Paul Seixas cumpriu os 147,2 quilómetros, entre Portimão e o Alto da Fóia, em 3:49.50 horas, à frente do espanhol Juan Ayuso, segundo, com o mesmo tempo, e do português João Almeida (UAE Emirates), terceiro, a um segundo.
João Almeida (UAE Emirates) saiu derrotado do primeiro round entre os favoritos ao triunfo final na 52.ª edição, com o português a não esconder a sua frustração após ser apenas terceiro na segunda etapa, a um segundo do jovem francês da Decathlon, que aos 19 anos conquistou o seu primeiro triunfo como profissional ao bater Ayuso num sprint apertado.
“A sensação foi incrível. Sinto que fiz progressos desde o ano passado. Sinto-me em boa forma, demos tudo para preparar da melhor maneira o início da época e ganhar algumas corridas. E, hoje, conseguir a minha primeira vitória profissional aqui é qualquer coisa”, descreveu Paul Seixas, que cortou a meta após 03:49.50 horas.
Os longos dois meses que passou sem ver os pais e a namorada foram, assim, recompensados, com o promissor vencedor da Volta a França do Futuro a estrear o seu palmarés no mesmo sítio onde o gigante Tadej Pogacar o fez.
Ao francês só faltou mesmo vestir a amarela, que está no corpo de Juan Ayuso (Lidl-Trek), embora os dois estejam empatados em tempo, enquanto Almeida é terceiro, a sete segundos.
“Foi mesmo renhido, perdi por menos de meia roda, mas é o que é. O Paul mereceu a vitória”, reconheceu o líder da Algarvia, que assumiu querer manter a camisola mais apetecida até ao final após hoje ter sido o primeiro a ousar atacar no grupo de favoritos.
Com outra camisola, a da montanha, para defender, Tomas Contte lançou-se em fuga quando estavam decorridos menos de uma dezena de quilómetros dos 147,2 desde Portimão na companhia do seu colega e rei da passada edição Nicolás Tivani (Aviludo-Louletano-Loulé Concelho), assim como de Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar), terceiro da geral à partida para a segunda tirada.
A eles uniram-se Enzo Leijnse (Anicolor-Campicarn), Alexandre Montez (Feirense-Beeceler), Iker Bonillo (Feira dos Sofás-Boavista), Leangel Linarez (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua) e Gorka Sorarrain (Caja Rural), com os oito a conseguirem alcançar uma diferença que superou os três minutos.
Mas, inevitavelmente, a fuga estava condenada, até porque desde cedo a UAE Emirates e a Lidl-Trek assumiram as suas pretensões, e acabou a menos de 15 quilómetros da meta, mesmo antes do primeiro dos dois sprints consecutivos dos pontos quentes, onde a equipa de Ayuso e o próprio sprintaram para amealhar mais segundos – amealhou um, que no final seria decisivo para vestir a amarela.
A nova subida à Fóia, por uma vertente mais dura e menos conhecida, com asfalto irregular e pendentes de inclinação de 14%, provocou maiores diferenças entre os favoritos, que foram acentuadas com o ataque do líder da Lidl-Trek dentro dos quatro quilómetros finais, onde Brandon McNulty (UAE Emirates) caiu e perdeu tempo que o deixa fora da discussão da geral.
Ao ataque de Ayuso responderam apenas Almeida e Seixas, que impôs um ritmo tão elevado que por duas vezes descolou o português da UAE Emirates e ainda eliminou Florian Lipowitz, o terceiro classificado do Tour2025 que hoje foi um dececionante 11.º, a 31 segundos.
Atrás do trio, era Matthew Riccitello, colega de Seixas, a puxar, rebocando Oscar Onley (INEOS) para o grupo da frente. Quando entraram no último quilómetro, Almeida acelerou mas não conseguiu deixar para trás ninguém, com a discussão da etapa a acabar por ser feita ao sprint, no alto da contagem de montanha de primeira categoria.
Onley foi quarto, a quatro segundos, e o melhor jovem da passada Vuelta foi quinto, a seis, parecendo satisfeitos com o seu resultado, ao contrário do português da UAE Emirates, que não quis falar com a imprensa.
Na sexta-feira, o contrarrelógio de 19,5 quilómetros com início e final em Vilamoura promete reduzir ainda mais o lote de candidatos à amarela final, com Ayuso a partir não só com a amarela mas como favorito ao triunfo na terceira etapa.
