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A era Habib Beye começa no Marselha, numa atmosfera de fim de ciclo para Pablo Longoria e de renovação para Medhi Benatia, que se demitiu e foi promovido em poucos dias. Frank McCourt decidiu e tomou uma decisão semelhante à de 2020, quando o espanhol subiu de posição para suceder a Jacques-Henri Eyraud.
Do ponto de vista desportivo, o Marselha não está numa situação desesperada, ocupando a 4.ª posição e com presença nos quartos de final da Taça de França para disputar em casa frente ao Toulouse. No entanto, o novo treinador chega rodeado de dúvidas quanto à sua capacidade de relançar o clube onde foi capitão. O final da sua passagem pelo Rennes foi complicada, marcado por decisões táticas e escolhas de jogadores muito contestadas.
Não há margem para erro
Em vários programas e rádios, as opiniões foram cautelosas, um eufemismo para não admitir que a chegada do senegalês deixa muitos desconfiados. Mas será que se deve condenar o futuro por isso? Beye chega conhecedor do famoso contexto local, "o único trunfo que a minha passagem pelo Marselha me dá", embora tenha garantido na conferência de imprensa de apresentação, na quinta-feira, que isso não lhe dá "mais credibilidade". Foi, no entanto, um jogador popular entre 2003 e 2007, o que lhe permite algum tempo de tolerância, ou seja, em termos locais, uma semana entre a deslocação a Brest, após ter orientado apenas um treino, e a receção ao Olympique Lyon, que está atualmente no pódio com três pontos de vantagem sobre a sua nova equipa.
Para ele, Benatia e McCourt, está muito em jogo. Beye nunca escondeu o desejo de um dia ser treinador do Marselha. Chegou a afirmá-lo claramente quando comandava o Red Star. Essa vontade gerou algumas críticas, mas mostrava bem as suas grandes ambições.
Com apenas um ano de experiência na Ligue 1, Beye dá um salto comparável ao de Domen Prevc. Para ele, chegou o momento da verdade. Não esperou por uma ocasião mais favorável para assumir o cargo e vai estar imediatamente sob pressão, não só para qualificar o Marselha para a Liga dos Campeões, ou até conquistar um troféu que não é ganho desde 1989, mas também para garantir a sua continuidade na época 2026/27, mesmo tendo assinado por 18 meses.
O antigo comentador da Canal+ não era consensual, sobretudo pelo tom com que defendia as suas convicções e opiniões firmes, e os seus críticos aguardam o seu fracasso. A dúvida não faz parte do seu vocabulário, não tem de alimentar complexos: "com tudo o que fiz, construí-me ao longo do tempo. Não me questiono se tenho algo a provar ou não. Estou aqui porque trabalhei e o meu objetivo é colocar o Marselha no topo. (...) Tenho objetivos elevados, essa pressão é para saber assumir, mas não tenho problema com isso".
No entanto, para poder trabalhar com tranquilidade, o plantel vai instalar-se em Marbella, à semelhança do famoso retiro de Roma na época passada. "O estágio em Espanha vai permitir-nos trabalhar bem nos aspetos fundamentais", anunciou já Beye, que não pretende revolucionar tudo em Francis-Le Blé esta sexta-feira à noite, mas que tem ideias para recuperar energia, consistência e, acima de tudo, serenidade.
