Tudo sobre a queda em desgraça de Xabi Alonso no Real Madrid

Xabi Alonso foi demitido do Real Madrid esta segunda-feira
Xabi Alonso foi demitido do Real Madrid esta segunda-feiraISMAEL ADNAN YAQOOB / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP

O reinado de Xabi Alonso como treinador do Real Madrid durou menos de oito meses, depois de o espanhol ter chegado a acordo para sair do emblema madrileno esta segunda-feira.

O antigo maestro do meio-campo era visto como alguém capaz de revolucionar o jogo do Real Madrid com uma abordagem cerebral e taticamente refinada, mas a sua equipa acabou por desiludir.

No final, o Real Madrid apresentava-se de forma semelhante à da época passada, em que terminou sem conquistar um troféu de relevo, tendo sido superado pelos rivais do Barcelona, numa derrota por 3-2 na final da Supertaça de Espanha, no domingo.

Com quatro pontos de atraso para os catalães, líderes da La Liga, e ocupando o sétimo lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões, Florentino Pérez decidiu agir e substituiu Xabi Alonso pelo treinador da equipa B, Álvaro Arbeloa.

A ameaça de despedimento pairava sobre Xabi Alonso há várias semanas, mas uma sequência de cinco vitórias manteve-o no cargo até ao Clássico na Arábia Saudita.

Xabi Alonso, que conquistou elogios no Bayer Leverkusen ao vencer a Bundesliga sem derrotas em 2024, chegou ao Real Madrid com o sonho de conduzir a equipa à glória, tal como Carlo Ancelotti ou Zinedine Zidane antes dele.

No entanto, a sua saída precoce coloca-o numa lista menos prestigiada de treinadores rapidamente afastados, como Rafa Benítez e Julen Lopetegui.

Xabi Alonso teria desejado um novo reforço para o meio-campo no verão, após a saída de Luka Modric nesse período e de Toni Kroos no ano anterior, mas tal não aconteceu.

O desempenho da equipa no Mundial de Clubes, nos primeiros jogos de Xabi Alonso, deixou antever algum potencial, apesar da pesada derrota por 4-0 imposta pelo Paris Saint-Germain nas meias-finais.

No Real Madrid, as maiores estrelas do plantel costumam impor-se e, apesar de um bom arranque em termos de resultados, começaram a surgir fissuras, pois a abordagem de Xabi Alonso não agradava a todos.

O técnico basco rodou bastante o plantel, o que desagradou a jogadores como Vinicius Júnior, que ficou várias vezes no banco e foi substituído cedo noutras ocasiões.

Depois de ser substituído numa vitória por 2-1 no Clássico da LaLiga, em outubro, Vinicius Júnior mostrou a sua fúria a Xabi Alonso. A partir desse momento, tudo mudou.

O treinador não fez de Vinicius um exemplo, devolvendo-lhe o estatuto quase intocável – mesmo durante uma série de 16 jogos sem marcar, que só terminou em Jeddah. Demasiado pouco, demasiado tarde.

Jude Bellingham também se tornou titular indiscutível após recuperar de uma cirurgia ao ombro, embora o internacional inglês tenha apresentado alguma irregularidade.

Os jovens que se destacaram no início da época, como Arda Guler e Franco Mastantuono, viram o seu tempo de jogo reduzido.

Com o regresso das estrelas, alguns dos conceitos de Xabi Alonso também se dissiparam. A pressão alta desapareceu do plano de jogo.

O Real Madrid foi assolado por uma vaga de lesões, que Xabi Alonso apontou como uma das razões para a mudança de abordagem da equipa, o que lhe limitou as opções.

Apesar da vitória no Clássico frente ao Barcelona ter dado algum tempo a Xabi Alonso, parecia que o presidente Florentino Pérez nunca esteve verdadeiramente convencido.

A estrela francesa Kylian Mbappé estava a marcar golos em catadupa, mas a equipa raramente apresentava fluidez ofensiva, com demasiados protagonistas a atrapalhar o coletivo.

Espiral descendente

Uma goleada por 5-2 frente ao Atlético de Madrid, em setembro, foi um dos primeiros percalços de Xabi Alonso, e mesmo quando o Real Madrid vencia, raramente convencia.

Quando Madrid recebeu um jogo da NFL no Santiago Bernabéu, em novembro, isso obrigou a equipa a agrupar mais jogos fora de casa no calendário, o que contribuiu para uma má fase.

A equipa perdeu fora com o Liverpool na Liga dos Campeões, enquanto os adeptos do Real Madrid assobiaram a equipa após uma derrota caseira na LaLiga, frente ao Celta de Vigo, em dezembro.

A imprensa espanhola avançou que Xabi Alonso recebeu um ultimato: uma derrota frente ao Manchester City na Liga dos Campeões ditaria o seu fim.

O treinador do City, Pep Guardiola, defendeu Xabi Alonso antes do jogo, sublinhando a dificuldade de treinar um dos gigantes de Espanha.

"É um lugar difícil, mas ele sabe, já esteve aqui (como jogador), conhece a realidade", afirmou o antigo treinador do Barça.

Apesar da derrota por 1-2, Xabi Alonso ganhou uma prorrogação. O desempenho da equipa melhorou e os jogadores manifestaram-se publicamente em apoio ao treinador.

No entanto, desde então, sentiu-se que qualquer passo em falso ditaria o fim do seu ciclo.

Foram somadas algumas vitórias, embora as exibições continuassem pouco convincentes, e o triunfo do Barcelona no Clássico deu a Florentino Pérez o pretexto necessário para agir.

O sucessor de Xabi Alonso, Arbeloa, promovido da equipa B e também antigo jogador do Real Madrid, é outro que conhece o clube por dentro e sabe bem a volatilidade do cargo que agora ocupa.