Adeptos do Estrasburgo exigem mudança de direção após saída de Rosenior

Os adeptos do Estrasburgo em Toulouse a 6 de dezembro de 2025.
Os adeptos do Estrasburgo em Toulouse a 6 de dezembro de 2025.NATHAN BARANGE/DPPI VIA AFP

O anúncio da saída do treinador do Estrasburgo, Liam Rosenior, para o Chelsea, esta terça-feira de manhã, provocou a ira de uma parte dos adeptos, que se opõem ao acionista maioritário dos dois clubes, a BlueCo, e exigem uma alteração na direção.

Esta operação entre dois clubes geridos pelo consórcio norte-americano surge na sequência de várias transferências, como a contratação, anunciada em setembro mas apenas efetiva no próximo verão, do avançado e capitão do Estrasburgo, Emmanuel Emegha.

"A transferência de Liam Rosenior representa mais um passo, humilhante, na submissão do Racing ao Chelsea", escreveu a Federação dos Adeptos do RCSA em comunicado.

"O problema (...) é estrutural, está em causa o futuro do futebol de clubes francês. Cada contorção adicional de Marc Keller, cada minuto a mais à frente do clube, é um insulto ao trabalho notável realizado antes de 2023".

A FSRCSA, associação com cerca de 350 membros, exige assim que o presidente do clube "saia", "agora". O seu porta-voz, Alexandre, afirmava na véspera à AFP, quando o anúncio já parecia iminente, que Keller deixou de "assumir o papel que lhe compete, ou seja, defender os interesses do Estrasburgo".

Os Ultra Boys 90, principal grupo ultra, na linha da frente da contestação à BlueCo, também exigem uma mudança de  direção .

"O que queremos é uma direção que coloque o Estrasburgo em primeiro lugar", declarou à AFP Maxime, porta-voz do grupo com mil membros. "Percebemos que os dirigentes do Estrasburgo já não têm qualquer influência. E, de forma mais ampla, pedimos às instâncias que ponham fim a este modelo que está a destruir o futebol em França".

Sobre este tema, uma proposta de lei transversal, que visa proibir a multipropriedade, foi apresentada pelo deputado da França Insubmissa, Éric Coquerel, em setembro passado, para ser analisada em breve na Assembleia Nacional.

"Percebemos que esta é a lógica do sistema: o que acontece em Estrasburgo passa a ser secundário", acrescentou Maxime, que "espera que mais pessoas abram os olhos para a situação atual".

Na sua conferência de imprensa de despedida, Liam Rosenior já antecipava estas críticas: "A narrativa de que esta propriedade só serve os interesses de um clube é falsa. O tempo mostrará que eu tinha razão".