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Neste domingo, o Stade de la Meinau será palco de um duelo que pode ficar gravado na história. O Lyon está a apenas 90 minutos de igualar o seu recorde absoluto de 14 vitórias consecutivas em todas as competições. Após uma sequência impressionante de 13 triunfos seguidos, a equipa pode alcançar a mítica marca de 2006 e reafirmar-se como uma das formações mais dominantes da atualidade.
Mas o obstáculo é tudo menos simples. O Estrasburgo, atual 7.º classificado, atravessa uma temporada sólida e ambiciosa e chega motivado após um empate arrancado contra o Olympique de Marselha na última ronda. O estádio terá lotação esgotada e ambiente escaldante, com previsão de intensidade máxima e resistência feroz diante de um candidato ao topo.
No centro desta engrenagem afinada e letal, há um nome que tem feito a diferença: Endrick. O prodígio brasileiro, cedido pelo Real Madrid, trouxe explosão, irreverência e eficácia goleadora ao Lyon. Com cinco golos desde a estreia, o jovem avançado elevou o patamar competitivo da equipa com a sua velocidade demolidora e instinto matador. A sua adaptação relâmpago simboliza a ambição sem limites de um Lyon que acredita estar preparado para transformar um feito histórico numa realidade incontestável.

2006: A herança dos "Galáticos" de Gérard Houllier
Em caso de triunfo neste domingo, o Lyon versão 2026 escreverá o seu nome ao lado da equipa mais lendária da história do clube. O clube pode igualar a marca histórica de 14 vitórias consecutivas alcançada na memorável temporada 2006/2007. Sob a liderança de Gérard Houllier, o Lyon transformou-se num verdadeiro rolo compressor, somando 14 triunfos seguidos entre agosto e novembro de 2006 e impondo respeito em todas as frentes.
Essa formação permanece gravada na memória coletiva pela qualidade extraordinária do seu plantel. O ex-guarda-redes Grégory Coupet vivia o auge da carreira, amparado por uma defesa sólida liderada por Cris, o eterno “Polícia”, e por Éric Abidal, que mais tarde brilharia no Barcelona. No meio-campo, o tridente Tiago–Toulalan–Juninho combinava músculo, inteligência e classe, dominando adversários na França e na Liga dos Campeões. Na frente, Fred e Florent Malouda garantiam golos com uma regularidade quase cirúrgica, tornando o clube numa máquina ofensiva temível.
O símbolo maior dessa hegemonia era Juninho Pernambucano. O capitão brasileiro, mestre absoluto nas bolas paradas, transformava cada falta a menos de 30 metros numa ameaça iminente. Sob a sua batuta, o Lyon não se limitava a vencer — perseguia a excelência competitiva em cada jogo.
O auge dessa epopeia chegou na vitória categórica sobre o Real Madrid, com direito a exibição de gala frente aos então “Galáticos”. Ainda assim, apesar do sexto título consecutivo de campeão francês, conquistado com impressionantes 17 pontos de vantagem, a temporada terminou com um sabor agridoce. O sonho europeu caiu nos oitavos de final da Liga dos Campeões, perante a Roma, travando a ambição continental de uma equipa que parecia destinada a tudo.
Um legado para honrar
Duas décadas depois, igualar este registo colocaria a equipa no panteão dourado do clube. Com um 3.º lugar consolidado no campeonato e um percurso imaculado na Liga Europa, este Lyon de 2026 parece finalmente munido de argumentos para honrar esta herança e, quem sabe, atacar finalmente a glória europeia.
