Acompanhe o Albacete-Barcelona no Flashscore
- Parabéns pelo percurso na Taça, Agus. Como viveu a histórica vitória frente ao Real Madrid?
- Foi um jogo incrível, ninguém diria que conseguiríamos eliminar o Real Madrid. E, acima de tudo, a sensação que fica no final do jogo é fantástica.
- O que representou moralmente para o Albacete esta vitória?
- Não foi só para o Albacete, enquanto plantel e staff, mas também para os adeptos, para as pessoas de Albacete, para a cidade. Essa vitória teve impacto direto no jogo seguinte, que foi a vitória em casa frente ao Cádiz. De termos 8.000 ou 9.000 adeptos no jogo anterior, passámos para cerca de 13.500 nesse encontro. Isso fez com que as pessoas se envolvessem ainda mais connosco. No dia a dia sente-se um ambiente muito mais animado, mais feliz, é isso que as vitórias trazem.
- E como foi recebido no balneário esse sorteio com o Barça?
- Esse sorteio é especial, porque acabamos por defrontar o Barça e, se ganharmos, estamos nas meias-finais. Mas, tal como aconteceu com o Real Madrid, é um confronto em que pensamos que podia ter calhado outro adversário, mas é o que é e temos de ir competir.
- Que tipo de jogo esperam frente ao Barça, em comparação com o que tiveram contra o Real Madrid? Porque, independentemente do nível, são também dois estilos de jogo diferentes.
- Sim, no fundo são propostas diferentes, cada um joga o seu futebol, e esperamos um jogo distinto, claro. É verdade que o nosso jogo será em função do adversário, como em todos os jogos, pois depende do rival fazes umas coisas ou outras, e esperamos um jogo bonito, em casa, com o apoio dos adeptos, e oxalá consigamos chegar vivos ao fim do jogo, como contra o Real Madrid, e porque não surpreender.

"Depois de passar de ronda na Taça, vais com mais confiança para a Liga"
- Tendo já eliminado duas equipas que estão na Europa, como Celta e Madrid, nesta Taça, acredita que este percurso tão brilhante pode, de certa forma, distrair a equipa dos objetivos na Liga?
- Se queres que te diga a verdade, depois de ganhar e passar de ronda na Taça, vais com mais confiança para a Liga, porque, no fundo, quando ganhas, todos os jogadores estão muito envolvidos. Somos 22 ou 23 no plantel e todos estamos a competir, seja Taça ou Liga, e competimos todos juntos, todos se sentem importantes. Isso faz com que haja concorrência, que todos se motivem, que estejamos mais unidos.
Tivemos adversários difíceis e fomos passando eliminatórias, e esse competir em conjunto e o facto de todos se sentirem importantes em qualquer momento, independentemente de ser Liga ou Taça, acho que é algo muito positivo.
- Quais são os objetivos do Albacete para o que resta da LaLiga 2?
- O primeiro objetivo são os 50 pontos, como costumo dizer. A LaLiga 2 é incrível, o primeiro pode perder com o último, e pode acontecer de tudo em cada jogo, por isso o mais importante é chegar aos 50 pontos, isso é o fundamental, e depois, quando os alcançarmos, ver o que resta da época e olhar para cima, ou para onde for preciso, mas o principal é a manutenção.
- Partilhou balneário no Cornellà com o Gerard Martín, que evoluiu muito desde que chegou ao Barça, e também com o Hansi Flick. Como recorda jogar com ele?
- O Gerard, quando joguei com ele, era um miúdo da equipa B que subia para treinar connosco, um rapaz correto, muito trabalhador, e o potencial que tinha levou-o depois ao Barça B e agora à equipa principal. Quando o vir vou dar-lhe um abraço, vamos conversar um pouco antes do início, mas depois somos adversários dentro de campo, é assim, e no fim percebe-se isso.

