Siga as incidências da partida
Jogava-se o minuto 90+3 na quarta-feira no Parque dos Príncipes, o público estava em êxtase após o espetáculo ofensivo da equipa num jogo da Liga dos Campeões (vitória por 5-3 frente ao Tottenham)... mas, de repente, o londrino Xavi Simons cai, o jogo é interrompido e o árbitro vai analisar o vídeo, antes de mostrar o cartão vermelho a Lucas Hernández.
Não havia margem para dúvidas, o defesa desferiu uma cotovelada no antigo jogador do Paris SG, como se quisesse afastar um incómodo. Um gesto que faz lembrar a sua cotovelada no jogo contra o Bayern Munique (vitória por 2-0) no Mundial de Clubes em julho, que também lhe valeu uma expulsão.
O seu treinador, Luis Enrique, não hesitou em chamá-lo à atenção: "Não é a primeira vez. É estranho, não é normal. Teremos de falar sobre isso. É perigoso. Conheço muito bem o Lucas Hernández, mas é preciso saber controlar-se", disse ao Canal+ na quarta-feira.
Este gesto violento levanta questões, vindo de um jogador experiente (29 anos), campeão do mundo em 2018 com os Bleus, que deveria ser exemplo para um plantel jovem e, de resto, respeitador em campo.

Questionado novamente sobre o tema na sexta-feira, Luis Enrique revelou que teve uma conversa a sós com o jogador no treino: "Podes ter experiência, mas são situações que tens de saber gerir. Claro que falei com o Lucas Hernandez, porque é muito importante na equipa, tem experiência, é querido por todos os colegas, era importante saber o que ele pensava". O resultado dessa conversa: "Ele tem de mudar e sabe disso", segundo Luis Enrique.
Segundo plano
É ainda mais embaraçoso para o francês porque estes dois momentos de mau génio talvez sejam os episódios mais marcantes da sua passagem pelo PSG.
Na verdade, a sua história com o clube da capital parece nunca ter verdadeiramente arrancado, desde que chegou no verão de 2023 vindo do Bayern Munique. Recuperando então de uma lesão grave, o jogador foi útil como lateral esquerdo enquanto se aguardava o regresso, sucessivamente adiado, de outro lesionado, Nuno Mendes.
Mas Lucas Hernández acabou por ser relegado para segundo plano, sem oportunidade de atuar na sua posição de eleição, no centro da defesa, já que Luis Enrique preferia Willian Pacho e até Lucas Beraldo. E voltou a sofrer uma lesão grave na meia-final da Liga dos Campeões antes do verão de 2024.
Depois de esperar pacientemente durante vários meses, regressou discretamente no início de 2025, para tapar algumas lacunas. As suas 29 presenças até ao verão, muitas vezes entrando a meio dos jogos, não deixaram grande marca.
O seu círculo próximo confidenciava à AFP, nessa altura, que o jogador apreciava poder regressar com calma, sem pressão, numa equipa que funcionava muito bem. E Lucas Hernández viu a sua sorte começar a mudar em junho, quando Didier Deschamps o chamou de novo à seleção francesa, mais uma vez para substituir lesionados.
O natural de Marselha aproveitou para recuperar a confiança e teve um início de época 2025-2026 promissor, com 11 jogos, já metade do tempo de jogo da temporada anterior. Chegou mesmo a voltar a jogar no centro da defesa em Barcelona e Leverkusen, onde esteve seguro, tal como em recentes jogos da Ligue 1.
Na quarta-feira, ao entrar para o lugar de um Nuno Mendes lesionado ao intervalo, Lucas Hernández esteve em bom plano, destacando-se numa recuperação alta que permitiu a João Neves assistir Fabian Ruiz para um golo.
A sua segurança defensiva e as subidas no terreno não faziam prever a cotovelada no final do encontro. Hernández saiu cabisbaixo, consciente de ter estragado uma boa exibição. Poderá consolar-se com a titularidade este sábado no Mónaco, na ausência de Nuno Mendes. Depois da conversa com o treinador, Lucas Hernández está agora sob escrutínio.
