Pablo Longoria: "Não é normal que um presidente seja ameaçado por adeptos"

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Pablo Longoria: "Não é normal que um presidente seja ameaçado por adeptos"
Pablo Longoria, presidente do Marselha
Pablo Longoria, presidente do Marselha
Profimedia
Pablo Longoria concedeu uma entrevista de duas horas ao diário francês La Provence, para falar das condições da sua retirada da presidência do Marselha, após a reunião com os grupos de adeptos na passada segunda-feira.

Pablo Longoria sentiu a necessidade de falar sobre os últimos acontecimentos em Marselha desde segunda-feira. Fê-lo nas colunas do La Provence.

Duas versões, uma consternação

Claramente afetado e marcado pela situação, deu a sua versão da célebre reunião que levou à sua retirada.

"O meu objetivo era enviar uma mensagem para que todos pudéssemos caminhar na mesma direção, para sermos positivos. Tinha-me preparado para as críticas, mas mantive-me otimista em relação ao futuro. Consegui falar durante dois minutos, depois cortaram-me a palavra e as coisas descontrolaram-se muito rapidamente... Disseram-nos: 'Vocês os quatro têm de se demitir ou haverá guerra'. Os limites foram ultrapassados. Em 2023, um dirigente de qualquer clube não pode estar sujeito a estas ameaças. Não as aceito. Não tive medo, mas fiquei chocado, e não acho que isso seja normal. Não tinha o direito de falar. Eu não era o presidente do clube naquela reunião. Como é que se pode dialogar quando alguém quer provar a sua superioridade perante nós?", questionou Pablo Longoria.

Sob condição de anonimato, o diário local obteve uma versão dos adeptos que também estavam presentes.

"Não houve ameaças de morte, como ouvimos dizer, de modo algum! Foi apenas uma tática de pressão, como sabemos fazer em Marselha", disse um participante, sob condição de anonimato.

"Falámos de várias coisas, incluindo a gestão de Mandanda e Payet, bem como de Guendouzi e Sanchez. Falámos do início da época, da fraca qualidade do jogo e de algumas questões, como os problemas com a equipa feminina e o centro de treinos", acrescentou.

Além disso, os sete grupos de adeptos tinham uma série de queixas económicas, nomeadamente em relação às transferências.

"Criticámos Longoria pela política desportiva do clube, mas também por ter enriquecido com o Marselha, por ter feito comer os seus amigos ao colocá-los no lugar, por ter ficado com o dinheiro das transferências, etc. Ele respondeu-nos: 'Se acham que fiquei com 1 euro, deixo o clube'", acrescentou o adepto.

"Estava branco como um lençol, parecia um rapazinho a ser repreendido por adultos, e os outros nem sequer se mexeram. Não percebeu que, como Presidente, tem de impor a sua autoridade e dizer-nos para ficarmos no nosso lugar. Em vez disso, tremeu", acusou ainda.

Auditoria e acompanhamento psicológico

Confrontado com estas acusações, Longoria foi categórico.

"Na época passada, as insinuações de que eu tinha roubado dinheiro das transferências chegaram ao grupo McCourt. Para me proteger, tive de pedir ao grupo McCourt que todas as nossas operações fossem auditadas por uma empresa independente, para mostrar que éramos transparentes. Dei-lhes todas as minhas contas bancárias, os meus telefones, os meus e-mails, tudo. O resultado foi que estávamos limpos! Dei-lhes tudo, incluindo as conversas privadas com a minha mãe", contou.

Pablo Longoria confessou que chegou a chorar durante uma hora e a ter aconselhamento psicológico.

"Tudo o que eu disse fora do meu círculo de confiança saiu na imprensa. Houve insinuações sobre a minha família. Todos estes movimentos se baseiam em assustar as pessoas. Sabem quantas vezes passei por isto nos últimos meses? Muitas vezes. Foi também por isso que decidi abrir uma auditoria, porque queria dar confiança, para mostrar que não havia nada de errado. Apercebi-me de que as coisas tinham ido longe demais. Perguntámo-nos: onde está o limite? Na segunda-feira, apercebi-me de que as coisas tinham ido muito mais longe do que eu pensava. Começou com insinuações e chegou agora ao ponto das ameaças. Não posso aceitar isso, não posso ouvir: 'É assim que as coisas são em Marselha'. Foi por isso que dissemos na terça-feira: 'Nas condições actuais, é impossível trabalhar'. Agora já me entendem, não é? Não é normal que um presidente seja ameaçado. Ser criticado, sim, é para isso que nos pagam. Mas ser ameaçado...", concluiu o presidente demissionário.