Jogos Olímpicos de Inverno: Lucas Pinheiro Braathen conquista histórico primeiro ouro para o Brasil

Lucas Pinheiro Braathen num momento histórico
Lucas Pinheiro Braathen num momento históricoREUTERS/Gintare Karpaviciute

Imperial na primeira manga, Lucas Pinheiro Braathen resistiu à pressão de Marco Odermatt na segunda descida e venceu o gigante, oferecendo ao Brasil a sua primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Chegou a vez do gigante masculino, com um grande favorito à partida: Marco Odermatt. Detentor do título e vencedor por quatro vezes da Taça do Mundo, o suíço foi, no entanto, superado por Franjo von Allmen e só tinha uma medalha de bronze nestes Jogos. Isto abriu o apetite aos seus adversários, entre os quais dois franceses ambiciosos, Léo Anguenot e Alban Elezi Cannaferina, ambos já com pódios esta época na Taça do Mundo.

O dorsal n.º 1 pertencia a Lucas Pinheiro Braathen. E o brasileiro soube tirar o máximo partido desse privilégio, realizando uma primeira manga absolutamente fulgurante. Rápido e preciso, dominou o percurso exigente e conquistou uma vantagem decisiva. Foi simples: só Marco Odermatt conseguiu ficar abaixo do segundo! Assim, a segunda manga podia ser encarada com tranquilidade.

Do lado francês, resultados distintos. Com o dorsal 10, Léo Anguenot seguiu o ritmo dos outros favoritos e, sem cometer grandes erros, garantiu um interessante quinto lugar, a apenas 34 centésimos do pódio provisório. Para Alban Elezi Cannaferina, pelo contrário, a prova foi um fracasso: quase 5 segundos de atraso e o fim das esperanças de um bom resultado.

História escrita por Braathen

Entre as desilusões da primeira manga, o campeão do mundo em título Raphael Haaser realizou uma segunda descida bem mais sólida, que lhe permitiu recuperar algumas posições. Mas foi Alexander Schmid quem mais se destacou entre os primeiros a descer, parecendo lançado para uma grande recuperação. Até que Joan Verdu assumiu a liderança, antes de Marco Schwarz o superar por um centésimo.

O duplo medalhado mundial manteve-se durante muito tempo no hot seat. Garantiu um lugar no top 10, enquanto as eliminações se sucediam. Nem o vice-campeão olímpico em título, Žan Kranjec, conseguiu segurar a sua grande vantagem. Acabou por ser Atle Lie McGrath, oitavo na primeira manga, a desalojá-lo após uma descida exemplar e controlada.

O norueguês ainda liderava quando Léo Anguenot arrancou. Seguro nos apoios, o francês arriscou tudo para ganhar velocidade e manteve-se na frente nos pontos intermédios. No entanto, perdeu algum ritmo na parte final, precisamente onde o seu rival tinha sido brilhante, e cortou a meta na segunda posição, a 17 centésimos. A medalha parecia ter escapado.

Seguiu-se o quarto de hora suíço: Thomas Tumler assumiu a liderança, depois Loïc Meillard elevou ainda mais o nível e manteve-se à frente do compatriota, assegurando a medalha. Chegou então a vez de Marco Odermatt, e o detentor do título fez uma descida absolutamente impressionante, aumentando a sua vantagem. Mas não foi suficiente para ultrapassar Lucas Pinheiro Braathen, que tinha uma margem demasiado confortável. E que acabaria por escrever uma página de história: o primeiro título do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno.