Acompanhe o Trofense no Flashscore
Em vésperas do arranque da fase de todas as decisões, o Flashscore ouviu os treinadores que vão lutar pela subida de divisão. Seguimos com Renato Coimbra, treinador do Trofense.
"Foi um percurso duro, mas estamos muito satisfeitos"
- Qual o balanço que faz desta primeira fase da competição?
Sabíamos desde o início que a série seria muito competitiva e difícil, com equipas fortes como o Fafe, o Paredes, entre outras, que não se conseguiram apurar. Além disso, também tivemos um arranque exigente, porque houve mudanças ao nível diretivo.
Ainda assim, entrámos bem no campeonato e o apuramento acabou por ser construído sobretudo na primeira volta, que foi muito positiva e na qual somámos apenas uma derrota. Na segunda volta, com o aproximar do fim da fase regular, as equipas começaram a pontuar mais e nós, em particular, não fomos tão competentes em casa como devíamos.
Só garantimos o apuramento na última jornada, o que mostra bem o grau de dificuldade. Foi um percurso duro, como antecipávamos, mas estamos muito satisfeitos por termos conseguido alcançar o objetivo.
- Houve algum momento particularmente marcante ou decisivo nesta caminhada?
Houve um momento importante quando, depois de termos perdido alguns pontos em casa, enfrentámos uma dupla jornada fora: Fafe e Varzim. Olhámos para o calendário e percebemos que as coisas podiam complicar-se seriamente. A equipa reagiu da melhor forma e conseguiu duas vitórias consecutivas em dois campos muito difíceis, somando seis pontos quando, provavelmente, pouca gente esperava. Essa dupla jornada foi decisiva para o Trofense conseguir o apuramento.

"Liga 3 já tem uma dinâmica completamente profissional"
- Agora começa tudo do zero, juntando-se as equipas do Sul. O que espera desta fase de subida?
Espero uma fase de subida muito competitiva. Vai ser um bom campeonato, com equipas fortes, e antevejo muitas dificuldades para nós, sobretudo pelo valor dos adversários. Ao mesmo tempo, queremos que também sintam que é difícil jogar contra o Trofense e que não será fácil conquistar pontos frente a nós. Há equipas que, do meu ponto de vista, partem com maior capacidade e maior responsabilidade. Nós não nos consideramos favoritos, mas nesta fase só temos um objetivo: lutar todos os domingos pelos três pontos, somar o máximo possível e, se percebermos que temos condições para discutir a subida, esse objetivo nunca será abandonado.
- O que é mais determinante nesta fase: o físico ou o mental?
As duas dimensões estão ligadas. Em termos físicos, acredito que as equipas vão apresentar níveis equilibrados, porque hoje todas trabalham bem e as equipas técnicas são competentes. A nível mental, sim, será determinante. Os jogos vão decidir-se por pormenores e, com o passar das jornadas e dos minutos, vai ser preciso manter uma concentração muito alta. A qualidade individual continua a decidir muito, mas a componente mental pode ser o fator que faz a diferença nos momentos-chave.
- O que podemos esperar do Trofense nesta fase, num contexto em que se fala tanto de favoritos e candidatos?
Podem esperar uma equipa que vai lutar pelos três pontos em todos os jogos, em casa e fora, e que vai tentar ter argumentos para isso. Para nós, este é um desafio enorme, porque vamos defrontar equipas muito fortes e com projetos claramente orientados para a subida. Mas quero ser claro: nós queremos subir. Mas querer não chega, pois é preciso ter capacidade para isso. O grande desafio é perceber se teremos potencial para competir até ao fim por esse objetivo.

Entramos nesta fase para competir e para tentar andar nos lugares cimeiros. Sabemos, ao mesmo tempo, que há clubes que foram construídos com o objetivo assumido de subir e com outros recursos. Ainda assim, não vamos para “desfrutar”: vamos para lutar, com ambição, mas também com realismo.
- Que análise faz da Liga 3 enquanto competição?
Apesar de formalmente apenas a Primeira e a Segunda Liga serem consideradas profissionais, para mim a Liga 3 já tem uma dinâmica completamente profissional: organização, arbitragem, estruturas, planeamento e qualidade das equipas. É uma competição bonita, cada vez mais competitiva, com mais visibilidade, e onde surgem jogadores que depois dão o salto para o futebol profissional. Também vemos treinadores que passaram pela Liga 3 e chegaram à Primeira Liga. Esta fase de subida, em particular, dá ainda mais exposição ao clube, aos jogadores e a quem trabalha diariamente.

"É importante que o Trofense volte a estar ligado à cidade"
- A nível pessoal, como está a viver este momento da carreira?
Estou a viver com muito entusiasmo. Fiz um percurso longo e sustentado, sem passar por cima de ninguém, com muitos anos no futebol distrital, e sempre que subi de patamar foi porque subi de divisão. Quando cheguei ao Campeonato de Portugal foi por subida. Quando cheguei à Liga 3 foi também por subida. Olho para o meu percurso com humildade, mas com orgulho, porque sinto que cheguei até aqui exclusivamente pelo meu trabalho. Isso dá-me liberdade e tranquilidade: não devo favores a ninguém. E sim, ambiciono chegar ao futebol profissional, mas sempre por mérito próprio.
- Para terminar, que mensagem deixa aos adeptos do Trofense?
O Trofense está num processo de reestruturação, administrativa e financeiramente. Houve um período em que o clube viveu um momento alto, com a passagem pela Primeira Liga, mas depois sentiu-se algum afastamento e desilusão por parte de muita gente.
O trabalho que estamos a tentar fazer é o de reconstruir essa ligação com a cidade e com os adeptos: criar uma equipa com a qual a Trofa se identifique e que represente os valores dos trofenses. Sentimos que já há mais gente a acompanhar-nos, em casa e fora, embora saibamos que ainda estamos longe do que o clube já conseguiu ter.
Aos que têm estado connosco, o agradecimento é grande. E o apelo é simples: que continuem a acreditar, porque este pode ser o início de coisas melhores. É a primeira vez que o Trofense chega à fase de subida da Liga 3 e queremos que isto seja um ponto de partida para uma nova etapa do clube, mas para isso é importante que o Trofense volte a estar ligado à cidade e que os adeptos voltem a caminhar connosco.
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