Recorde as incidências da partida
Sem Vini, Bellingham nem Rodrygo, Arbeloa optou por colocar Gonzalo com Mbappé e reforçar o meio-campo, com Valverde a integrá-lo, entregando o lado direito da defesa a David Jiménez. Caras de poucos amigos de Carvajal e Alexander-Arnold no banco. Apesar destas ausências, o Valência entrou com muitas cautelas, mas com a intenção de pressionar alto para travar a saída do Real Madrid. No entanto, ao chegarem ao meio-campo, recuavam todos para um 5-4-1. O resultado foi uma primeira parte muito física, até em demasia, e com poucas oportunidades.

As primeiras só surgiram depois do quarto de hora, por Güler e Mbappé. Mas os merengues estavam demasiado previsíveis, sem capacidade de desequilibrar nas alas e com o francês muito vigiado. Kylian, que tem enorme qualidade, aproveitou a atenção que lhe davam para assistir Jiménez, mas o remate do jovem foi travado com os joelhos por Dimitrievski. Foi o lance mais perigoso do Real Madrid na primeira parte.
Do outro lado, o Valencia, com o bloco tão baixo, tinha dificuldades em lançar contra-ataques perigosos. O dilema do cobertor curto: se tapa os pés, destapa a cabeça, e vice-versa. Por isso, pouco incomodaram Courtois. Só a inconsistência de Huijsen, que atualmente é um feixe de nervos com bola, permitiu alguma jogada que animou os adeptos che. Danjuma teve a melhor ocasião, mas Asencio estava atento e bloqueou. Assim, tudo ficou adiado para a segunda parte.
No entanto, o guião não mudou. Sim, o recomeço trouxe boas intenções, com um remate de Lucas Beltrán após bom passe de Danjuma. Mas Courtois já não voltou a ser chamado, devido à insistência de Corberán em lançar bolas longas para Hugo Duro. Também Dimitrievski não teve trabalho. É o que acontece quando há tanto passe ao pé e nenhuma desmarcação ou rasgo.
Neste jogo insosso e sem chama, só o talento podia desequilibrar. E foi assim que, sem um cruzamento claro, Carreras decidiu entrar na área, levou a bola com alguma sorte e rematou rasteiro ao primeiro poste, fazendo o 0-1.
A resposta não demorou. Rioja cruzou e Beltrán esticou o pé, já desequilibrado, para rematar ao poste perante o olhar assustado de Courtois, que nem em sonhos lá chegaria.
O técnico da casa mexeu na equipa, retirou a defesa a cinco e subiu as linhas. Abriram-se espaços, um cenário ideal para Mbappé, mas não restava alternativa ao Valencia. Contudo, a verdade é que os anfitriões, entre gritos da bancada a pedir a demissão do treinador, foram inofensivos. E o Real Madrid, quando sente o cheiro do sangue, não perdoa. Huijsen, a querer mostrar a sua qualidade, lançou um passe longo para Brahim, que assistiu Mbappé para este marcar o seu nono golo nos últimos seis jogos. Estava feito o 0-2, ao minuto 90, e tudo ficou decidido.

