Semanas depois de Gianni Infantino, presidente da FIFA, ter alertado que os bilhetes disponibilizados nos sites de revenda poderiam vir acompanhados de preços exorbitantes, esses receios confirmaram-se na própria plataforma do futebol mundial.
Na quarta-feira, um lugar de "categoria três" – a secção mais alta das bancadas – para o jogo inaugural do torneio entre México e África do Sul, no Estádio Azteca da Cidade do México, a 11 de junho, estava anunciado por 5.324 dólares (cerca de 4.500 euros), comparando com o preço original de 895 dólares (753 euros).
Já um lugar de categoria três para a final do Mundial, a 19 de julho em East Rutherford, Nova Jérsia, estava a ser promovido por uns impressionantes 143.750 dólares (121 mil euros) – mais de 41 vezes o valor original de 3.450 dólares (2.900 euros). O bilhete mais barato disponível para a final no site de revenda estava anunciado por 9.775 dólares (8.200 euros).
Em alguns casos raros, no entanto, certos preços de bilhetes até diminuíram. Um bilhete para o jogo do grupo da Áustria frente à Jordânia, no Levi's Stadium na Califórnia, que recebeu o Super Bowl no domingo, está a ser vendido por 552 dólares (464 euros), apesar de ter custado 620 dólares (521 euros) ao comprador original.
Para adeptos de futebol de todo o mundo, alguns dos preços no site de revenda da FIFA confirmam aquilo contra o qual têm protestado desde o sorteio do torneio em dezembro.
"Estes preços exorbitantes, infelizmente, não me surpreendem. Refletem o que sabemos e contra o que lutamos: muitas pessoas compram para revender," afirmou Guillaume Aupretre, porta-voz do grupo de adeptos da seleção francesa Irresistibles Français, que conta com quase 2.500 membros.
"No fim, quem paga o preço? Os adeptos apaixonados, que acabam por receber propostas absurdas. Preferíamos que este benefício fosse para os verdadeiros adeptos que vêm apoiar a sua equipa, mas infelizmente não é o caso", vincou.
Apesar dos preços elevados, as vendas continuam a ser rápidas, refletindo a procura global que, segundo a FIFA, já gerou cerca de 500 milhões de pedidos de bilhetes.
Embora a plataforma de revenda beneficie do aval da FIFA, o organismo do futebol especifica nos seus termos de venda que atua apenas como intermediário – cobrando uma taxa de 15% – neste mercado entre adeptos, sendo os revendedores quem define os preços dos bilhetes.
"De modo geral, o modelo de preços adotado para o Mundial-2026 reflete a prática de mercado existente para grandes eventos de entretenimento e desporto nos nossos anfitriões diariamente, incluindo o futebol," afirmou a FIFA em comunicado.
"Isto também reflete o tratamento do mercado secundário de bilhetes, que tem uma abordagem legal distinta em relação a muitas outras partes do mundo. Estamos focados em garantir acesso justo ao nosso jogo tanto para adeptos atuais como para futuros", pode ler-se.
O mercado de revenda não é regulado nos Estados Unidos e no Canadá. No México, é proibido revender um bilhete acima do valor original, mas apenas quando o bilhete é comprado no México e em moeda local.
A bilhética tornou-se um dos temas mais controversos em torno do Mundial, com grupos de adeptos de todo o mundo, como a Football Supporters Europe, a acusar a FIFA de uma "traição monumental" devido aos preços. Isso levou a FIFA a introduzir uma pequena quota de bilhetes a 60 dólares (50 euros) para grupos oficiais de adeptos. Os críticos defendem que esta categoria de preço reduzido não resolve suficientemente o problema.
Entretanto, a FIFA tem vindo a informar os candidatos desde 5 de fevereiro se conseguiram bilhetes durante a segunda fase de vendas, que terminou em janeiro. Uma última fase de vendas "de última hora", de abril até ao fim da competição, será organizada com base no princípio "primeiro a chegar, primeiro a ser servido".
Durante estas fases de venda, a FIFA afirma aplicar "preços variáveis", em que os valores oscilam "consoante a procura e disponibilidade" para cada jogo.
No entanto, sublinha que não aplica "um modelo de preços dinâmico (...) dado que os preços não são ajustados automaticamente".
