O neerlandês completou 136 voltas ao volante do Red Bull na quarta-feira, registando o segundo melhor tempo do dia, antes de ver o novo colega de equipa, Isack Hadjar, entrar em pista na quinta-feira.
No entanto, na sua primeira conferência de imprensa do ano, Verstappen mostrou-se desiludido com as alterações ao regulamento deste ano, que levaram a uma renovação completa dos chassis e motores de todas as equipas, com maior ênfase na gestão de energia.
"Conduzir estes carros não é propriamente divertido, para ser sincero. Diria que a palavra certa é gestão. Não é muito ao estilo da Fórmula 1. Parece mais Fórmula E com esteroides. Mas as regras são iguais para todos, por isso temos de lidar com isso", afirmou.
Fórmula E e o "anti-corrida"
A principal crítica de Verstappen prende-se com o nível de intervenção exigido pelo carro.
"Enquanto piloto puro, gosto de conduzir ao máximo, e neste momento não é possível fazê-lo. Há muita coisa a acontecer. Muito do que fazes enquanto piloto, em termos de comandos, tem um enorme impacto na parte energética. Para mim, isso não é Fórmula 1," disse Verstappen.
"Se calhar, então, é melhor conduzir na Fórmula E, não? Porque aí tudo gira em torno de energia, eficiência e gestão," atirou, referindo-se à categoria totalmente elétrica.
Apesar das críticas, Verstappen admitiu que aprecia o aspeto dos novos carros.
"Sinceramente, acho que as proporções do carro estão boas. Isso não é o problema. É tudo o resto que, para mim, é um pouco anti-corrida", vincou.
Verstappen moderou as críticas quando falou dos engenheiros e designers que tiveram de se adaptar às novas regras.

Unidades motrizes próprias
A Red Bull deixou de utilizar os motores Honda dos últimos anos e compete esta época, pela primeira vez, com unidades motrizes desenvolvidas na sua própria fábrica.
"Por outro lado, também sei o quanto se tem trabalhado nos bastidores, também do lado dos motores, por parte dos rapazes. Por isso, nem sempre é agradável dizer isto, mas também quero ser realista enquanto piloto", afirmou.
Na quarta-feira, o heptacampeão Lewis Hamilton também entrou no debate, exigindo que a FIA, entidade máxima do desporto, resolvesse as diferentes interpretações do novo regulamento para garantir que as 11 equipas arrancam "em igualdade de circunstâncias".
Em pista, esta quinta-feira, Charles Leclerc foi o mais rápido ao volante do seu Ferrari, completando 128 voltas.
O campeão do mundo Lando Norris, que tinha sido o mais veloz na quarta-feira, ficou logo atrás depois de levar o seu McLaren a percorrer 139 voltas, enquanto George Russell registou o terceiro melhor tempo com o seu Mercedes.
