Feminino: Antigo dirigente do Altach condenado à prisão por filmar jogadoras no balneário

Ritmann (esq.), defesa da seleção suíça, foi uma das vítimas
Ritmann (esq.), defesa da seleção suíça, foi uma das vítimasJust Pictures / ddp USA / Profimedia

Um antigo dirigente do Altach, clube austríaco, foi considerado culpado de filmar e fotografar secretamente jogadoras da equipa feminina em balneários, ginásios e zonas de duche.

O tribunal regional de Feldkirch condenou esta semana o ex-funcionário a uma pena de sete meses de prisão, com execução suspensa, além de uma multa de 1.200 euros e do pagamento de uma indemnização de 625 euros a cada uma das vítimas.

O homem, que também foi árbitro de elite na Suíça, trabalhou no Altach entre 2020 e 2025. Durante esse período, terá registado imagens de cerca de 30 atletas, incluindo menores de idade.

Reações e revolta

A defesa-central suíça Eleni Rittmann, que representou o Altach antes de se transferir para o Evian, de França, recorreu às redes sociais para expressar o seu choque: “Isto deixa-me sem palavras. Pergunto-me se esta punição serve de dissuasão para outros. Sentíamo-nos seguras no nosso balneário e isto feriu a nossa privacidade de tal forma que algumas de nós ainda hoje não se sentem seguras em chuveiros públicos”, afirmou a internacional suíça.

Em tribunal, as vítimas descreveram o sentimento de traição: “Durante anos, disse-nos que o balneário era a nossa casa, mas essa casa foi destruída por alguém que pensávamos fazer parte da nossa família.”

A ministra do Desporto da Áustria, Michaela Schmidt, também se pronunciou, classificando os crimes como “repugnantes”.

A defesa alegou que as imagens não foram partilhadas com terceiros e que o material já foi apreendido e destruído. Por sua vez, o Altach afirmou estar a trabalhar com a Federação Austríaca para implementar novas medidas de segurança e protocolos de proteção para as jogadoras profissionais, que deverão ser apresentados oficialmente em março.

O veredito desta semana não é definitivo, uma vez que o Ministério Público pondera recorrer da decisão por a considerar demasiado leve.