O COI está também a considerar esta alteração para permitir que os Jogos Paralímpicos, que tradicionalmente decorrem algumas semanas após os Jogos Olímpicos, possam realizar-se em fevereiro, em vez do atual período de março.
"Talvez estejamos também a debater a ideia de antecipar um pouco os Jogos Olímpicos de Inverno para os organizar em janeiro, pois isso tem igualmente impacto nos Jogos Paralímpicos", afirmou Karl Stoss, responsável pelo grupo de trabalho do programa olímpico do COI, aos jornalistas esta quarta-feira.
"Os Jogos Paralímpicos realizam-se atualmente em março, o que é bastante tarde, já que o sol nessa altura é suficientemente forte para derreter a neve. Por isso, é possível que os Jogos Paralímpicos passem a disputar-se em fevereiro e que a outra edição (os Jogos Olímpicos de Inverno) seja organizada em janeiro", confirmou.
A última vez que os Jogos Olímpicos de Inverno começaram em janeiro foi há 62 anos, nos Jogos de Innsbruck 1964, que tiveram início a 29 de janeiro.
Com o aumento das temperaturas a nível global, a neve natural torna-se cada vez mais escassa em algumas regiões e a disponibilidade de água para a produção de neve diminui devido às alterações climáticas, colocando em risco a indústria mundial dos desportos de neve.
Até 2040, apenas dez países terão capacidade para acolher as provas de desportos de neve dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, segundo um estudo do COI.
Os Jogos de Pequim 2022 foram os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno a recorrer quase exclusivamente a neve artificial, graças a mais de 100 geradores de neve e 300 canhões de neve a funcionar em pleno para cobrir as pistas de esqui.
Desportos de verão
O COI pondera ainda introduzir desportos de verão tradicionais nos Jogos Olímpicos de Inverno para aumentar a popularidade e gerar receitas. Os Jogos Olímpicos de Inverno dos Alpes Franceses 2030 e de Salt Lake City 2034 estão ambos agendados para fevereiro.
"Estamos a reavaliar a dimensão dos Jogos, a distribuição das modalidades, as opções para novas disciplinas. Estamos também a analisar as possibilidades de criar pontes entre os desportos de verão e de inverno", explicou Stoss numa sessão do COI realizada mais cedo, esta quarta-feira.
As disciplinas de corrida e de ciclismo são frequentemente apontadas como potenciais candidatas. No entanto, algumas federações de desportos de inverno mantêm-se cautelosas em relação a esta ideia, pois poderia afetar o seu mercado tradicional.
"Estou convencido de que, com as alterações climáticas, integrar algumas disciplinas de inverno como o ciclocrosse nos Jogos poderia ser uma mais-valia por duas razões", afirmou David Lappartient, presidente da União Ciclista Internacional (UCI), aos jornalistas.
Esclareceu que os melhores ciclistas poderiam participar no ciclocrosse, uma corrida de bicicleta com subidas íngremes, trilhos lamacentos e obstáculos, que já atrai um vasto público.
"Assim, poderíamos, potencialmente, responder também às alterações climáticas, trazer mais universalidade e atrair estrelas", acrescentou Lappartient.
