Cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos enfrenta boicote e incerteza após ataques ao Irão

Os Anéis Olímpicos e o logótipo dos Jogos Paralímpicos em Cortina
Os Anéis Olímpicos e o logótipo dos Jogos Paralímpicos em CortinaClaudia Greco / Reuters

Oito países vão boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos na sexta-feira, em protesto contra a presença de atletas russos a competir sob a sua bandeira nacional, enquanto mais delegações podem faltar ao evento devido a perturbações nas viagens após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

Os países que planeiam faltar à cerimónia são a República Checa, Estónia, Finlândia, Letónia, Lituânia, Polónia, Países Baixos e Ucrânia, revelou Craig Spence, Diretor de Marca e Comunicação do Comité Paralímpico Internacional (IPC).

O encerramento do espaço aéreo em partes do Médio Oriente pode afetar a chegada de participantes, informou o IPC em comunicado.

O IPC recusou comentar o estado de mais de 50 delegações nacionais.

Os Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina decorrem de 6 a 15 de março. A cerimónia de abertura terá lugar na antiga arena romana de Verona, cerca de 170 quilómetros a leste de Milão.

O IPC espera um número recorde de atletas nos Jogos – mais de 600 –, com a confirmação final prevista para os próximos dias.

Entre os atletas inscritos, 10 são provenientes da Rússia e da Bielorrússia. Israel deverá enviar uma esquiadora alpina, enquanto o Irão será representado por um atleta masculino no esqui de fundo.

O presidente do Comité Paralímpico Italiano alertou que a situação pode ofuscar um momento importante para os atletas que viajam de todo o mundo para competir em Itália.

“A situação é realmente preocupante e lamentável. Os impactos desta guerra (no Médio Oriente) podem ser variados”, afirmou Marco Giunio De Sanctis, presidente do Comité Paralímpico Italiano, à Reuters.

Do ponto de vista logístico, a maioria dos atletas já deverá ter chegado, referiu, salientando que o primeiro jogo de para curling está agendado para quarta-feira em Cortina.

No entanto, De Sanctis admitiu que há receio de que o agravamento do conflito a envolver o Irão possa ofuscar a mensagem dos Jogos.

“É uma grande pena, porque nenhum dos atletas merece isto depois de tantos sacrifícios para chegar aqui”, disse.