Feminino: Jogadoras do Sporting conviveram com crianças do projeto Young Birds, da Cruz Vermelha Portuguesa

Jogadoras do Sporting conviveram com crianças da EB 2,3 Pintor Almada Negreiros, na Alta de Lisboa
Jogadoras do Sporting conviveram com crianças da EB 2,3 Pintor Almada Negreiros, na Alta de LisboaSporting CP

O projeto Young Birds, da Cruz Vermelha Portuguesa, contou na quarta-feira contou com a ajuda do futebol feminino do Sporting para proporcionar uma tarde diferente e especial às suas crianças - desde migrantes e refugiados a jovens em contextos desfavorecidos e com necessidades especiais.

As futebolistas Ashley Barron, Anna Wellmann, ⁠Brittany Raphino, ⁠Mackenzie Cherry e ⁠Samara Lino visitaram a EB 2,3 Pintor Almada Negreiros, na Alta de Lisboa, para conhecer e interagir com um grupo de 30 crianças oriundas de países tão diferentes, como Índia, Afeganistão, Angola, Brasil, Paquistão, mas também de Portugal, entre outros.

Trocaram-se histórias, vivências e, claro, fotografias e autógrafos, porque leoas e Young Birds partilham, acima de tudo, a paixão pelo futebol, desporto que o projecto usa para ajudar a integrar e capacitar os seus jovens.

"O futebol tem uma linguagem universal, aproxima e é inspirador. É um instrumento muito importante e tem uma grande responsabilidade", destacou Paulo Mota, fundador e líder do Young Birds, em declarações aos meios de comunicação do Sporting. Por isso, a oportunidade de juntar as jogadoras leoninas às suas crianças num jogo – com duas bolas gigantes que não podiam cair ao chão – era imperdível e foi um sucesso completo, tal foi o entusiasmo que tomou conta do pavilhão escolar.

"Em redor de uma bola torna-se tudo mais fácil e tudo fica mais fácil, também, quando toda a gente coopera. Há duas palavras que têm de ser essenciais nos dias de hoje: empatia e compaixão. À volta daquela bola não houve barreiras, era simplesmente um grupo de pessoas a jogar e a cooperação resume aquilo que temos de fazer", explicou sobre o momento mais lúdico da tarde.

"Honestamente, acho que saio com os braços bastante cansados (risos). Não estava preparada para tanta acção com bola! Foi muito divertido", disse, por sua vez, Mackenzie Cherry, defesa do Sporting, rendida ao momento vivido na Alta de Lisboa e promovido pela Fundação Sporting em conjunto com a Cruz Vermelha.

"Foi uma tarde realmente bem passada. Pudemos falar e conhecer muitos miúdos, trocámos as nossas histórias e, por isso, foi refrescante perceber o quanto gostamos de desporto e quanto é que isso nos tem dado. Eles tiveram vidas difíceis e isso muda a nossa perspectiva em relação ao que nós conseguimos e fizemos", considerou a central de 26 anos.

Foi “muito positivo”, corroborou, a seguir, a sua colega Samara Lino: "É muito importante que haja projectos assim, em que as crianças possam ver o desporto como uma maneira de conseguirem encontrar soluções para as suas vidas".

"Ao contactarmos de perto com estas realidades faz-nos pensar que o futebol é muito pequeno comparativamente à vida, mas poder usá-lo para ajudar as pessoas é o mais importante", frisou a centrocampista de 27 anos, concluindo: "São uma inspiração para nós e acho que nós também o somos para eles".

E entre a alegria dos muitos jovens presentes, Zareen Daraqshah e Amir Qasemi foram os porta-vozes disso mesmo, num português irrepreensível, após a tarde de partilha e diversão vivida lado a lado com as jogadoras do Sporting.

"Foi uma experiência diferente. Gostei muito de falar com elas e, por isso, queria dizer-lhes obrigado por terem estado connosco", disse a jovem indiana de 16 anos, secundada pelo pequeno Amir, de 12.

"Sou do Sporting e, por isso, gostei muito de as ter aqui", atirou o jovem vindo do Afeganistão há quatro anos. "Eu fiz-lhes perguntas de futebol. Quero continuar a jogar e ser o melhor jogador do mundo", acrescentou.

Ambos coincidem, ainda, na importância que o projecto Young Birds tem tido na sua nova vida por cá. "Estou em Portugal há sete anos e, desde aí, a minha vida mudou. Gosto muito deste projeto, porque ensinou-me muitas coisas", valorizou Zareen.

"O início foi muito difícil, não conhecíamos a língua, era difícil até ir ao supermercado, mas agora é tudo mais fácil. Fiz muitos amigos aqui", contou, por seu turno, o mais novo.

O projecto começou em 2020 “com um pequeno grupo de jovens do Afeganistão”, explicou o fundador Paulo Mota, e a evolução tem sido crescente em todos os níveis.

"Havia a dificuldade da língua e tinham saído de casa aos 13 anos, eu era educador e achei que o futebol era uma boa ferramenta a trabalhar com eles. Fizemos uma equipa com seis jovens, entrámos numa prova, a Community Champions League e no primeiro ano ganharam uma liga de prata e foi-nos atribuído o prémio Futebol para Todos da FPF", lembrou.

Agora, o projecto já está em quatro escolas em Lisboa, soma seis equipas desportivas – também já com voleibol – e conta com cerca de 140 participantes. "É feito para eles e construído por eles", acrescentou o responsável, agradecendo também a ligação que tem sido reforçada junto do Sporting.

"A parte social do vlube tem sido extremamente importante", justificou. Já no ano passado o emblema de Alvalade e a Fundação Sporting promoveram um encontro com este projecto.

Para encerrar a tarde da melhor maneira, as atletas leoninas distribuíram brindes pelas crianças como recordação do momento partilhado, mas os Young Birds também surpreenderam a Fundação Sporting ao oferecerem uma pintura da sua autoria como forma de agradecimento.