Acompanhe a Académica no Flashscore
Em vésperas do arranque da fase de todas as decisões, o Flashscore ouviu os treinadores que vão lutar pela subida de divisão. Seguimos com António Barbosa, treinador da Académica de Coimbra.
"Ultrapassámos um recorde que já durava há 21 anos na história da Académica"
- Como avalia o trajeto da Académica até ao acesso à fase de subida?
A Académica começou esta época mais tarde do que as restantes equipas, muito por força do processo eleitoral e também da necessidade de assegurar a manutenção e a constituição do plantel. Conseguimos manter apenas três jogadores da época anterior e entrámos no mercado muito tarde. Aliás, penso que à sétima jornada ainda não tínhamos o plantel totalmente fechado, o que dificultou bastante o recrutamento de jogadores que fossem ao encontro daquilo que pretendíamos.
O início do campeonato foi exigente. Em alguns jogos poderíamos ter conquistado mais pontos, mas, apesar das dificuldades, fomos conseguindo algum sucesso desportivo. A partir de certa altura, aquilo que nos marcou foi a regularidade: a equipa passou a produzir muitas situações ofensivas, a conceder poucas oportunidades aos adversários e isso permitiu-nos somar pontos de forma gradual e consistente.
Ultrapassámos inclusive um recorde que já durava há 21 anos na história da Académica, o que é sempre algo simbólico. Esse percurso foi o reflexo da consistência que mantivemos nos últimos jogos até garantirmos o acesso ao playoff de subida.

- Houve algum momento particularmente decisivo nesta caminhada ou foi sobretudo essa consistência que refere?
Creio que foi essencialmente a consistência. Estamos a falar de um grupo novo e, em tão pouco tempo, não é fácil ligar pessoas, criar relações e identidade coletiva. Apesar da qualidade individual dos jogadores, o grande desafio foi conseguir que a equipa funcionasse como um todo, de forma regular e consistente.
Essa capacidade de produzir jogo ofensivo, aliada à solidez defensiva, levou-nos a alcançar o primeiro objetivo da época, que foi assumido publicamente pelo presidente: terminar nos quatro primeiros lugares. Houve momentos de maior dúvida ao longo do percurso, mas a força do grupo, a união e a liderança dos capitães foram determinantes para ultrapassar essas fases e chegar onde chegámos.
"Não somos a equipa com maior responsabilidade"
- Segue-se agora a fase de subida. O que espera desta nova etapa da competição?
Espero uma fase extremamente competitiva e equilibrada. Todos os jogos serão muito disputados, frente a equipas com grande capacidade económica e que, muitas delas, assumiram desde o início o objetivo claro de subir de divisão.
Apesar das diferentes abordagens táticas e estratégicas, todas as equipas vão entrar em campo com a mesma ambição: vencer. Será uma fase marcada pela proximidade nos resultados, pelo equilíbrio e por uma elevada qualidade individual das equipas presentes nesta etapa final.
- Esta fase exige alguma alteração na preparação da equipa, a nível físico ou mental?
Acho que todas as dimensões são importantes. Quem conseguir ser mais consistente, regular e eficaz - tanto no treino como no jogo - estará mais perto de vencer.
Não prevemos alterações significativas naquilo que temos vindo a fazer. Sempre encarámos cada jogo como decisivo e vamos continuar com esse foco. A equipa está altamente concentrada, bem liderada, consciente do clube que representa e da oportunidade que tem pela frente. O mais importante é manter aquilo que temos feito bem e encarar esta fase jogo a jogo.

- Fala-se muito de favoritos nesta fase. Onde coloca a Académica nesse cenário?
A Académica é uma equipa ambiciosa e vai entrar em todos os jogos para ganhar, como tem feito desde o início da época. No entanto, não somos a equipa com maior responsabilidade. Essa responsabilidade pertence àquelas que fizeram uma forte aposta financeira e que se assumiram como candidatas à subida desde o início.
Vamos competir com grande ambição, respeito pela nossa história e realismo, sabendo que há equipas que, pelo investimento feito, partem como principais candidatas. A nossa identidade será sempre a mesma: lutar pela vitória em cada jogo.
- Que balanço faz desta época da Liga 3 no seu todo?
A Liga 3 está a cumprir os objetivos para os quais foi criada. A ideia era ter uma terceira divisão nacional altamente competitiva, capaz de preparar as equipas para o salto para a Segunda Liga, e isso está a acontecer.
A competitividade aumentou de forma clara. Nota-se no equilíbrio das séries, particularmente na Série Norte, onde vários clubes chegaram às últimas jornadas ainda a lutar pelos lugares de acesso. Em termos de jogo, há menos tempo útil e mais interrupções, o que torna o espetáculo menos atrativo do que no início da Liga 3, mas essa aproximação entre a Liga 3 e a Liga 2 também contribui para esse cenário.
Ainda assim, a valorização de jogadores e treinadores tem sido evidente. A maior divulgação mediática, nomeadamente através do Canal 11, torna a competição mais acessível e aumenta as oportunidades para todos subirem patamares competitivos.

"O futebol faz sentido com adeptos"
- A nível pessoal, como está a viver esta segunda época em Coimbra e a chegada à fase de subida?
Tivemos a possibilidade de garantir o acesso duas jornadas antes do fim, o que nos permitiu fazer uma retrospetiva do percurso. Em termos desportivos, foram duas épocas de grande sucesso, mesmo não tendo alcançado o objetivo na primeira.
Destaco a consistência do trabalho, a promoção de jogadores, a criação de uma cultura vencedora e de uma identidade de jogo que entusiasma os adeptos. Em dois anos consecutivos fomos o melhor ataque do país, algo que não acontece por acaso.
Tudo isto foi possível graças ao apoio das direções, que criaram condições dentro das limitações existentes, a um excelente grupo de jogadores, bem liderado, e a uma equipa técnica que procura diariamente encontrar soluções. Quando todos estão alinhados, a Académica consegue ser ambiciosa em tudo o que faz.
- Que mensagem deixa aos adeptos nesta fase decisiva?
Antes de mais, agradecer todo o apoio demonstrado até agora - fora de casa, na Tapadinha, em Santarém, e sobretudo no nosso estádio. O futebol faz sentido com adeptos, com emoção e paixão, e isso é algo que sentimos todos os dias ao representar a Académica.
O que posso garantir é que esta equipa dará sempre o máximo em todos os jogos. Queremos continuar a sentir o apoio dos adeptos e prometemos entrega total, compromisso e ambição em cada partida. É isso que sabemos fazer e é isso que vamos continuar a fazer.
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