Recorde as incidências da partida
Como se o jogo da Taça, esse 0-5, ainda não tivesse terminado, o Betis pareceu entrar receoso no Metropolitano, apostando tudo em apanhar um contra-ataque. É difícil criar perigo se, ao recuperar a bola, se está dentro da própria área. E também é arriscado quando se permite que o Atlético feche a equipa lá atrás. Mas Pellegrini percebe destas coisas e disfarçou de receio aquilo que era, na verdade, um plano ambicioso. Após 10 minutos iniciais de sufoco, com um cabeceamento de Giménez e um remate perigoso de Lookman, a sua ideia começou a dar frutos.

Bakambu fugiu em velocidade desde o seu meio-campo e só Oblak conseguiu travá-lo, desviando para canto. Pouco depois, repetiu-se a jogada: nova recuperação, passe rápido para Bakambu... e mais uma vez Oblak a ganhar no duelo individual. O Atleti estava demasiado subido e confiante, com Simeone a voltar a apostar em Julián Álvarez. A Aranha tentou responder com um remate que Valles defendeu com grandes reflexos. Foi a única ação de relevo do argentino.
O jogo estava interessante e aberto. E ficou ainda mais quando Antony, que já tinha forçado um amarelo a Ruggeri, desferiu o seu típico remate de fora da área, surpreendendo Oblak. Não é tarefa fácil. Mas o brasileiro tem magia e o eslovaco, por vezes, também falha. A partir do golo, o Betis assentou no relvado para mudar o ritmo, circular mais a bola e tirar o Atleti do sério. Os comandados de Cholo encontraram um adversário à altura, com uma equipa solidária onde até o próprio Antony não se importava de recuar para ajudar a defender. O único que os rojiblancos conseguiram antes do intervalo foi marcar um golo, por Lookman, em posição irregular.
A ineficácia ofensiva dos colchoneros tinha de ser resolvida rapidamente se queriam dar a volta ao resultado. Por isso, ao intervalo, entraram Sorloth, Baena e Le Normand para os lugares dos apagados Julián Álvarez, Almada e Ruggeri. Foi Giuliano quem criou a primeira oportunidade do Atleti na segunda parte. E Sorloth apareceu depois com um cabeceamento que obrigou Valles a brilhar. Voltaria a repetir a jogada, com igual resposta do guarda-redes verdiblanco.
Nessa altura, Griezmann já estava também em campo para tornar o Atleti o mais ofensivo possível. O Betis, apesar de tudo, não se deixou abalar. Manteve o seu plano, jogando com a ansiedade do adversário, com o estreante Fidalgo a organizar e a mandar no meio-campo.
As ideias dos colchoneros iam-se esgotando e só os cruzamentos laterais pareciam criar perigo. Num deles, de Giuliano para Griezmann, surgiu o golo do empate. O francês tocou ao de leve na bola, mas quem a empurrou para o fundo das redes foi Diego Llorente. Não era essa a sua intenção. Mas em plena euforia madrilena, o VAR detetou a posição irregular do francês e o 1-1 não foi validado. A revisão demorou quatro minutos. Demasiado, ainda por cima existindo o fora de jogo semiautomático.
Ainda havia tempo, mais de um quarto de hora, mas a exibição defensiva dos béticos foi notável, digna de todos os elogios. E anulou todas as tentativas dos colchoneros de se vingarem da eliminação na Taça e de infligirem ao Atlético a sua primeira derrota no Metropolitano na LaLiga.

