Da famosa academia do Bayern Munique ao futebol sénior por toda a Europa, o defesa nascido na Alemanha construiu o seu caminho com paciência e encontra-se agora de regresso à Bundesliga, a perseguir novos sonhos com o Union Berlim.
Depois de passagens por França e Turquia, incluindo uma estadia de destaque no Galatasaray, Kohn regressou à Alemanha para se juntar ao Union Berlim, um clube que redefiniu o conceito de ambição no futebol alemão moderno.
O Union disputou a Liga dos Campeões há duas épocas e ocupa atualmente o oitavo lugar na Bundesliga, lutando novamente por um lugar nas competições europeias. Para Kohn, o sonho é voltar a jogar entre a elite europeia.
“Estou muito feliz no Union”, disse Kohn ao Flashscore numa entrevista exclusiva: "Espero que façamos uma boa época. O meu sonho com o Union é jogar na Europa com eles. Acho que estamos no bom caminho e vamos tentar.”
Apesar de o percurso do Union já incluir noites inesquecíveis na Liga dos Campeões, Kohn está determinado a fazer parte do próximo capítulo.
“Primeiro, é uma pausa, mas em janeiro podemos continuar até maio e espero que no final da época consigamos jogar na Europa,” acrescentou: “Eles já jogaram a Liga dos Campeões, alguns colegas já me disseram que foi uma grande noite e uma experiência fantástica. Claro que um dia gostava que voltássemos a jogar a Liga dos Campeões com o Union Berlim.”
Rivalidade com o Bayern
Disputar lugares europeus na Alemanha significa inevitavelmente cruzar-se com o Bayern Munique, a força dominante do país há mais de uma década.
O Union voltou a provar esta época que não é um adversário fácil, ao empatar 2-2 com o Bayern num jogo dramático, tirando aos campeões os primeiros pontos da temporada. Kohn acredita que jogos como este evidenciam a exigência da Bundesliga.

“A Bundesliga tem um nível muito alto. É preciso estar concentrado. A cada minuto, a cada segundo, tudo pode acontecer. Há jogadores de grande qualidade, claro, o Bayern é uma das melhores equipas da Alemanha. Têm jogadores muito bons em todas as posições,” explicou: “Tentámos vencer o Bayern. Contra nós foi mesmo renhido. Empatámos 2-2 no campeonato. Acho que o Bayern não gosta de jogar contra nós. Mas o Bayern, obviamente, é muito forte. Temos de reconhecer que na Alemanha são o melhor clube. Todos tentam vencê-los. É difícil, mas espero que um dia outro clube consiga destroná-los.”
Da academia do Bayern a ver estrelas a emergir
Kohn conhece o ambiente do Bayern como poucos. Formou-se no sistema de formação do clube e jogou pelo Bayern II, partilhando balneário com jogadores que hoje são estrelas mundiais, como Alphonso Davies e Jamal Musiala.
“Joguei com eles e agora desejo-lhes tudo de bom. Estão no auge das suas carreiras”, afirmou Kohn: “Gosto de ver o Jamal. Também joguei com ele no Bayern. Era mesmo pequeno e magro. Agora é um dos melhores do mundo. Tenho muito orgulho nele. O Alphonso Davies também, veio do Canadá ainda jovem. Agora é um homem que mostrou à Alemanha e ao mundo quem é. Tenho muito orgulho nestes dois.”
Durante os anos no Bayern, Kohn também teve a oportunidade de treinar com a equipa principal e houve um jogador que se destacou acima de todos.
“Treinei algumas vezes com a equipa principal e o Thiago Alcântara era absolutamente incrível para mim. A sua técnica, o primeiro toque, tudo nele é extraordinário. Nunca vi nada assim. Nem tenho palavras. É mesmo muito bom. Para mim, é o Thiago Alcântara, sem dúvida.”
Lições internacionais de formação e futuras estrelas
As exibições de Kohn nos escalões jovens valeram-lhe uma chamada à seleção sub-19 da Alemanha, onde fez uma assistência na estreia. Um dos colegas dessa altura, que se tornou um dos centrais mais cobiçados da Europa, é Nico Schlotterbeck, do Borussia Dortmund.
“Schlotterbeck, joguei com ele nos sub-19 da Alemanha”, recordou Kohn: “Via-se logo que ia chegar longe. Era muito profissional, fazia treinos extra, alimentava-se bem, tudo. É por isso que está onde está agora. Acho que é um bom exemplo para os mais novos e também para alguns profissionais.”
Apontar ao Mundial
Apesar de ter representado a Alemanha nos escalões jovens, Kohn nunca chegou à seleção principal. Optou por jogar pelo Gana, abraçando as suas raízes e com o objetivo bem definido de estar presente no Mundial-2026.
Os Black Stars têm um grupo complicado, com Inglaterra, Croácia e Panamá, mas Kohn mantém-se confiante.
“É difícil. Não só a Inglaterra, o Panamá também não é fraco. Temos de os levar a sério. Acho que é no primeiro jogo que temos de conquistar os três pontos e, com essa energia, entrar depois contra a Inglaterra. Mas queremos vencer todos. É esta a nossa mentalidade. Vai ser uma grande batalha defrontar o Saka. Claro que há grandes jogadores como o Kane e o Bellingham, mas vamos dar o nosso melhor. A Inglaterra vai ter um adversário difícil para nos vencer.”
A viver na Alemanha, Kohn tem acompanhado de perto a forma como Thomas Tuchel transformou a seleção inglesa.
“O Thomas Tuchel é um treinador muito bom. Na Alemanha, é sem dúvida dos melhores”, afirmou: “Acho que com a Inglaterra fez um trabalho incrível. Estão muito fortes. Mas é preciso estar muito bem preparado contra esta seleção.”
Galatasaray, estrelas mundiais e metas pessoais
Antes de regressar à Alemanha, Kohn viveu a experiência de jogar no Galatasaray, um balneário repleto de talento de topo.
“Sempre foi um sonho jogar com jogadores assim. Nos primeiros dias, pensei: ‘Ok, Derrick, acorda’, mas era mesmo realidade. Jogadores como o Dries Mertens, Zaha, Ziyech… ensinaram-me muito. Aprendi imenso.”
Wilfried Zaha, em particular, tornou-se um amigo próximo e Kohn acredita que ele vai brilhar na Taça das Nações Africanas.
“O Zaha tem uma técnica incrível. Fez uma grande época no Crystal Palace, na Premier League. É como um irmão mais velho para mim. Continuo em contacto com ele. Agora está com a Costa do Marfim no CAN e desejo-lhe tudo de bom.”
Quando questionado sobre quem é atualmente o melhor lateral-esquerdo do mundo, Kohn não hesitou.
“Gosto muito do Nuno Mendes, é o melhor lateral-esquerdo do mundo”, disse: “Acho que é um lateral-esquerdo de grande qualidade.”
Quanto a quem influenciou o seu próprio estilo de jogo, a resposta está ligada a Munique.
“David Alaba,” destacou Kohn: “Como joguei no Bayern e ele estava na equipa principal, estava sempre atento a ele. O Marcelo também era muito bom, claro, mas penso que o meu estilo de jogo se aproxima mais do Alaba, com os cruzamentos, os remates, os livres e os cantos. Um dia, espero estar ao mesmo nível do Alaba.”
Para Derrick Kohn, essa ambição, tal como os sonhos europeus do Union Berlim e as esperanças do Gana no Mundial, mantém-se bem viva.

