A primeira paragem de Baptista na Europa foi em Sevilha, em 2003, onde começou por atuar como médio.
Sob o comando do treinador Joaquin Caparros, tornou-se "A Besta", ao marcar 38 golos em 68 jogos, antes de se transferir para o Real Madrid no final da era dos Galáticos.
Em Madrid, teve menos oportunidades de jogo e, com uma passagem pelo Arsenal pelo meio, não conseguiu repetir o rendimento que lhe valeu a transferência.
Ainda assim, Júlio Baptista protagonizou momentos de grande qualidade e foi internacional pelo Brasil em 47 ocasiões ao longo da carreira.
Ao recordar o seu tempo em Espanha, considera que o passo dado no Sevilha foi fundamental para lidar com a pressão do Real Madrid, algo que jogadores como Vinicius Junior, Rodrygo e, mais recentemente, Endrick, não tiveram.

Em entrevista exclusiva ao Flashscore, afirmou: “Para mim, foi mais fácil chegar um passo atrás, um clube atrás. Naquela altura, tive mais tempo para aprender a língua e conhecer o país. Tudo é diferente, vens de um país e é tudo muito diferente".
"O futebol que praticamos no Brasil é diferente. É muito físico, é diferente. Aqui (em Espanha), é tão tático que o jogador tem de aprender tudo sobre isso. Precisas de tempo, mas em Madrid não tens tempo. Para mim, é melhor começar noutro clube e depois ir para Madrid, porque chegas preparado, pois a pressão é enorme".
"Acredito que, quando és tão jovem, não consegues gerir bem este tipo de pressão, tudo o que acontece num clube grande".
Baptista acompanha de perto os seus compatriotas, que agora jogam no mesmo relvado onde atuou há quase 20 anos. Enquanto Vinicius e Rodrygo procuram recuperar a época do Real sob o comando de Alvaro Arbeloa, Endrick foi emprestado ao Lyon para ganhar ritmo antes do Mundial.
Sobre o jovem avançado, Baptista acrescentou: “Para mim, quero ver um pouco mais dele no Real Madrid porque é um jogador muito, muito bom. Sabemos que no Real Madrid não tem espaço para jogar – tens o Mbappé, o Vinicius e o Rodrygo, mas ele é um jogador incrível. Pode fazer um trabalho extraordinário no Lyon e pode regressar e mostrar o talento que tem, porque tem um talento incrível".
O sonho de mais um título mundial está na mente da maioria dos brasileiros a poucos meses do torneio. Para o antigo internacional, não é diferente.
Com o novo selecionador Ancelotti ao comando, Júlio Baptista acredita que pode trazer sucesso à seleção – algo que ele próprio não conseguiu alcançar no maior palco com o Brasil.
Questionado se o Brasil pode levantar o troféu do Mundial em julho, explicou: “Não sei o que se passa, mas penso que todo o país acredita que, se há um treinador capaz de o conseguir, é ele. Tem experiência, tem experiência com os jogadores e penso que pode influenciar os jogadores a acreditarem que podem fazê-lo. Por isso, porque não?”.
Com a lista de clubes por onde passou, trabalhar com treinadores lendários faz parte do percurso. Baptista esteve uma época emprestado ao Arsenal na Premier League, sob a orientação de Arsène Wenger, algo que deixou marca no brasileiro.
"Acredito que temos o mesmo carácter porque ele é muito, muito calmo. …Vê primeiro a pessoa, porque quando consegues ver a pessoa antes, resolves o jogador, porque tens a pessoa por trás do jogador".
“O Wenger era uma pessoa incrível, um treinador extraordinário, um estratega notável. Aprendi muito com ele e deu-me muito quando cheguei ao Arsenal. Tenho enorme respeito por ele, porque quando cheguei ao Arsenal havia jogadores incríveis no plantel e ele mostrou-me algo que nunca pensei conseguir fazer".
"Foi numa sessão quando vim de Madrid e, no primeiro dia, sentou-se comigo no seu gabinete, foi ao quadro e perguntou-me: ‘Júlio, quais achas que são as tuas melhores posições para jogar connosco?’".

"Para mim, foi um pouco surpreendente, porque não esperava a pergunta. Respondi que a posição que mais gostava era atrás do avançado, e ele confirmou, disse-me que também acreditava que era essa".
“Se melhorares a tua força, tens um jogo incrível quando rompes as linhas, tens poder para romper as linhas, os jogadores param para ti. Acredito que esta é uma posição muito boa. Para mim, ele é um treinador de topo e uma pessoa excecional".
Nessa época de 2006/07, Baptista jogou 35 vezes e marcou 10 golos pelos Gunners, equipa que continua a acompanhar atualmente.
Ao contrário do seu tempo no clube, agora têm uma verdadeira oportunidade de conquistar títulos esta época, com, à data desta entrevista, uma vantagem de seis pontos no topo da Premier League.
Depois de ter passado pela experiência de treinador após terminar a carreira de jogador, Júlio Baptista compreende bem o excelente trabalho que o atual treinador Mikel Arteta tem feito para transformar a sorte do clube do norte de Londres dentro das quatro linhas.
“Acredito que tem feito um trabalho extraordinário no Arsenal”, afirmou com entusiasmo.
“Muitas vezes, falta-lhes um pouco, perdem a possibilidade de vencer a Premier League, por isso espero que sim. Ele merece, porque é um treinador incrível e tem feito um trabalho notável com os jogadores, e espero poder visitá-lo".

Apesar de não ter conquistado troféus no Emirates Stadium, venceu a LaLiga pelo Real um ano depois, em 2008. Teve um papel fundamental nessa campanha vitoriosa, ao marcar um golo de que os adeptos dos merengues ainda falam hoje – o golo da vitória no Nou Camp, frente ao Barcelona, no El Clásico – algo que, na altura, só tinham conseguido uma vez em 24 anos.
Ao recordar esse momento incrível, disse: “Já passaram mais de 15 anos e as pessoas continuam a lembrar-se desse golo. Acredito que, quando marcas um golo ao Barcelona, que é a equipa mais difícil de defrontar, conquistas o coração dos adeptos".
"Para mim, sinto-me muito afortunado, porque preparámos toda a semana para fazer um bom jogo, por isso, nesse jogo, lembro-me de ter conseguido marcar esse golo, e para mim foi inacreditável".
