O Real Madrid exige sempre mais de si próprio, faz parte da sua identidade. No entanto, apesar dos resultados aparentemente negativos, a sua prestação na LaLiga é bem diferente. Os blancos continuam a acompanhar de perto um grande Barcelona depois de conquistarem em Mestalla a sétima vitória seguida, mantendo assim a distância de apenas um ponto entre os culés e os merengues, que seguem na perseguição a partir do segundo lugar.
Há pouco tempo, o Atlético também estava na luta juntamente com o Villarreal, mas neste início de 2026 as coisas mudaram, tanto pelos méritos de uns como pelos deméritos de outros. Este fim de semana, após o deslize do Atlético frente ao Betis, a diferença entre os dois primeiros e a equipa de Cholo Simeone aumentou para 12 pontos. O ritmo é difícil de acompanhar e os números comprovam o desempenho do Madrid, que neste momento é o melhor segundo classificado da história da LaLiga nesta fase.

Após 23 jornadas, os madridistas somam 57 pontos. É o mesmo registo que tinham na época 2013/14, em que nesta altura estavam empatados com o Barcelona de Tata Martino, e também em 2010/11. Nessa temporada, a diferença era de cinco pontos a favor da equipa de Guardiola. Talvez os antecedentes não sejam os mais animadores, já que em ambas as ocasiões, o conjunto branco acabou por perder o campeonato.
Na mais recente, a 2013/14, o Atlético de Madrid conquistou o título e a equipa de Carlo Ancelotti terminou em terceiro, embora empatada a 87 pontos com o Barça após o 1-1 na 'final' pelo título no Camp Nou. Os de Simeone venceram com três pontos de vantagem sobre os perseguidores. Já em 2010/11, nem o recorde de 102 golos e 92 pontos de Mourinho foi suficiente, pois terminou quatro pontos atrás do Barça.
Na época passada, ao Real Madrid bastaram 50 pontos para liderar após as primeiras 23 jornadas. Pouco antes tinha ultrapassado o Atlético, que era segundo com 49, e o Barcelona começava a aproximar-se (48) depois daqueles meses desastrosos de novembro e dezembro. Agora são os merengues que tentam inverter a situação, mas a equipa de Flick deixa pouco espaço para surpresas. Tirando o deslize frente à Real Sociedad, soma 12 vitórias nos últimos 13 jogos.
Arbeloa começa com pleno... tal como Luxemburgo ou Xabi
Há mais dados positivos, embora com antecedentes duvidosos para o Real Madrid. Neste caso, para Álvaro Arbeloa. Xabi Alonso caiu após a Supertaça Europeia, embora os brancos já viessem de três vitórias seguidas na LaLiga, o que mais o sustentava. Agora, o antigo defesa galego tornou-se no sexto treinador a vencer os seus primeiros quatro jogos de Liga ao comando do banco merengue.
O contraponto está em quem foram alguns desses cinco anteriores. O primeiro a consegui-lo foi José Quirante, que treinou o então Real Madrid Foot-Ball Club no primeiro Campeonato Nacional de Liga de Espanha em 1929. O seguinte seria já em 1953, o uruguaio Enrique Fernández, que conseguiu levantar o troféu da época 1953/54 antes da chegada de José Villalonga.
Ao passar para o século XXI, talvez começar tão bem não seja um bom presságio. Vanderlei Luxemburgo (2005), Manuel Pellegrini (2009) e esta temporada, Xabi Alonso, venceram os seus primeiros quatro jogos na LaLiga. Os três acabariam por ser despedidos e não conquistaram títulos pelo Real Madrid. Álvaro Arbeloa espera ter mais sorte.
