Ou, como se costuma dizer, se não consegues vencê-los, junta-te a eles. As duas esquiadoras alpinas, uma sueca e a outra norueguesa, fizeram exatamente o mesmo tempo na primeira manga do slalom gigante feminino.
Depois, repetiram o feito na segunda manga, partilhando assim a medalha de prata atrás da italiana e dupla campeã olímpica Federica Brignone.
Quais as probabilidades de tal acontecer? Um pouco melhores do que as de ganhar na lotaria: "Uma em um milhão", afirmou Hector, campeã olímpica em Pequim 2022.
As duas tiveram de partilhar o lugar de liderança na zona de chegada com a ítalo-albanesa Lara Colturi, que compete pela Albânia, após um empate a três no topo da primeira manga, até Brignone descer e pulverizar o tempo delas.
Na segunda manga, voltaram a estar lado a lado, à espera que Brignone as ultrapassasse.
"Lembro-me de a Sara me perguntar depois da segunda manga 'sentiste-te tão mal como eu?'", contou Stjernesund, sorridente: "E eu disse, sim. Por isso, acho que não só esquiámos da mesma forma, como também partilhámos as mesmas sensações enquanto descíamos. De certa forma, foi divertido, porque parecia que estávamos as duas contra as restantes."
Hector afirmou que foi especial partilhar a prata, e as duas voltaram a estar juntas na cerimónia de entrega das medalhas, ajoelhando-se lado a lado na neve, numa reverência exagerada a Brignone, a rainha da brilhante pista Olimpia delle Tofane.
"Ganhamos juntas, sem dúvida", disse Hector: "É como se costuma dizer, os sentimentos são melhores quando são partilhados."
A Suécia e a Noruega contam agora com uma medalha cada na tabela do esqui alpino. No esqui de fundo, onde a rivalidade é ainda mais intensa, os dois países arrecadaram a maioria das medalhas, com vantagem para os noruegueses graças ao domínio nas provas masculinas.
"No esqui alpino, há muito companheirismo, o ambiente aqui é realmente agradável", afirmou Hector.
