É um eufemismo: Leonardo Balerdi nunca reuniu consenso no Marselha. Chegou por empréstimo em 2020, oriundo do Borussia Dortmund, por 1M€, antes de ser adquirido um ano depois, por 11M€. O argentino aproxima-se agora dos 200 jogos oficiais (leva 189), enverga a braçadeira de capitão, mas é provavelmente o bode expiatório preferido dos adeptos do Marselha.
Num clube onde os mercados de transferências parecem a feira internacional do Parc Chanot, Balerdi é visto como um sobrevivente. No entanto, com contrato até 2028, será que continuará a ser jogador do Marselha na próxima época? A dúvida é legítima, pois o internacional argentino, que luta por um lugar no grupo de Lionel Scaloni, atravessa um momento complicado.
Um trash-talk desajustado
Esta época, na Liga dos Campeões, o Marselha perdeu 4 em 5 jogos em que foi titular e sofreu 11 golos sem conseguir qualquer baliza inviolada. Frente às equipas que ocupam atualmente lugares europeus na Ligue 1 (PSG, Lens, Lyon, Lille, Rennes), soma 6 titularidades em 7 jogos, com um registo de 4 derrotas, 9 golos sofridos e apenas uma baliza inviolada.

Pilar de uma defesa em constante mutação, Balerdi também foi afetado pelas rotações de Roberto de Zerbi, ainda que tenha sido dos menos penalizados e tenha estado lesionado na zona do gémeo entre o final de outubro e o início de novembro. Mas como encontrar regularidade num contexto destes? A sua experiência europeia ao mais alto nível é curta, com apenas 16 jogos em 3 participações. Balerdi acaba por ser o espelho do Marselha e seria demasiado simplista responsabilizá-lo em excesso, já que o fracasso é coletivo e não é o único elemento-chave a falhar quando as dificuldades aumentam.
No entanto, o seu trash-talking desagrada porque não é utilizado de forma adequada. Esta perceção não passa despercebida, nem mesmo entre os jogadores. O episódio não escapou a ninguém. Em pleno Clássico, Ousmane Dembélé dirige-se ao francófono Pierre-Emile Höjbjerg com palavras pouco simpáticas para o argentino: "Balerdi, ele é fraco, tu sabes. Tu sabes! Ele está sempre a falar". É difícil não ver aqui uma metáfora de um clube que se perde ao alimentar constantemente a confusão.
Agora, é tempo de uma profunda reflexão, mesmo antes da nomeação de um novo treinador. Para o defesa-central, está em causa o seu futuro no Marselha, assim como a sua presença no Mundial. Em ambos os casos, a situação atingiu um ponto crítico.
