Exclusivo com Joaquín Caparrós: "Arbeloa sabe perfeitamente o que é o balneário do Real Madrid"

Joaquín Caparrós
Joaquín CaparrósJosep Lago / AFP

Figura incontornável do futebol espanhol e atualmente presidente honorário do Sevilha, Joaquín Caparrós foi quem lançou verdadeiramente Álvaro Arbeloa na LaLiga em 2006, quando era treinador do Deportivo da Corunha. Em exclusivo ao Flashscore, analisou a chegada do Arbeloa ao comando técnico do Real Madrid.

- Conhece muito bem Álvaro Arbeloa, que iniciou a sua carreira profissional sob as suas ordens no Deportivo da Corunha. Como vê a sua evolução enquanto treinador?

- Ele era defesa central, mas também o coloquei a jogar como lateral-direito em algumas ocasiões. Como treinador, não tem muitas referências, exceto o facto de ter subido todos os degraus das categorias de formação do Real Madrid. Seja no Infantil A, Juvenil A ou no Castilla, os resultados estão à vista. Como jogador, era um profissional exemplar, porque treinava sempre a 100%. Não pude contar com ele durante muito tempo, pois ao fim de seis meses, o Liverpool apareceu e Rafa Benítez contratou-o. Era um jovem muito dedicado, ouvia todas as explicações da equipa técnica e corrigia-se. Vivia para o futebol e isso é fundamental na sua nova profissão. É uma tarefa muito exigente, mas também muito gratificante.

- Arbeloa afirmou que aprendeu muito consigo e que a passagem pela Corunha foi muito importante para ele.

- Sim, e é interessante referir que partilhou o balneário com Filipe Luís, que também tinha assinado após uma passagem pelo Real Madrid (emprestado pelo Ajax, que depois o cedeu com opção de compra ao Depor) para poder estrear-se na primeira divisão.

- Arbeloa era um jogador duro e, pelo que se diz sobre o seu percurso nas camadas jovens do Real Madrid, também é um treinador exigente.

- A vantagem que tem é saber perfeitamente o que representa o balneário do Real Madrid, ou seja, um balneário de topo, só com jogadores de nível mundial. Viveu a exigência deste clube em primeira mão, na pele. Conheceu-a também como treinador do Castilla. Mas foi sobretudo enquanto jogador que percebeu essa obrigação de vencer, de estar sempre a 100%. Terá agora de provar que consegue replicar isso como treinador do clube. Vai precisar de resultados para ganhar confiança e também credibilidade.

- No fundo, trata-se mais de uma questão humana do que futebolística?

- O treinador tem sempre de adaptar-se aos jogadores que tem, em função das suas ideias. Por outro lado, o que não muda é a sua metodologia e a forma como faz evoluir o grupo. Terá de saber gerir isso, porque aqui não se trata de um balneário qualquer.