- Nesse Cornellà já defrontaram o Barça, mas tendo eliminado antes o Atlético de Madrid com uma assistência sua. Como recorda essa experiência?
- Esse jogo foi na altura da COVID, não deixavam entrar ninguém no estádio, e por isso ficou um pouco frio; esse momento de vencer o Atlético de Madrid em casa podia ter sido incrível com o estádio cheio, mas na altura da COVID era o que havia.
A sensação foi incrível e, como disse antes, todos se sentiam importantes. Depois, contra o Barça, tivemos a sorte de voltar a defrontar um grande, e perdemos no prolongamento, mas ter competido contra o Barcelona e, especialmente, ter vencido o Atlético deixou-nos muito felizes. São experiências únicas, é para isso que um jogador vive; ir somando momentos destes.
- A nível pessoal, sendo catalão, provavelmente já enfrentou mais vezes o Barça ao longo da sua carreira. Preferia nesta ocasião outro adversário, talvez alguém menos conhecido, mesmo que tivesse menos nome?
- Quando saiu o Real Madrid, por um lado, fiquei contente, já tinha jogado contra o Barça e o Atlético de Madrid, mas nunca contra o Madrid, e agora talvez preferisse o Athletic Club, por exemplo, porque nunca joguei contra eles.
Preferia jogar contra equipas com as quais nunca joguei, pelas novas experiências, por conhecer mais equipas, clubes e formas de trabalhar. Sendo da Catalunha, acabei por jogar muitas vezes contra o Barça e o Espanhol, e é verdade que é especial defrontar equipas contra as quais nunca joguei.
Dito isto, jogar contra a equipa principal do Barça, que é topo mundial, é bonito, mas, a nível pessoal, preferia defrontar alguém contra quem nunca joguei, independentemente do nome. Se já tivesse jogado contra o Real Madrid no passado, teria dito o mesmo antes da ronda anterior.

- No seu currículo encontramos uma experiência em Birmingham. Como surgiu essa oportunidade? Como correu a sua passagem por Inglaterra?
- A oportunidade surgiu porque o Cornellà tinha um acordo com o Birmingham e fui para lá fazer a pré-época. Felizmente, o treinador gostou de mim e estive lá seis meses até ao Natal, depois regressei ao Cornellà, mas foi uma experiência incrível; conheci diferentes visões, métodos e treinos. É uma experiência que levas para a vida toda, experimentar e ver coisas diferentes daquilo a que estás habituado.
- Ainda acompanha o Birmingham no Championship?
- Há uns anos acompanhava mais, mas os colegas e treinadores que tive, que estavam no futebol de formação, já não estão lá, por isso já não sigo tanto. Vejo algumas coisas nas redes sociais e por e-mail, mas atualmente não acompanho muito.
- Voltando ao Albacete, ainda se fala da época do Queso Mecánico?
- Há pessoas que ainda se lembram, pessoas mais velhas já me mencionaram isso algumas vezes quando passo pela cidade, mas a maioria das pessoas à nossa volta não fala disso. Acho que foi mais o meu pai a comentar do que propriamente as pessoas de Albacete.
- Que relação existe no clube com o Iniesta e o que significa o jogador para o clube e para a cidade?
- Isso não sei dizer ao certo, é verdade que foi importante para o Albacete e que o clube fez uma estátua ao Andrés junto ao Belmonte, mas não sei dizer exatamente qual é a relação atualmente.
"Num jogo em casa pode acontecer qualquer coisa"
- Acha que em Albacete há mais adeptos do Real Madrid ou do Barcelona tendo em conta este percurso na Taça em que a equipa defronta ambos?
- Não sei dizer, porque não é algo que se vá perguntar. O que sei é que as pessoas que vieram ao estádio no jogo contra o Real Madrid eram do Albacete, e veja-se como celebraram o golo no último minuto.

- E agora, falando um pouco de sonhar, até onde acha que pode chegar o Albacete nesta Taça, tendo em conta que contra o Barça é jogo único em casa, tal como foi com o Madrid?
- Cada um é livre de sonhar e imaginar, e chegaremos onde conseguirmos. No fundo, é uma eliminatória difícil em que não somos favoritos, embora ache que não o seríamos em nenhuma nesta ronda, e também não o fomos em nenhuma desta Taça do Rei, exceto na primeira. Mas num jogo em casa pode acontecer qualquer coisa, como aconteceu contra o Madrid, e porque não repetir frente ao Barcelona.
- Olhando novamente para o seu currículo para terminar a entrevista, foi formado no Celta, que está num grande momento, a jogar bom futebol com o Giráldez, e tendo regressado à Europa.
- Sim, na Taça, ter jogado lá foi especial, e é verdade que quando jogámos na Taça contra eles, grande parte da equipa técnica do Giráldez já tinha trabalhado comigo na formação. Pude conversar com eles, um pouco, sobre futebol, sobre a vida.
Agora, com o Giráldez, estão a dar-se oportunidades aos jovens, a jogadores da casa, e isso é bonito e muito positivo para eles. Por exemplo, no ano passado tivemos no Albacete, por empréstimo, o Javi Rueda e agora joga no Celta e contra o Lille foi dos melhores, senão o melhor.
- Muito obrigado, Agus, e boa sorte para o que resta da época.
- Obrigado eu.
