Reduzir um 4-0 como o do Atlético de Madrid à explicação de que faltava Raphinha pode parecer exagerado. No entanto, o contexto da temporada coloca em evidência uma razão sistémica para os dias maus. É que nas seis derrotas dos blaugrana esta época, o brasileiro esteve ausente.
Com um pequeno asterisco: participou com alguns minutos no 3-0 do Chelsea, embora o extremo tenha entrado já na reta final, com o resultado em 2-0, e acabado de regressar de uma recaída. Nos outros cinco jogos, não teve qualquer intervenção.
Assim, a sua ausência nas escolhas de Hansi Flick para esses encontros demonstrou que a equipa fica privada de grande parte da energia que ele imprime em cada lance. Algo que se reflete especialmente na forma arriscada como o Barça defende.
Ontem, o treinador alemão voltou a referir isso mesmo, falando em "linhas muito afastadas" e "falta de pressão" na saída de bola do adversário. Muito do sucesso dessa linha defensiva adiantada depende de avançados e médios não darem tempo para pensar aos jogadores rivais que podem lançar bolas longas. Sem esse fator, a equipa torna-se bastante vulnerável. A primeira parte no Metropolitano foi um exemplo claro disso.
Outro denominador comum nesses seis jogos sem Raphinha é que o Barcelona sofreu pelo menos dois golos. O PSG marcou dois (1-2), o Real Madrid também (2-1) e a Real Sociedad igualmente (2-1). Já o Chelsea (3-0), o Sevilha (4-1) e o Atlético de Madrid (4-0) foram ainda mais contundentes.
Sem Pedri, igualmente fundamental nessa pressão, e sem Rashford para pelo menos criar mais perigo por esse lado, onde Dani Olmo teve de improvisar a sua posição, a ausência de Raphinha fez-se sentir como nunca, num Barcelona que acabou por ser um brinquedo nas mãos do Atlético de Madrid.
