Aos 26 anos, o piloto natural de Leiria trocou o Mini pela Toyota Hilux preparada pela Toyota Gazoo Racing da África, uma arma que lhe dá condições para poder ombrear com os habituais favoritos.
“Acho que, a cada ano que vou ao Dakar, vou melhor preparado. Este ano, em conjunto com a SVR, com a Toyota Gazoo Racing na África do Sul e com a continuidade dos patrocinadores que me têm apoiado, sinto que é o Dakar para o qual estou mais bem preparado”, afirmou o piloto luso, em entrevista à agência Lusa.
João Ferreira acredita que este ano estão reunidas as condições para melhorar o oitavo lugar conseguido em 2025.
“Tenho uma equipa vencedora comigo e um carro vencedor. Os meus mecânicos foram chefes de carro do vencedor do Dakar de 2025, o engenheiro também, o engenheiro de motores também. Ou seja, tenho praticamente o pacote do piloto que ganhou o Dakar: só muda o piloto e muda o navegador. E o navegador tem muita experiência. Portanto, está tudo reunido para eu conseguir fazer um bom resultado”, sublinhou.
Depois de ter passado pelas categorias de veículos ligeiros em 2023 e 2024, conseguindo quatro vitórias em especiais (uma em 2023 e três em 2024), João Ferreira mudou-se para a categoria principal, a Ultimate, com um Mini, em 2025. A estreia foi promissora, com um oitavo posto final.
“O meu objetivo é claro, é vencer. Obviamente que o Dakar é muito duro e, como disse, é muito difícil prever o que vai acontecer. Mas vou fazer tudo para vencer. As previsões fazem-se durante o rali, mas o objetivo inicial, antes de começar, é a vitória”, apontou.
Até porque este ano sente-se melhor preparado: “Este ano comecei a preparação mais cedo e de forma mais intensa. Treinei muito. A nível pessoal sinto que estou muito bem preparado”.
Apesar de este ano a organização ter mudado um pouco o figurino de algumas etapas, nomeadamente da grande etapa maratona que obrigava os pilotos a pernoitarem no meio da especial, João Ferreira considera que a corrida não ficou mais fácil.
“Em vez de espalhar pilotos 'no meio do nada', a organização vai concentrar tudo no mesmo bivouac, por questões de logística. Acho que foi uma decisão inteligente. Mesmo sem a etapa de 48 horas, vai ser um Dakar duríssimo, disso não tenho dúvidas”, frisou.
Por outro lado, o piloto luso mostra-se desiludido pela ausência de etapas no deserto do Empty Carter.
“Infelizmente não se vai às dunas do Empty Quarter. Não sei porquê, era uma zona muito gira e desafiante, para nós e para as máquinas. Mas a organização escolheu esse caminho. E se retirou as dunas difíceis do Empty Quarter, colocou a dificuldade noutro sítio. Portanto, não vai ser um Dakar mais fácil por isso”, acredita.
O piloto de 26 anos indica a segunda etapa, “com muita pedra”, e algumas da segunda semana, como as decisivas para a corrida.
“Vai haver muita pedra neste Dakar. E nas etapas “100% pedra” é onde muita gente fica pelo caminho. Vamos ver. Temos a estratégia bem delineada com a equipa e vamos ver o que conseguimos fazer”, disse.
A 48.ª edição do rali Dakar de todo-o-terreno realiza-se entre 03 e 17 de janeiro, na Arábia Saudita.
