Alex Costa (Amarante): "O grande fator diferenciador será a capacidade de gerir expectativas"

Alex Costa, treinador do Amarante
Alex Costa, treinador do AmaranteFPF, Flashscore

Após a conclusão das 180 partidas da fase regular da Liga 3, ficou definido o lote de oito equipas que seguem para a fase de apuramento de subida. No grupo Norte apuraram-se Vitória SC B, Amarante, Varzim e Trofense, enquanto no grupo Sul avançaram Belenenses, Mafra, Académica e União de Santarém.

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Em vésperas do arranque da fase de todas as decisões, o Flashscore ouviu os treinadores que vão lutar pela subida de divisão. Seguimos com Alex Costa, treinador do Amarante.

"Tenho um grupo de jogadores extraordinário"

- Alex, recordando o trajeto do Amarante até esta fase de subida: quando chega à equipa, na oitava jornada, o cenário era complicado. Como foi esse percurso até à qualificação?

Quando cheguei ao Amarante, a 17 de outubro, já tinham sido realizadas sete jornadas. Entrei para preparar a oitava e felizmente conseguimos vencer em casa o Paredes, num jogo extremamente difícil. Encontrámos uma equipa muito fragilizada emocionalmente, com apenas cinco pontos e em posição delicada na tabela.

Lembro-me bem que, após a oitava jornada, mesmo antes de entrarmos em campo, acabámos por cair para o último lugar, fruto de resultados de terceiros. Foi um momento de grande pressão. O tempo de trabalho era curto, por isso foquei-me no essencial: os jogadores. Criar laços, gerar uma energia diferente, definir objetivos claros, acreditar e trabalhar muito. Os jogadores acreditaram nessa ideia, os resultados começaram a aparecer e fortaleceram o grupo.

O caminho foi sendo construído passo a passo. Passámos de um sétimo lugar para terminar a primeira fase no segundo lugar, com os mesmos pontos do Vitória SC B. Isso deixa-me extremamente orgulhoso, feliz e confiante em relação ao futuro.

A forma recente do Amarante
A forma recente do AmaranteFlashscore

- Houve algum momento particularmente marcante que tenha ajudado a definir esta viragem da equipa?

Sim, identifico dois momentos interessantes. O primeiro aconteceu num dos primeiros treinos. A equipa estava a trabalhar bem, com boa energia, mas houve uma quebra clara de intensidade que não gostei. Tivemos ali um confronto positivo, no sentido de perceberem que, para sair daquela situação, teríamos de trabalhar todos os dias no limite, como se fosse sempre o último treino.

A partir daí, a equipa percebeu que só com exigência diária, energia alta e compromisso total seria possível crescer. O grupo respondeu de forma exemplar. Tenho um grupo de jogadores extraordinário e faço questão de dizer que o grande mérito desta recuperação é deles.

O segundo momento foi a única derrota que tivemos, frente ao Vitória SC B, em casa. Parámos, refletimos e percebemos que uma equipa com objetivos não pode claudicar duas vezes. Reagimos de imediato com uma grande vitória fora de casa, frente ao São João de Ver, e entrámos num ciclo muito positivo que se mantém até hoje.

"O clube tem vindo a crescer e a profissionalizar-se"

- Agora começa uma nova fase, com tudo a zero. O que muda nesta fase de subida?

Estamos na elite da Liga 3, com as oito melhores equipas do campeonato. Há um verdadeiro reset. Tudo o que fizemos até aqui vale apenas para termos direito a estar nesta fase. Agora é começar do zero, trabalhar ainda mais, exigir ainda mais, tanto interna como externamente. Vamos defrontar equipas muito fortes, algumas que já conhecemos, outras não. Queremos competir com os melhores, porque é assim que também crescemos.

- Nesta fase decisiva, o que vai pesar mais: o físico ou o mental?

Para mim, acima de tudo, o mental. A componente física é importante, claro, sobretudo em plantéis mais curtos, onde a gestão de lesões pode influenciar muito. Mas o grande fator diferenciador será a capacidade de gerir expectativas.

Ninguém sobe à quinta jornada, nem fica afastado da subida nessa altura. As equipas que sabem lidar com bons e maus momentos, que acreditam no processo e mantêm equilíbrio emocional, acabam por se aproximar dos lugares de acesso. Esse controlo emocional será decisivo.

Os próximos jogos do Amarante
Os próximos jogos do AmaranteFlashscore

- Fala-se sempre de favoritos nesta fase. Que papel pode ter o Amarante?

As oito equipas que aqui estão querem subir. Isso é claro e assume-se dentro de qualquer balneário. A diferença está na responsabilidade. Há clubes que, pelo orçamento, pelo peso histórico ou pelo projeto definido desde o início, carregam maior responsabilidade.

O Amarante não foge à ambição e a esse sonho. Vamos jogar cada jogo para ganhar. Sabemos que não temos a mesma responsabilidade de outros clubes, mas isso não nos impede de ter tanta ou até mais ambição. Vamos começar na Póvoa, frente a um adversário fortíssimo, com um único objetivo: conquistar os três pontos.

- Que leitura faz da evolução da Liga 3 enquanto competição?

A Liga 3 foi criada com o objetivo de aproximar clubes, jogadores e treinadores dos patamares profissionais, criando mais exigência, organização e visibilidade. E isso tem sido conseguido. É um campeonato muito atrativo, competitivo, com grande alternância de resultados, estádios cheios e forte acompanhamento mediático. Vemos equipas da Liga 3 a competir de igual para igual com clubes da Liga, como aconteceu com o Fafe, e isso diz muito sobre a qualidade da competição.

Para clubes como o Amarante, é um privilégio estar regularmente presente nas fases decisivas. O clube tem vindo a crescer, a profissionalizar-se e a preparar-se melhor para o futuro. A Liga 3 é, claramente, um campeonato que promove o desenvolvimento do futebol português.

Jogadores do Amarante em comunhão com os adeptos
Jogadores do Amarante em comunhão com os adeptosAmarante FC

"O Amarante é um clube muito acarinhado pela sua gente"

- A nível pessoal, como está a viver este regresso à competição?

Com muito equilíbrio. O treinador é apenas uma peça de um projeto. Nem é o único responsável quando se ganha, nem quando se perde. Quis muito voltar a treinar e o Amarante foi uma escolha clara. Sabia que ia encontrar um clube sério, uma estrutura sólida e um grupo humano forte. Foi um risco calculado, mas estou muito feliz. Vou trabalhar todos os dias com alegria, liderando um grupo fantástico, e quero desfrutar deste momento e continuar a dar alegrias aos nossos adeptos e à nossa cidade.

- Por fim, uma palavra para os adeptos do Amarante nesta fase tão especial. O que podem esperar de vocês?

O Amarante é um clube muito acarinhado pela sua gente. É uma região que gosta de futebol e que acompanha a equipa. Desde que chegámos, traçámos o objetivo de aproximar ainda mais os adeptos do grupo, e isso tem sido conseguido.

No último jogo fora, em Paredes, tivemos centenas de adeptos a apoiar-nos. Tenho a certeza de que nesta fase final vão continuar connosco, a encher as bancadas. É gente de trabalho e que se identifica com os valores do clube. Se o Amarante ainda não chegou aos campeonatos profissionais, acredito que chegará. Não sei quando, mas tenho a certeza de que acontecerá. O clube, a cidade e as pessoas que o lideram estão no caminho certo.

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Entrevista de Rodrigo Coimbra
Entrevista de Rodrigo CoimbraFlashscore