Lucho Herrera, vencedor da Vuelta em 1987, investigado por desaparecimento forçado

Lucho Herrera, com problemas judiciais
Lucho Herrera, com problemas judiciaisFoto por RAÚL ARBOLEDA / AFP

A Procuradoria da Colômbia anunciou esta quarta-feira a abertura de uma investigação pelo crime de "desaparecimento forçado" contra o reconhecido ex-ciclista Luis 'Lucho' Herrera, de 64 anos, alegadamente envolvido no assassinato de quatro camponeses em 2002.

A glória do desporto colombiano foi apontada por dois ex-paramilitares perante a justiça por, alegadamente, ter pago pelo desaparecimento e posterior morte de vizinhos que se recusaram a vender-lhe as suas quintas em Fusagasugá, uma localidade no centro do país.

O campeão da Vuelta a Espanha de 1987 apresentou-se voluntariamente em junho perante a Procuradoria para negar qualquer ligação a estes factos. Essa diligência em Bogotá, à qual Herrera compareceu acompanhado da sua esposa, não teve carácter vinculativo.

Rafael Herrera, irmão do ex-ciclista, também foi mencionado nas denúncias dos ex-paramilitares, membros originalmente de esquadrões de extrema-direita criados para combater as guerrilhas comunistas.

A entidade investigadora garantiu, em comunicado, que decidiu abrir a investigação após encontrar "elementos materiais de prova" que indicariam que os irmãos Herrera contactaram membros de um grupo paramilitar para que "levassem contra a sua vontade" os camponeses.

Enterrados numa quinta de Lucho

Luis e Rafael Herrera foram chamados a prestar declarações a 6 de fevereiro para responder "pelo crime de desaparecimento forçado".

O crime de desaparecimento forçado é punido na Colômbia com uma pena de prisão entre 26 e 45 anos, de acordo com o código penal.

A Procuradoria do país acrescentou que os corpos de duas das vítimas foram encontrados em 2008 e entregues às suas famílias em dezembro passado. Os outros dois ainda não foram localizados.

Segundo os ex-paramilitares, já condenados por estes factos, os cadáveres foram enterrados numa quinta que pertence ao ex-ciclista.

O chamado Jardineiro de Fusagasugá, considerado um dos melhores escaladores latino-americanos da história, afirma que a sua ligação ao caso é uma encenação para "manchar" o seu nome.