Lewis Hamilton e a Ferrari: Uma nova era na parceria mais icónica da Fórmula 1

Lewis Hamilton está pronto para sua segunda temporada a correr pela Ferrari
Lewis Hamilton está pronto para sua segunda temporada a correr pela FerrariFoto: ERIC ALONSO / DPPI / DPPI VIA AFP

As novas regras da Fórmula 1 aumentam as esperanças de que Lewis Hamilton, em seu segundo ano na Ferrari, pode voltar a competir pelo seu oitavo título mundial

Lewis Hamilton vai começar o segundo ano no cockpit da Ferrari em 8 de março, quando o Grande Prémio da Austrália abre a nova temporada da Fórmula 1. A primeira experiência ficou aquém das expectativas para uma parceria tão icónica entre a equipa mais glamurosa da categoria e o piloto mais vencedor.

Hamilton foi apenas o sexto classificado do Mundial de Pilotos, atrás do seu companheiro de equipe Charles Leclerc, e não conseguiu subir ao pódio em nenhuma das corridas.

As perspetivas são melhores para 2026, com a introdução de um novo regulamento abrangente que deve mexer com o equilíbrio de forças da Fórmula 1.

Hamilton está mais adaptado à nova equipa, participou do processo de desenvolvimento do novo carro e os resultados da pré-temporada foram promissores.

Aos 41 anos, não terá muitas outras oportunidades de conquistar o oitavo título mundial e se isolar como o maior campeão da história da categoria.

Por que Lewis Hamilton deixou a Mercedes?

Os últimos anos de Lewis Hamilton na Mercedes não foram fáceis.

Hamilton perdeu o oitavo título mundial, que o deixaria isolado como recordista à frente do alemão Michael Schumacher, na última etapa da temporada 2021 após uma decisão controversa da direção de prova.

Frustrado, não teve condições de tentar novamente porque a Mercedes caiu na hierarquia da grelha e não conseguiu fazer frente à Red Bull nos anos seguintes. Pela primeira vez na carreira, Hamilton não ganhou nenhuma corrida tanto em 2022 quanto em 2023.

Sem tempo a perder, o veterano viu mais potencial nos planos da Ferrari para 2026, quando um novo regulamento poderia mudar o equilíbrio de forças da Fórmula 1, do que o que a Mercedes parecia em condições de oferecer.

Também houve uma questão contratual. A Mercedes hesitou em oferecer um novo contrato longo para Hamilton. No fim, chegaram a um meio termo: um acordo de uma temporada com opção para mais uma que foi assinado em agosto de 2023

Apenas meses depois de firmar a renovação, veio o anúncio da mudança para a Ferrari a partir de 2025, com um contrato mais longo (pelo menos até o fim de 2026) e um aumento salarial.

Hamilton também estava animado com a perspectiva de trabalhar com o chefe de equipa da escuderia italiana, o francês Fred Vasseur, com o qual correu nas categorias mais baixas.

E houve o factor romântico.

Chegas ao Grande Prémio de Itália e vês o mar vermelho de adeptos da Ferrari, ficas impressionados. É uma equipa que não tem muito sucesso desde 2007. Vi como um grande desafio. Sem dúvidas, quando era criança, costumava brincar que era o Michael (Schumacher) naquele carro. É um sonho e estou muito, muito empolgado”, afirmou.

2026: Como a mudança de regras favorece a Ferrari

No geral, os carros da Fórmula 1 ficaram mais curtos, mais estreitos e mais leves. As asas traseiras e dianteiras foram simplificadas, os pneus estão mais estreitos e o piso do carro será mais plano, o que favorece diferentes tipos de pilotagem.

Dentro desse pacote, a mudança mais significativa é a introdução da Active Aero, ou aerodinâmica ativa, em tradução livre. Os carros passarão a ajustar o ângulo das asas traseiras e dianteiras dependendo de onde estiverem no circuito.

Nas curvas, as abas permanecem fechadas para manter a aderência. Nas retas, os pilotos podem abri-las e achatar as asas para reduzir o atrito e aumentar a velocidade máxima.

Isso efetivamente tornou obsoleto o sistema DRS, quando os pilotos abriam as asas a um segundo de distância do carro à frente para facilitar a ultrapassagem. Em seu lugar, haverá um botão de ultrapassagem que pode ser ativado na mesma situação - a um segundo do carro da frente. 

Esse botão é exclusivo para o ataque. Tem um outro botão, chamado “Boost”, ou impulso, que pode ser usado em qualquer momento da corrida, para ultrapassar ou para defender uma investida.

Há outra mudança importante. Os motores da Fórmula 1 são híbridos desde 2014, mas, a partir desta temporada, o equilíbrio entre combustível e energia elétrica ficou mais próximo, efetivamente 50% para cada um. Isso significa que os pilotos terão uma preocupação maior com conservação e recarga e o uso da energia se torna um dos elementos táticos da corrida.

Isso gerou algumas críticas. O neerlandês Max Verstappen, por exemplo, disse que os carros da Fórmula 1 parecem uma “Fórmula E com esteroides” e que em alguns circuitos de alta velocidade é possível que os pilotos precisem de travar nas retas para conservar energia. 

O próprio Hamilton não amou as mudanças. Teme que os adeptos não sejam capazes de entender regras que ficaram “ridiculamente complexas”. 

De qualquer maneira, parte do que convenceu Hamilton a mudar de equipa foi a visão da Ferrari para o desenvolvimento do carro dentro desses novos parâmetros. A escuderia apostou tudo nisso: mudou o foco dos seus esforços para o carro de 2026 ainda em abril do ano passado, sacrificando quase toda a última temporada.

