma atleta transgénero por várias figuras públicas, incluindo Donald Trump, Elon Musk e a escritora britânica J.K. Rowling.
"Eu respeito toda a gente, e respeito Trump. Porque é o presidente dos Estados Unidos. Mas não pode distorcer a verdade. Não sou uma trans, sou uma rapariga. Fui criada como uma rapariga, cresci como uma rapariga, as pessoas da minha aldeia sempre me conheceram como uma rapariga", sublinhou Imane Khelif.
A pugilista, que tem como objetivo participar nos Jogos Olímpicos 2028 em Los Angeles, sabe que terá de se submeter a um teste genético imposto pela World Boxing, entidade reconhecida pelo COI, e afirmou estar preparada.
"Para os próximos Jogos, se for necessário fazer um teste, submeto-me a ele. Não tenho qualquer problema com isso. Já fiz esse teste. Contactei a World Boxing, enviei-lhes o meu processo médico, os meus testes hormonais, tudo. Mas não obtive qualquer resposta. Não me escondo, não recuso os testes", garantiu.
