Feito histórico: brasileiro percorre 188 km em 24 horas numa passadeira e bate recorde mundial

Pepe Fiamoncini em prova de superação
Pepe Fiamoncini em prova de superaçãoIVAN PISARENKO / AFP

Tudo começou com uma pergunta durante os meses de confinamento devido à pandemia de coronavírus: "Até onde consigo chegar?". O multiatleta brasileiro Pepe Fiamoncini alcançou esta quinta-feira um recorde curioso, ao percorrer 188 quilómetros em 24 horas numa passadeira.

"10! 9! 8! 7!...", uma animada contagem decrescente marcou o final do desafio de Fiamoncini num ginásio ao ar livre em frente à praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, às 13:00 de quinta-feira. Ele ergueu os braços em sinal de vitória.

Tinha iniciado a sua corrida, equivalente a mais de quatro maratonas, na manhã anterior.

"Defino-me com uma palavra: curioso. Tenho curiosidade pelas minhas capacidades", afirmou Fiamoncini à AFP.

"Por incrível que pareça, comecei no desporto, a 100%, durante a pandemia. Fechado num apartamento, comecei a treinar e inscrevi-me num Iron Man", contou este multiatleta, um "paulista com alma carioca".

"O Ironman, para mim, era o auge da minha capacidade: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. Quando terminei, disse para mim: 'E agora?'. Descobri o Ultraman, triatlo com o dobro das distâncias. Quando terminei, voltei a perguntar: 'E agora?'".

Agora vai inscrever o seu nome, novamente, no Livro dos recordes do Guinness, assim que a organização validar a marca após ter acompanhado a prova em vídeo ao vivo e analisado informações de testemunhas.

"O mais aborrecido? Uma passadeira!"

Depois dos seus Ironman e Ultraman, Fiamoncini, contabilista e administrador totalmente dedicado aos seus desafios desportivos, começou a consultar os registos do Guinness, enquanto se apaixonava por "um lugar mágico": o Salar de Uyuni, na Bolívia.

Em maio de 2023, atravessou a trote os 170 quilómetros do salar em 33 horas, quatro minutos e 10 segundos, enfrentando condições duras: 3.600 metros acima do nível do mar e temperaturas desérticas entre 30 ºC durante o dia e -10 ºC à noite.

Foi o seu primeiro recorde. O registo anterior era de 55 horas.

"Toda a minha equipa estava com o nariz a sangrar (por causa da altitude e do ar seco). Imagina: estás num deserto, só vês o horizonte e o teu pessoal com o nariz a sangrar, um pouco (como na série) The Walking Dead", brincou.

Já tinha completado então a icónica prova de natação Leme ao Pontal, 36 quilómetros em mar aberto, no Rio.

"Disse para mim: 'O físico aguenta; agora é a cabeça. O que é o mais aborrecido e que detesto?'". A sua resposta: uma passadeira num ginásio.

"Correr sem parar no mesmo sítio, não é?", atirou.

Em outubro do ano passado, na passadeira, estabeleceu o seu segundo recorde: 110 quilómetros em 12 horas, prelúdio das 24 horas, o seu terceiro, durante o qual fez pequenas pausas para ir à casa de banho ou trocar de sapatos.

E não pensa parar.

Tem em vista, entre outros desafios, o Badwater, considerado o ultramaratona mais exigente do mundo, com 217 quilómetros de percurso no Vale da Morte, na Califórnia, em temperaturas extremas que chegam aos 50 ºC.


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