Flashback: O dia em que o Imperador Adriano conquistou San Siro e se tornou imortal

Juán Sebastian Verón felicita Adriano após o seu incrível golo frente à Udinese
Juán Sebastian Verón felicita Adriano após o seu incrível golo frente à UdinesePACO SERINELLI / AFP

Dois golos nos primeiros minutos, pura potência e uma corrida lendária: o Inter-Udinese 2004 permanece como o manifesto do avançado total no auge absoluto da sua carreira.

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No dia 17 de outubro de 2004, San Siro assiste a uma daquelas tardes destinadas a ficar gravadas na memória coletiva dos adeptos nerazzurri. É o dia em que Adriano, no ponto mais alto da sua carreira, torna-se simplesmente imparável. Como se diria hoje, impossível de travar.

Um avançado completo, capaz de aliar uma força física devastadora a uma qualidade técnica fora do comum. Nesses meses, vê-lo a jogar era reviver sensações que inevitavelmente faziam recordar Ronaldo, o Fenómeno: a mesma impotência no olhar dos defesas, a mesma certeza de que, uma vez lançado, nada o conseguiria travar.

Do Bernabéu a San Siro

Era uma tarde de outono soalheira no Meazza quando, em apenas onze minutos, se desenrola o espetáculo do Imperador. O primeiro aviso surge num livre direto a mais de 30 metros: um remate violentíssimo, o pé esquerdo a silvar no ar e a bola a entrar na baliza com a mesma ferocidade daquele míssil com que, três anos antes, se tinha apresentado no Inter, frente ao Real Madrid, no Bernabéu. Uma marca registada que San Siro reconhece como uma assinatura inconfundível.

Mas é o segundo golo que transforma a tarde em lenda. Adriano arranca do seu próprio meio-campo e inicia uma cavalgada de cerca de 60 metros que parece um ato de pura autoridade futebolística. Ultrapassa um adversário, depois outro, e ainda um terceiro, deixando para trás uma defesa completamente desfeita. Chegado à entrada da área, cruza o remate de pé esquerdo e marca aquele que, ainda hoje, é recordado como o golo símbolo da sua carreira, a imagem definitiva do Imperador no seu auge.

"Assim que recebi a bola, pensei logo em ir para a baliza. Vi que estavam três adversários. O primeiro ultrapassei-o de imediato, enquanto os outros dois já estavam perto da área. Nesse momento, rematei cruzado e a bola entrou na baliza".

O resto do jogo passa quase para segundo plano. A Udinese ainda tenta voltar à discussão na segunda parte, antes de o Inter fechar definitivamente as contas, fixando o resultado final em 3-1. Mas o resultado acaba por ser secundário.

O que realmente fica do Inter-Udinese é a memória de um Adriano dominante, irresistível, capaz em poucos minutos de mostrar todo o seu repertório e de gravar o seu nome na história nerazzurra. Um flashback que conta não só um jogo, mas a essência de um dos maiores talentos que o futebol não teve a sorte de poder desfrutar até ao fim. Mas essa já é outra história.