A ausência do ex-Boca num dos jogos mais importantes da época causou agitação dentro do balneário e acendeu o debate na imprensa local, com o L’Équipe a assumir-se como a principal voz crítica.
Uma sanção inesperada
A suspensão foi ativada após o cartão amarelo que Barco recebeu no último encontro frente ao Metz, quando contestou uma decisão do árbitro. Essa advertência completou um ciclo disciplinar que resultou automaticamente numa jornada de suspensão.
O ponto polémico está no antecedente: uma expulsão sofrida diante do Lens, a 22 de novembro passado. Segundo explicou o coordenador desportivo do Estrasburgo, Kader Mangane, esse cartão vermelho deixou o argentino sob aviso durante os 10 jogos seguintes. Qualquer nova advertência implicava sanção.

No entanto, o círculo do jogador garante que essa condição nunca foi comunicada de forma clara, o que provocou surpresa e indignação quando se confirmou que ficava de fora do duelo frente ao PSG.
"Uma falta de profissionalismo"
A polémica intensificou-se quando o L’Équipe citou uma fonte próxima do jogador com uma declaração contundente: "Não foi avisado. É uma falta de profissionalismo do clube e, sobretudo, de quem tinha a obrigação de o comunicar. É completamente inaceitável".
Do lado do Estrasburgo, a versão oficial é diferente. Porta-vozes do clube afirmam que a informação foi transmitida, embora reconheçam que pode ter havido um mal-entendido entre as partes.
A ausência de consenso expôs uma falha na gestão interna e agravou a relação entre o jogador e a direção.
Uma baixa sensível num momento crucial
Para além do conflito administrativo, a sanção tem um forte impacto desportivo. Barco afirmou-se como uma das peças-chave da equipa: soma um golo e oito assistências em 26 jogos entre Ligue 1, Liga Conferência e Taça de França.
O treinador Gary O'Neil terá de reorganizar o meio-campo frente ao líder do campeonato francês. No último compromisso da Taça, o técnico apostou em Rafael Luís, emprestado pelo Benfica, mas o seu desempenho deixou dúvidas. Outras opções em cima da mesa são o jovem Abdoul Ouattara ou o recuo de Ismaël Doukouré.
Personalidade em campo e descontentamento visível
O desconforto de Valentín não se limita ao que se passa fora das quatro linhas. No último jogo frente ao Lille, o argentino teve uma reação visível após um golo sofrido pela sua equipa, criticando as atitudes defensivas apesar da vantagem confortável no marcador.
"Se queremos lutar por grandes objetivos, não podemos relaxar", afirmou após o encontro, numa autocrítica interpretada como sinal de liderança, mas também como reflexo da pressão que sente.
O contexto do Estrasburgo
O Estrasburgo ocupa a 7.ª posição na Ligue 1, com 30 pontos em 19 jogos, a apenas um ponto da zona de acesso às competições europeias. Na Taça de França vai defrontar o Mónaco a 5 de fevereiro nos oitavos de final, enquanto na Liga Conferência avançou diretamente para os oitavos ao terminar em primeiro lugar no seu grupo.
Neste contexto, a ausência de Barco frente ao PSG não é apenas um problema disciplinar, mas também uma perda desportiva de peso.
O conflito deixa uma questão em aberto: trata-se de um simples erro de comunicação ou do primeiro grande choque entre Valentín Barco e a estrutura diretiva do clube francês?