Por enquanto, está tudo correndo bem. A Ferrari, pilotada pelo companheiro de Hamilton, Charles Leclerc, conseguiu a melhor volta dos treinos de pré-temporada no Bahrein, com uma distância absurda de 0,811 awfunsoa para o segundo tempo mais rápido - Kimi Antonelli, da Mercedes. 

Além de uma única volta rápida, as simulações de corrida também deram uma leve vantagem para os italianos e o sentimento no paddock é que Ferrari e Mercedes partem um pouco à frente.

Este teste confirmou que Ferrari e Mercedes parecem as equipas a baters. McLaren e Red Bull estão provavelmente muito perto, Ferrari e Mercedes um passo à frente”, afirmou o chefe da atual campeã McLaren, Andrea Stella.

Hamilton vs. Leclerc: Choque de gerações?

Um dos ditados mais batidos da Fórmula 1 é que o seu primeiro e principal adversário no grid é o companheiro de equipa. Faz sentido: ele é o único que tem exatamente as mesmas condições. Quem acabar a dar-se melhor conseguiu fazê-lo com base em puro talento.

A menos que haja algum tipo de favorecimento da equipa.

Na Ferrari, Hamilton corre ao lado do monegasco Charles Leclerc, com o qual, até onde se sabe, tem uma boa relação. Em março de 2025, chegou a dizer que eles já eram amigos antes de se encontrarem em Maranello.

A situação é curiosa porque Hamilton, 41 anos, está há mais tempo na Fórmula 1, mas Leclerc, 27, conhece a Ferrari melhor do que ninguém porque defende a escuderia desde 2019.

Leclerc foi melhor que Hamilton na última temporada - a primeira e até agora única em que ambos foram companheiros de equipa.

Conseguiu sete pódios, dois segundos lugares, e somou 86 pontos a mais que o heptacampeão. Ficaram, respectivamente, em quinto e sexto lugar no Mundial de Pilotos.

Caso o carro da Ferrari seja mesmo o melhor do grid, o principal obstáculo para Hamilton conquistar o oitavo título está dentro de casa.

O oitavo título: a busca pelo recorde isolado

Parecia inevitável que Lewis Hamilton ia abater o recorde de Michael Schumacher. Quando ele foi campeão pela sétima vez, a Mercedes era o melhor carro da grelha e tinha conquistado os Mundiais de Pilotos e Construtores nas últimas sete temporadas.

No entanto, o oitavo título escapou em 2021, após o diretor de prova da FIA, Michael Masi, aplicar incorretamente o regulamento para forçar um novo arranque na última volta do Grande Prémio de Abu Dhabi, a última etapa daquele campeonato.

Verstappen ultrapassou Hamilton e foi campeão pela primeira vez. Embora anos depois tenha dito que fez as pazes com o que aconteceu, ainda considera ter sido “roubado” de um título.

Aos 41 anos, Hamilton sabe que não terá muitas outras oportunidades e parte da sua mudança para a Ferrari foi para lhe dar mais condições de voltar a competir na frente da grelha. 

Conquistar o oitavo título seria histórico em qualquer circunstância, mas o simbolismo seria enorme se o fizer com a Ferrari, a mesma que marcou a carreira do outro recordista, Michael Schumacher, quebrando um jejum de quase 20 anos da equipa mais famosa da Fórmula 1. 

Lewis Hamilton e a Ferrari: Perguntas mais frequentes (FAQ)

1. Quando foi a estreia oficial de Lewis Hamilton pela Ferrari?

A estreia oficial de Lewis Hamilton pela Ferrari foi no Grande Prémio da Austrália em 16 de março de 2025. Hamilton foi apenas o 10.º classificado na corrida vencida por Lando Norris, da McLaren.

Hamilton vai estrear-se com a Ferrari na temporada 2026 da Fórmula 1 novamente em Melbourne, no dia 8 de março.

2. O que levou Lewis Hamilton a sair da Mercedes?

Foi um conjunto de fatores. Hamilton concluiu que a Ferrari daria mais possibilidades de voltar a lutar pelo título Mundial, após uma queda de rendimento da Mercedes. Também recebeu melhores condições contratuais, ficou empolgado com a perspectiva de trabalhar com o velho amigo Fred Vasseur e queria sair da sua zona de conforto, além de todo o romantismo que cerca a Ferrari.

3. Quem será o companheiro de equipa de Hamilton na Ferrari em 2026?

O companheiro de equipa de Hamilton será Charles Leclerc. O monegasco corre pela Ferrari desde 2019 e teve resultados melhores do que o inglês na última temporada.

4. Quantos títulos mundiais Lewis Hamilton tem atualmente?

Lewis Hamilton tem sete títulos mundiais. É o maior vencedor da história da categoria, empatado com o alemão Michael Schumacher.

5. Como os novos regulamentos de 2026 afetam a Ferrari?

Os novos regulamentos da Fórmula 1 para 2026 afetaram todas as equipas. 

Com mudanças tão abrangentes, é como se o desenvolvimento dos carros tivesse voltado à estaca zero, ou quase isso, o que abre uma janela de oportunidade para a Ferrari se aproximar ou até superar as equipas que foram dominantes nos últimos anos, como McLaren, Mercedes e Red Bull, se fizer um bom trabalho. A Ferrari apostou tudo nessa possibilidade. Abandonou o desenvolvimento do carro de 2025 ainda no começo do ano passado para focar todos os seus esforços na atual temporada.

6. Qual será o impacto de Hamilton no desenvolvimento dos carros da Ferrari?

O impacto pode ser grande. Hamilton disputou a temporada 2024 pela Mercedes e teve pouca influência no desenvolvimento do carro da Ferrari para 2025. Agora, está envolvido no projeto desde o começo e pode passar o seu feedback. Como um dos pilotos mais veteranos do grelha, poucos sabem tão bem como construir um carro campeão quanto ele.