Recorde as incidências da partida

O Benfica entrava para a última jornada da fase de liga da Liga dos Campeões obrigado a vencer o poderoso Real Madrid, sabendo que nem mesmo um triunfo garantiria, por si só, o apuramento para o play-off de acesso aos oitavos de final da prova milionária.
Com esse cenário em mente, José Mourinho geriu o plantel no compromisso anterior frente ao Estrela, poupando algumas peças-chave, e apresentou uma equipa na máxima força para a receção aos merengues, numa noite que exigia intensidade máxima desde o primeiro minuto.
Loucos 45 minutos
Muito intenso, agressivo na pressão e veloz nas transições ofensivas, o conjunto encarnado assumiu o jogo e criou várias ocasiões claras para inaugurar o marcador na Luz.
Logo aos sete minutos, na sequência de um canto, um lance confuso na área quase terminou com golo, com Tomás Araújo a ficar muito perto de marcar. Pouco depois, aos 14’, Pavlidis não conseguiu dar a melhor resposta a um cruzamento vindo da direita, pressionado por Asencio. O avançado grego voltaria a estar em destaque aos 17’, obrigando Courtois a uma defesa apertada, pouco antes do vídeo-árbitro (VAR) ajudar o juiz da partida a reverter uma grande penalidade que tinha sido assinalada a fvor do Benfica.
Aos 21 minutos, Prestianni ficou também ele muito perto do golo, mas voltou a encontrar um inspirado Courtois, que realizou uma defesa de enorme dificuldade. O Real Madrid apenas conseguiu o seu primeiro remate aos 26’, por intermédio de Arda Güler, numa fase em que o Benfica controlava o encontro.
Apesar do domínio encarnado, foi a equipa espanhola a adiantar-se no marcador. Aos 30 minutos, Asencio cruzou da direita e Mbappé apareceu na área para finalizar, aproveitando uma abordagem menos eficaz de Dedic na marcação.
A resposta do Benfica não tardou. Depois de nova ameaça do Real Madrid, com Asencio a cabecear para defesa segura de Trubin aos 34’, Pavlidis voltou a ser decisivo. Aos 37’, o avançado ganhou no duelo com Asencio e serviu Schjelderup, que de cabeça restabeleceu a igualdade no marcador.
Até ao intervalo, o Benfica manteve a pressão. Aos 40’, Schjelderup esteve perto do golo, com Courtois fora da baliza, mas acertou em Valverde. Seguiram-se novas oportunidades desperdiçadas: Barreiro cabeceou ao lado aos 41’ e, já aos 43’, Dedic obrigou Courtois a mais uma intervenção segura.
Já em tempo de compensação, aos 45+4 minutos, o Benfica completou a reviravolta. Tchouaméni travou Otamendi dentro da área de forma irregular e o árbitro não hesitou em apontar para a marca dos 11 metros. Chamado a assumir a responsabilidade, Pavlidis foi eficaz e redimiu-se do penálti desperdiçado em Turim, colocando o Benfica em vantagem antes do descanso.
Ao intervalo, as águias somavam nove pontos, mas surgiam no 27.º lugar da classificação, ainda fora da zona de acesso ao play-off, apesar de uma exibição muito positiva frente a um dos favoritos à conquista da prova.

Agarrados ao Flashscore
O Benfica entrou na segunda parte com a mesma ambição e voltou a criar perigo logo aos 52 minutos, quando Pavlidis obrigou Courtois a nova defesa atenta. O aviso tornou-se realidade pouco depois. Aos 55’, Schjelderup voltou a fazer a diferença: o norueguês recebeu no corredor esquerdo, desequilibrou no duelo com Asencio e finalizou de forma certeira, colocando novamente o Benfica em vantagem.
Apesar do golo, a situação classificativa continuava a ser desfavorável para as águias, que nessa altura estavam fora do play-off por terem menos golos marcados do que o Marselha, numa noite em que todas as atenções se dividiam entre o relvado da Luz e a classificação atualizada ao minuto.
O Real Madrid, porém, mostrou mais uma vez que não precisa de muito para ser eficaz. Aos 58 minutos, Arda Güler passou por dois adversários e serviu Mbappé, que bisou no encontro e voltou a empatar a partida.
A incerteza manteve-se até aos 64 minutos, altura em que o Benfica regressou, ainda que provisoriamente, à zona de play-off, beneficiando do empate sofrido pelo Olympiacos. A partir daí, a equipa encarnada jogou não apenas contra o Real Madrid, mas também contra as constantes alterações da classificação, acompanhadas com atenção nos bancos e nas bancadas.
O cenário voltou a complicar-se aos 74 minutos, com os golos do Olympiacos e do PSV, que empurraram novamente o Benfica para fora dos lugares de acesso à fase seguinte. Ainda assim, as águias não desistiram e continuaram à procura do golo que podia mudar tudo.
Trubin manteve o Benfica vivo aos 78 minutos, ao negar o golo a Rodrygo com uma defesa segura, antes de, já aos 84’, Courtois voltar a assumir o papel de protagonista, com uma intervenção extraordinária a um remate de Barreiro, num lance que poderia ter garantido desde logo o apuramento encarnado.
Já em tempo de compensação, aos 90+2 minutos, Asencio foi expulso por acumulação de cartões amarelos, deixando o Real Madrid reduzido a dez unidades e abrindo a porta a uma derradeira ofensiva. Quando tudo parecia encaminhar-se para o empate insuficiente, José Mourinho mandou Trubin subir à área adversária e, aos 90+8 minutos, o guarda-redes ucraniano tornou-se herói improvável ao marcar o golo que selou o apuramento do Benfica para o play-off da Liga dos Campeões, num final absolutamente épico na Luz.
Melhor em campo Flashscore: Schjelderup (Benfica)
