Um número recorde de 48 seleções – mais 16 do que em 2022 – e milhões de adeptos vão rumar aos Estados Unidos, Canadá e México para o primeiro Mundial partilhado por três países.
O maior espetáculo de futebol do planeta arranca a 11 de junho no Estádio Azteca, na Cidade do México, e termina quase seis semanas depois, a 19 de julho, no MetLife Stadium, com capacidade para 82 500 pessoas, nos arredores de Nova Iorque.
Ao todo, vão disputar-se 104 jogos em 16 estádios e quatro fusos horários, com a maioria das partidas a decorrer nos Estados Unidos, que vão receber 78 encontros.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, prevê com confiança um autêntico sucesso comercial para o torneio, que deverá gerar receitas recorde de 11 mil milhões de dólares, superando largamente os 7 mil milhões arrecadados no Mundial 2022, no Catar.
Infantino tem descrito repetidamente a dimensão do torneio de 2026 como equivalente a "104 Super Bowls", referindo-se a uma audiência televisiva global de milhares de milhões e a mais de 508 milhões de pedidos para cerca de sete milhões de bilhetes.
"A procura existe. Todos os jogos estão esgotados", afirmou Infantino no início deste mês.
No entanto, as receitas da FIFA também vão ser impulsionadas por uma política de bilhética que deverá afastar muitos adeptos. Grupos de adeptos de todo o mundo, como a Football Supporters Europe, acusaram a FIFA de uma "traição monumental" devido aos preços praticados.
Em resposta a essas críticas, a FIFA introduziu uma pequena quota de bilhetes a 60 dólares para grupos oficiais de adeptos.
Futebol político?
Para além dos números impressionantes, os maiores desafios do torneio poderão ser de natureza política.
As políticas internas e externas da administração Trump suscitaram preocupações quanto ao normal desenrolar do torneio.
As guerras comerciais, que envolveram os coanfitriões Canadá e México, as tensões com aliados europeus devido a ameaças de anexação da Gronelândia e o endurecimento das regras de imigração, que podem dificultar a deslocação de adeptos de algumas seleções aos Estados Unidos, lançaram uma sombra sobre os preparativos.
Apesar de os apelos ao boicote não terem ganho verdadeiro fôlego, a preparação para o torneio continua marcada por incerteza geopolítica.
Os ataques dos EUA e Israel ao Irão foram o mais recente foco de tensão, sendo que a seleção iraniana vai disputar os seus três jogos da fase de grupos em Los Angeles e Seattle.
"Tivemos uma reunião... e é prematuro comentar em detalhe, mas vamos acompanhar a evolução de todas as situações a nível mundial", afirmou no sábado o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom.
Entretanto, o endurecimento das regras de imigração por parte da administração Trump levou a restrições de visto para dezenas de países, incluindo quatro seleções qualificadas para o Mundial – Irão, Haiti, Senegal e Costa do Marfim.
A Casa Branca garante que isto não afetará os vistos de turismo e, por isso, os adeptos com bilhete poderão beneficiar de marcações de visto aceleradas.
Outro desafio logístico surgiu no México, onde o recente abate de um dos mais conhecidos barões da droga do país numa operação militar desencadeou uma vaga de instabilidade.
A violência crescente atingiu Guadalajara, a segunda maior cidade mexicana, que vai receber quatro jogos do Mundial.
Tanto Infantino como a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, garantiram que a recente instabilidade não irá afetar os jogos do Mundial no país.
"Muito tranquilo, está tudo bem", disse Infantino à AFP numa reunião na Colômbia na semana passada, quando questionado sobre o impacto da violência nos preparativos do México para o Mundial.
Messi para a despedida
Dentro das quatro linhas, o torneio enfrenta também os seus próprios desafios.
O novo formato alargado a 48 seleções faz com que a fase de grupos inicial perca grande parte do seu suspense.
As duas melhores equipas de cada um dos 12 grupos da primeira fase, juntamente com as oito melhores terceiras classificadas, vão apurar-se para a primeira ronda a eliminar, tornando muito improvável que alguma das seleções tradicionalmente favoritas seja eliminada logo à partida.
Quando a bola começar a rolar, todas as atenções vão estar voltadas para a campeã em título, Argentina, liderada mais uma vez por Lionel Messi, que vai celebrar o seu 39.º aniversário a 24 de junho, naquele que será o seu sexto – e quase de certeza último – Mundial da carreira.
As aspirações da Argentina em conquistar dois Mundiais consecutivos vão ser postas à prova pela campeã de 2018, França, e pela atual campeã europeia, Espanha.
Inglaterra, orientada pelo alemão Thomas Tuchel, vai tentar mais uma vez pôr fim a uma espera de 60 anos por um título de grande competição.
No outro extremo do leque de candidatos estarão algumas seleções que vão disputar o Mundial pela primeira vez, como Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Usbequistão.
