Análise: Comparação entre Elliot Anderson e Carlos Baleba, alvos do Manchester United

Elliot Anderson, do Nottingham Forest, pressionado por Christantus Uche
Elliot Anderson, do Nottingham Forest, pressionado por Christantus Uche Every Second Media, Every Second Media / Alamy / Profimedia

O facto de o Manchester United não ter entrado de forma significativa no mercado de transferências de janeiro dificilmente surpreendeu alguém.

Deixando de lado, por um momento, os aspetos financeiros de qualquer transferência, é evidente que os Red Devils têm mesmo de pôr ordem na casa, nomeadamente decidir quem vai ocupar o banco a partir da próxima época, antes de tomarem decisões sobre o futuro da equipa principal.

Fazer um balanço é uma decisão sensata do United

Basta recuar uma mudança de treinador para recordar que Erik ten Hag teve a oportunidade de contratar novos jogadores antes de ser despedido, o que fez com que Ruben Amorim herdasse alguns elementos do plantel que claramente não desejava.

Como Ruben Amorim acabou por ter o mesmo destino do seu antecessor, Jason Wilcox e Omar Berrada – e, por associação, Sir Jim Ratcliffe – não podiam ser vistos a oferecer recursos a Michael Carrick sem terem a certeza absoluta de que ele continuaria a liderar a equipa no início da época 2026/27.

Atendendo ao arranque de Carrick nesta sua segunda passagem como interino em Old Trafford, colocou-se certamente na corrida pelo cargo de forma definitiva, embora ele próprio, como qualquer outro, compreenda a necessidade de cautela nesta fase.

Como já referiu o especialista em transferências do Flashscore, Dean Jones, o clube tem, no entanto, de estar atento a quem poderá estar disponível no mercado no verão e às condições associadas a qualquer eventual transferência.

Contratar um médio é obrigatório

Há muito que se identificaram várias áreas do plantel que precisam de ser reforçadas, sendo uma delas o meio-campo.

Bruno Fernandes, apesar de todo o brilhantismo desde que chegou ao clube, não fica mais novo, e a perspetiva de um último grande contrato, talvez na Arábia Saudita, é algo que já não pode ser descartado como irrelevante.

Se o internacional português, que terá 32 anos no início da próxima época, receber uma proposta financeira incomparável, seria imprudente da sua parte rejeitá-la de imediato.

Independentemente de ficar ou sair, o United tem sentido falta de um médio-defensivo capaz de avançar no terreno, como Bryan Robson ou Roy Keane faziam nos Red Devils.

Ugarte e Mainoo não são a solução

As expectativas em torno de Manuel Ugarte eram elevadas, mas acabou por desiludir, e Kobbie Mainoo é mais um médio ofensivo, apesar de, por vezes, mostrar qualidade em funções mais recuadas.

Por isso, os rumores que ligam Carlos Baleba (Brighton) e Elliot Anderson (Nottingham Forest) ao Manchester United não são infundados.

Ambos os jogadores destacam-se defensivamente, não têm receio de disputar lances duros e conseguem percorrer o relvado durante 90 minutos, se necessário.

Como se comparam Anderson e Baleba?

Para começar, têm idades semelhantes, sendo Baleba (22) ligeiramente mais novo do que Anderson (23). Se as lesões não atrapalharem, ainda estão longe do auge, o que pode ser positivo para o United, caso consiga contratar um deles.  

Nenhum deles é conhecido pela veia goleadora, mas os três golos e oito assistências de Anderson em 72 jogos pelo Forest comparam-se favoravelmente com os quatro golos e duas assistências de Baleba em 99 jogos pelos Seagulls.

Radar de Carlos Baleba na Premier League 2024/25
Radar de Carlos Baleba na Premier League 2024/25Opta by Stats Perform

Não admira que Anderson tenha, recentemente e com algum atraso, recebido reconhecimento internacional por parte de Inglaterra.

Durante o seu percurso nos Tricky Trees, 907 dos seus 1143 passes para a frente chegaram ao destino no último terço, e as suas arrancadas resultaram em 175 ocasiões distintas em que conseguiu pelo menos 10 ou mais conduções progressivas, quebrando linhas adversárias e ajudando o Forest a avançar no terreno.

Uma percentagem de passes completos que nunca desceu abaixo dos 81% no City Ground é impressionante, tal como o facto de ter vencido 110 dos 174 desarmes tentados. 

A tenacidade de Anderson também lhe permitiu recuperar a posse de bola em impressionantes 466 ocasiões, mostrando a sua vontade de nunca deixar um adversário direto confortável com a bola.

Radar de Elliot Anderson na Premier League 2024/25
Radar de Elliot Anderson na Premier League 2024/25Opta by Stats Perform

Outro aspeto em que raramente é elogiado é o jogo aéreo, já que também venceu 103 dos 169 duelos de cabeça disputados. Como jogador completo, Anderson preenche todos os requisitos, mas Baleba também não fica atrás.

Finanças e vontade do jogador vão decidir?

Reconhecido pela sua força física e capacidade de manter a posse mesmo sob pressão intensa, perdeu apenas 77 dos 169 desarmes tentados ao serviço do Brighton.

Os 802 duelos individuais disputados são mais uma prova do seu espírito combativo, embora ainda esteja atrás dos 936 de Anderson neste capítulo. 

Curiosamente, ambos apresentam uma taxa de sucesso quase idêntica neste aspeto do jogo.

Outro que raramente desiste de um lance, Baleba soma 401 recuperações de bola, tal como 181 ocasiões em que conseguiu 10 ou mais conduções progressivas.

Também ele é o motor da sua equipa, tendo completado 2660 passes em 2997 tentados durante os jogos.

É evidente, portanto, que ambos continuam a destacar-se nas várias vertentes do papel que o United irá exigir.

Qualquer eventual transferência dependerá, naturalmente, das finanças e da preferência do jogador, mas se a Liga dos Campeões for o objetivo declarado do clube – e se o conseguirem alcançar –, tanto o Brighton como o Forest terão dificuldades em convencer os seus jogadores a permanecer.

Jason Pettigrove
Jason PettigroveFlashscore