Fenómeno japonês Ami Nakai surpreende nos seus primeiros Jogos Olímpicos de Inverno: "Não tinha nada a perder"

Ami Nakai reage durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026
Ami Nakai reage durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026WANG Zhao / AFP

A japonesa Ami Nakai assumiu uma liderança inesperada após o programa curto na competição feminina de patinagem artística dos Jogos Olímpicos em Milão, superando um grupo que apresentou uma série de exibições de grande qualidade.

A jovem de 17 anos aterrou um triplo Axel numa atuação cheia de energia e alcançou o melhor registo da época, 78,71, na sua estreia olímpica.

A tricampeã mundial Kaori Sakamoto ficou na segunda posição com 77,23, enquanto a norte-americana Alysa Liu somou 76,59 e ocupa o terceiro lugar antes do programa livre de quinta-feira, que vai decidir as medalhas.

"Não estava nada nervosa, por isso consegui atuar como costumo e destacar-me", afirmou Nakai aos jornalistas.

"Sendo esta a minha primeira participação nos Jogos Olímpicos, não tinha nada a perder, e essa mentalidade refletiu-se claramente nos meus resultados", acrescentou.

Nakai revelou que se inspirou nos campeões japoneses de pares, Riku Miura e Ryuichi Kihara, que recuperaram do quinto lugar no programa curto para conquistar o ouro na segunda-feira.

"Fiquei profundamente emocionada com a atuação dos pares ontem, e isso fez-me perceber o quão importante é nunca desistir até ao fim", referiu.

Sakamoto, que procura terminar a sua última campanha olímpica com uma medalha de ouro, recorreu à sua experiência perante uma plateia esgotada na Arena de Patinagem no Gelo de Milão, apresentando uma rotina serena e refinada ao som de "Time To Say Goodbye."

"Queria ser eu própria, como sempre, e senti algum nervosismo, mas consegui controlá-lo", disse Sakamoto, medalha de bronze em Pequim-2022.

"Na primeira metade, estava um pouco ansiosa. Mas à medida que a música avançava, senti-me muito mais à vontade e consegui realmente desfrutar da minha atuação hoje", explicou.

Liu, campeã mundial em título e a competir nos seus segundos Jogos Olímpicos, saiu do gelo a sorrir após uma exibição confiante e tecnicamente limpa.

A norte-americana, que se retirou em 2022 aos 16 anos antes de regressar à competição com uma nova perspetiva, não sentiu o peso das expectativas esta terça-feira.

"Uma medalha? Não preciso de uma medalha", afirmou aos jornalistas.

"Só preciso de estar aqui, de estar presente, e de mostrar às pessoas o que vou fazer a seguir", concluiu.