Volta ao Algarve: Filippo Ganna vence contrarrelógico e Ayuso reforça liderança

Ayuso mantém liderança da Volta ao Algarve
Ayuso mantém liderança da Volta ao AlgarveFPC

O ciclista italiano Filippo Ganna (INEOS) venceu esta sexta-feira a terceira etapa da Volta ao Algarve, um contrarrelógio individual de 19,5 quilómetros, em Vilamoura, enquanto o espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek) reforçou a liderança.

Depois de ter sido privado de uma vitória limpa na primeira etapa da passada edição, na caótica (e anulada) chegada a Lagos, o corredor da INEOS festejou pela primeira vez na Algarvia, à quarta participação, deixando Juan Ayuso (Lidl-Trek), que hoje foi para a estrada sem a amarela vestida, a seis segundos.

Numa terceira etapa em que João Almeida (UAE Emirates) poderá ter hipotecado definitivamente o sonho de vencer a classificação geral – foi apenas 10.º e já está a 44 segundos do espanhol -, o sueco Jakob Söderqvist (Lidl-Trek) foi o terceiro, a oito segundos, enquanto Paul Seixas (Decathlon) terminou na quarta posição, a 13.

“Estou muito feliz. Tenho regressado ano após ano e, finalmente, consegui o triunfo aqui. Em 2023, fui segundo na geral e tive bons resultados, mas até que enfim chegou a vitória”, afirmou Ganna, de 29 anos.

Antigo bicampeão mundial (2020 e 2021) e vigente vice-campeão olímpico da especialidade, o italiano voador percorreu os 19,5 quilómetros do cénico ‘crono’ de Vilamoura em impressionantes 21.53 minutos, a uma média de 53,465 km/hora.

Ganna era talvez o principal favorito e confirmou-o assim que saiu para a estrada: estabeleceu o melhor tempo no ponto intermédio e, na meta, destronou Söderqvist, o vigente campeão mundial de sub-23, que ficou pouquíssimo tempo na cadeira quente.

Faltavam chegar os homens da geral, mas também Stefan Küng, que por duas vezes venceu contrarrelógios na Volta ao Algarve (2019 e 2023); no entanto, esta sexta-feira, o suíço da Tudor não foi além do sétimo lugar, a 28 segundos do corredor da INEOS.

Antes de Almeida entrar em ação, outro português esteve em destaque, no caso António Morgado (UAE Emirates), o atual bicampeão nacional de contrarrelógio, que quando terminou o seu exercício era sexto na etapa – acabaria em 13.º, a 56.

A surpresa chegou quando Paul Seixas foi para a estrada, sem a camisola branca vestida, e foi ainda maior quando Ayuso iniciou o seu exercício, com o equipamento da sua equipa e não com o símbolo da liderança da geral, uma situação completamente inusitada e nunca vista na prova portuguesa.

“Conversámos com a organização e com a União Ciclista Internacional (UCI) e entenderam que para nós era importante sair com os fatos de contrarrelógio, porque as equipas investem muito dinheiro e tempo para criar um fato rápido. Para que houvesse igualdade de condições entre todos, deram-nos permissão para sair com a roupa da nossa equipa”, justificou o espanhol da Lidl-Trek.

Embora tenha abdicado de a vestir, Ayuso saiu de Vilamoura com a amarela reforçada, tendo agora sete segundos de vantagem sobre Seixas, o adversário que parece ser o único capaz de batê-lo até domingo, quando o pelotão da 52.ª Volta ao Algarve subir ao alto do Malhão, e que esta sexta-feira não quis arriscar demasiado, como desabafou ao cortar a meta.

“Esperava perder algum tempo, mas não tanto (para Ayuso). Parabéns a ele, penso que está em ótima forma”, resumiu João Almeida aos microfones da Eurosport, admitindo que só lhe resta atacar no último dia.

O crono provocou uma pequena revolução na geral, com Kévin Vauquelin (INEOS) a subir a quarto da geral, a 57 segundos, e o seu colega neerlandês Thymen Arensman a saltar para quinto, a 01.01 minutos.

Também Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe) entrou no top 10 – é oitavo -, depois de ser nono na etapa, com Oscar Onley (INEOS) a ser o derrotado da jornada, ao descer de quarto a sétimo.

No sábado, os homens da geral cedem o protagonismo aos sprinters, nos 175,1 quilómetros da quarta etapa entre Albufeira e Lagos.