Direção do Boavista confirma ter falhado pagamento aos credores

Boavista tem encerramento da atividade à vista
Boavista tem encerramento da atividade à vistaBoavista FC

A direção do Boavista reagiu esta terça-feira, em comunicado, ao facto de ter falhado o depósito de 149.680 euros na conta da massa insolvente dos credores do clube, arriscando-se a ter a sua atividade encerrada de forma imediata.

"A Direção do Boavista Futebol Clube informa que não foi possível efetuar, dentro do prazo fixado pelo Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, o depósito do montante de 149.680 euros na conta da massa insolvente", começou por referir a direção do Boavista, na nota oficial.

"A situação financeira herdada é amplamente conhecida. Desde o início do mandato, a Direção tem estado totalmente empenhada na defesa dos interesses do clube e na procura de soluções que garantam a sua continuidade. A situação atual, embora grave, é reversível podendo evitar o encerramento definitivo do Boavista Futebol Clube. A Direção encontra-se a trabalhar ativamente para concluir as negociações com investidores interessados no projeto do Boavista Futebol Clube, bem como em contacto permanente com entidades públicas e desportivas, com o objetivo de assegurar a sustentabilidade económica e desportiva do clube a médio e longo prazo", acrescentou na mesma nota.

"Neste contexto exigente, a Direção apela à união de sócios e simpatizantes, reforçando a importância do apoio contínuo ao Boavista Futebol Clube", concluiu a direção do emblema axadrezado.

Recorde-se que, depois de ter depositado 55.000 euros em 22 de dezembro de 2025, correspondentes às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96.000 euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.

Em caso de incumprimento das panteras, Maria Clarisse Barros pode ordenar o encerramento imediato da atividade do clube portuense, com efeitos 15 dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores.

Em 16 de dezembro, o Boavista tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, com a direção presidida por Rui Garrido Pereira a afirmar estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, na tentativa de efetivar um plano de recuperação financeira que assegurasse o futuro do clube, sem equipa de futebol sénior há dois meses e meio.

A proposta apresentada pelo clube foi aceite em assembleia de credores, no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, e permitiu que a instituição continuasse em atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.

Dois dias depois, o Boavista lançou uma campanha pública de angariação de fundos, com quatro formas de participação, dos 40 aos 40.000 euros, que ajudou a liquidar em tempo útil a tranche referente ao mês passado.

A administradora de insolvência do Boavista já tinha solicitado há dois meses ao tribunal o encerramento da atividade do clube - cuja liquidação foi aprovada em setembro -, por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com o consequente acumular das dívidas.

O clube detém 10% do capital social da SAD, que deveria disputar a Liga 2 em 2025/26, mas deixou de ter uma equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, no qual é 18.ª e última colocada, estando a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado desde maio.

O clube inscreveu-se na quarta e última divisão distrital, mas, uma vez que está solidário com as dívidas da SAD, que contabiliza sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, abdicou de competir em outubro, sem ter disputado qualquer partida esta época.

A SAD, liderada pelo senegalês Fary Faye, tem alinhado com antigos e atuais jogadores da respetiva equipa de sub-19, integrada na 2.ª Divisão nacional desse escalão, e ainda não desbloqueou as restrições da FIFA, que vigoraram em anos anteriores e reapareceram em março, impossibilitando, para já, a utilização dos reforços oficializados durante o verão.

O clube tinha lançado no verão uma equipa sénior independente da SAD, afetada pela ausência de pressupostos financeiros aquando do licenciamento para as competições nacionais e cujo direito de apresentar um plano de recuperação foi aprovado por maioria pelos credores, que votaram por unanimidade a continuidade da atividade daquela sociedade.

Despromovido à Liga 2 em maio, após ter fechado a edição 2024/25 da Liga Portugal no 18.º e último lugar, o Boavista concluiu um trajeto de 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título vencido em 2000/01.