Mundial-2026: Um plantel de brasileiros que pode defender outras nações nos Estados Unidos

Maurício pode defender o Paraguai
Maurício pode defender o ParaguaiCesar Greco/Palmeiras

Maurício, do Palmeiras, que conseguiu a nacionalização paraguaia, é o exemplo mais atual. Caso esteja na lista de convocados do técnico Gustavo Alfaro, o médio vai se juntar aos colegas de clube – Ramón Sosa e Gustavo Gómez – na Seleção Albirroja.

Não é o primeiro a tomar esta decisão para garantir uma oportunidade no Mundial. O caso do atleta palmeirense reacendeu o debate sobre atletas naturalizados atuando em outras seleções. 

Recentemente, em entrevista à Flashscore, o atacante brasileiro Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, falou sobre a possibilidade de obter a cidadania ucraniana para defender a seleção local no torneio mundial.

Mais seleções, mais oportunidades

Esses dois casos não são isolados. O Mundial-1990 abriu um portal que não se fechou mais: desde aquele ano, todas as edições seguintes contaram com pelo menos um atleta de origem brasileira a jogar por outra seleção.

A 20.ª edição do torneio vai ser a maior de todas porque, além de ser disputada em três países diferentes, a competição terá um recorde de participantes: 48. Com tantos concorrentes, a possibilidade de vermos brasileiros a defrontar a pátria-mãe é ainda maior do que no último Campeonato do Mundo.

Na edição de 2018, na Rússia, 10 atletas brasileiros atuaram por outras seleções. O número diminuiu na edição seguinte, mas a tendência é de um novo crescimento para o próximo Mundial. 

Pepe, Matheus Nunes e Otávio jogaram o Mundial por Portugal
Pepe, Matheus Nunes e Otávio jogaram o Mundial por PortugalBenoit Tessier - Reuters

Trio campeão europeu de fora

Os mais experientes que vestiram a camisola outro país são Rafael Tolói, Emerson Palmieri e Jorginho, que conquistaram o Europeu com a seleção italiana em 2021. Os três obtiveram a dupla cidadania devido à ascendência familiar e não foram convocados pelo técnico Gennaro Gattuso na última pausa internacional, em outubro. 

Mesmo assim, o trio segue com esperança de confirmar presença no próximo Mundial com a camisa da Azzurra, caso a seleção consiga a classificação para o Mundial. A Itália vai enfrentar a Irlanda do Norte no próximo dia 26 de março, em Bérgamo, na meia-final do play-off. 

Qualidade do Brasil beneficiou outras seleções
Qualidade do Brasil beneficiou outras seleçõesFlashscore

À procura de uma vaga

O guarda-redes Carlos Coronel, o lateral Matheus Nunes, o médio-defensivo Johnny Cardoso e o médio ofensivo Eliasson já têm certa relação com suas respectivas seleções. Desde 2023, o guarda-redes do São Paulo conquistou algumas oportunidades com a camisola paraguaia, agora procura uma oportunidade no Mundial – mesmo sendo suplente de Rafael no Tricolor Paulista. 

Já Matheus Nunes, do Manchester City, chegou a ser disputado pelas seleções das suas duas nacionalidades, mas preferiu atuar por Portugal. Convocado para jogar o Euro-2024 na vaga de Otávio – que ficou de fora por lesão –, o jogador também defendeu a seleção portuguesa em duas partidas do Mundial-2022. O bom desempenho no conjunto inglês indica que o brasileiro, que atua tanto como médio quanto como lateral, deve estar entre os convocados de Roberto Martínez para o Campeonato do Mundo. 

O paraibano Otávio é outro atleta que procuraretornar à seleção portuguesa aos 31 anos. Desde 2024 que não sabe o que é defender Portugal em jogos oficiais. Seguindo o mesmo roteiro de diversos atletas de renome, o médio transferiu-se para a Arábia Saudita na temporada 2023/24. Ao todo, foram 84 partidas com a camisola do Al-Nassr – equipa onde Cristiano Ronaldo joga –, com 12 golos marcados e 15 assistências.

O ex-colorado Johnny começou na formação do Internacional em 2016, e defendeu o clube do Rio Grande do Sul até 2023, ano em que se transferiu para o Betis, da Espanha. Como nasceu em Nova Jersey, o médio possui cidadania norte-americana e já soma algumas convocatórias para a seleção principal. Johnny esteve presente na última edição da Copa América, nos EUA; por isso, a tendência é de que o médio garanta sua vaga na seleção dos Estados Unidos para o próximo Mundial.

Eliasson nasceu na Suécia, mas tem mãe brasileira, por isso pode jogar por ambas seleções. A representar o AEK no campeonato grego, o jogador já demonstrou interesse em atuar no Brasil. Em 2025, o Grêmio chegou a apresentar uma proposta ao conjunto da Grécia para ter o atleta por empréstimo, mas recebeu uma resposta negativa. 

Em relação à Suécia, Eliasson sabe que disputar uma oportunidade em um meio de campo que tem a presença de Svanberg e Ayari – que atuam no futebol alemão e inglês, respectivamente – não será fácil. No entanto, a convocatória em setembro para fazer o seu nono jogo com a seleção sueca, no duelo contra a Eslovênia, renova as esperanças do médio de estar no Mundial.

Sonho após naturalização

Além de Maurício, que já idealiza a chamada à seleção paraguaia, o central Dória e o avançado Guilherme têm o sonho de atuar no próximo Mundial mais próximo depois de obterem a dupla cidadania. 

Mesmo tendo defendido a Seleção Brasileira Sub-20 no Sul-Americano de 2013 e nos torneios de Toulon de 2013 e 2014, Dória adquiriu a nacionalidade mexicana em 2023 e comemorou a possibilidade de atuar pelos Aztecas. Titular em 17 partidas nesta temporada – 15 pelo Atlas e duas pelo São Paulo –, o central tem procurado consistência dentro de campo para manter vivo o sonho da chamada do técnico Javier Aguirre.

Já o atacante Guilherme, que é brasileiro e polaco, começou no São Paulo e logo se transferiu para o XV de Piracicaba, tendo atuado no futebol polaco nas últimas temporadas. Apesar de ter jogado no país de sua cidadania, o jovem de 21 anos nunca foi chamado pela seleção. Agora, além de tentar a primeira convocatória, Guilherme espera que a Polónia supere a Albânia no play-off. 

Vale destacar que o primeiro jogador proveniente do Brasil que disputou um Mundial com a camisola de outro país foi Anfilogino Guarisi, popularmente conhecido como Filó. Foi campeão do Mundial de 1934 vestindo a camisola da seleção italiana, e tornou-se o primeiro brasileiro a levantar o troféu da competição.