“Não vamos esconder que temos ambições de lutar por medalhas em algumas provas, pois temos cá atletas experientes, alguns a defender o título europeu. Depois, temos um conjunto alargado de elementos mais novos, muitos estreantes, ainda juniores em 2025, em que o objetivo é o de ganharem experiência competitiva, em Portugal, junto ao seu público, aos que lhes são mais próximos, a lutar entre os melhores do mundo”, explicou Ricardo Machado.
Em declarações à Lusa, o dirigente comentava as perspetivas para os Europeus que juntam cerca de 600 canoístas de 39 países, e nos quais Portugal defende os títulos europeus em K1 1.000 e K4 500 metros, nas distâncias olímpicas, e VL2 200 metros, nas paralímpicas.
Ricardo Machado deseja ter o máximo de atletas no pódio, ainda assim “sem pressão”, recordando que “ninguém” mais do que os canoístas deseja conquistar uma medalha, sobretudo em Portugal, diante dos que lhes são próximos.
“Trabalham para isso e será o seu objetivo, porém, não conseguindo, não será frustração, embora, obviamente, não fiquem satisfeitos. Recordo que este é um evento muito competitivo e a canoagem europeia representa em grande parte do poderio mundial”, elucidou.
O presidente da FPC prefere “não fazer promessas”, contudo recorda que a canoagem portuguesa tem habituado os amantes da modalidade a “estar nos lugares da frente”, algo que, confia, “vai acontecer novamente”.
Com a alteração do sistema de apuramento para os Jogos Olímpicos, com a introdução de um ranking de qualificação ao invés dos resultados num só Mundial, qualquer desempenho de mérito é valioso para somar pontos, até ao final de 2027.
O dirigente destacou ainda a importância de Portugal organizar uma competição desta envergadura, não só pelo “reconhecimento internacional à capacidade organizativa da FPC”, mas também por questão financeiras, já que a seleção poupa dinheiro com as deslocações e pode, ainda, apresentar uma equipa mais numerosa.
“Temos esses dois objetivos: dar a conhecer a modalidade, dar-lhe destaque mediático com bons resultados, mas também o facto de nos permitir, por exemplo, apresentar uma equipa de 26 atletas, numero impensável se fosse fora do país. Assim, conseguimos dar maior experiência internacional a mais canoístas”, vincou.
Depois da tempestade Kristin ter danificado seriamente o Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho, submergindo-o – à exceção da parte de cima da torre de controlo -, Ricardo Machado destaca o trabalho das várias entidades que permitiram a recuperação, ainda não total, da infraestrutura para receber uma competição do mais alto nível de exigência.
“Ainda temos alguns trabalhos de última hora até à cerimónia de abertura, na quarta-feira. Quanto aos principais pontos necessários para a realização dos Europeus com condições mínimas, estão concluídos. Acreditamos que vamos ter um grande evento, garantindo a qualidade a que temos habituado nas competições promovidas pela canoagem em Portugal”, concluiu.
Os Europeus de Montemor-o-Velho juntam cerca de 600 desportistas de 39 países, num evento que mobiliza perto de um milhar de pessoas, contando com a organização e demais agentes desportivos.
