Acompanha aqui o relato do Bodo/Glimt-Inter
Odin Bjortuft disputou os 90 minutos nos jogos do Bodo/Glimt na Liga dos Campeões frente à Juventus, Manchester City e Atletico Madrid, sendo peça-chave no sistema defensivo de pressão alta e posse de bola, em que lhe foi pedido para minimizar a influência de avançados como Erling Braut Haaland, Julian Álvarez e outros.
Se ninguém duvida do potencial ofensivo do Bodo/Glimt, a equipa do Ártico desenvolveu uma nova dimensão ao seu jogo nesta campanha da Liga dos Campeões, evoluindo gradualmente para um conjunto mais sólido defensivamente sob a orientação do treinador Kjetil Knutsen, combinando a intensidade habitual com maior disciplina e organização tática.
No centro dessa evolução está o defesa-central de 27 anos do Bodo/Glimt, Bjortuft, que tem sido um pilar na organização da retaguarda norueguesa, resistindo nos duelos decisivos frente ao Manchester City e ao Atlético Madrid.
Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, Bjortuft explica como as grandes equipas têm mais respeito e se preparam melhor para defrontar o Bodo nas condições árticas. Partilha ainda uma perspetiva interessante sobre os triunfos expressivos frente ao City e ao Atlético, o que é marcar individualmente o compatriota Haaland e as razões para a melhoria do registo fora de casa do Bodo.
Por fim, aborda os desafios de defrontar o líder da Serie A, o Inter, no play-off da Liga dos Campeões e o que a ascensão do Bodo/Glimt tem significado para a cidade e para a região.

- Os jogos frente ao Manchester City e ao Atlético Madrid realizaram-se durante a pausa do campeonato nacional. Foi uma vantagem ter mais tempo de descanso ou tornou-se mais difícil por não estarem no ritmo habitual de competição?
Acho que teve aspetos positivos e negativos. Prefiro jogar regularmente e manter o ritmo competitivo, e essa é uma das dificuldades que enfrentamos devido à forma como a nossa época está estruturada. Mas, ao mesmo tempo, temos o privilégio de dispor de muito tempo para preparar os jogos contra adversários diferentes, e isso é claramente uma grande vantagem quando defrontamos equipas na Liga dos Campeões que, em teoria, são muito superiores a nós.
- Como reagiram os jogadores do City e do Atlético ao jogar dentro do Círculo Polar Ártico em janeiro, com temperaturas geladas?
As equipas vêm mais preparadas quando chegam agora a Bodo. Há uns anos, as equipas europeias vinham sem saber o que esperar e não estavam tão bem preparadas.
Agora, quando cá chegam, já sabem o que as espera, também em relação às condições meteorológicas, por isso a vantagem de jogar em casa já não é tão grande como era antes. As grandes equipas que nos defrontam têm muito mais respeito ao vir aqui do que no passado e sabem que podem encontrar um teste muito exigente.
A história do Bodo/Glimt tem sido amplamente divulgada nos meios de comunicação desde que chegámos à meia-final da Liga Europa e nos qualificámos para a Liga dos Campeões, por isso as grandes equipas já nos conhecem bem e já não dão nada como garantido.
- Quais foram as principais razões para as vitórias impressionantes frente ao City e ao Atlético?
Foram, naturalmente, dois jogos diferentes porque, taticamente, o Manchester City e o Atlético Madrid estão organizados de formas muito distintas. Mas, no geral, a estrutura da equipa, sobretudo a nível defensivo, funcionou muito bem nesses encontros.
Em jogos anteriores, parecíamos mais vulneráveis na defesa. Ambas as equipas têm um poder ofensivo incrível, com jogadores como Haaland e (Antoine) Griezmann, por isso tivemos de estar extremamente bem organizados defensivamente para aguentar a pressão.
- Quais foram as indicações de Kjetil Knutsen antes desses jogos? Mudaram a abordagem de alguma forma?
O Kjetil Knutsen quer que confiemos nas nossas capacidades, que sejamos corajosos e acreditemos que podemos competir com estas equipas e jogadores. Para ele, o mais importante é transmitir que não temos nada a temer. Talvez, para quem está de fora, pareça diferente, mas dentro do grupo temos uma enorme confiança em nós próprios e acreditamos que é merecido termos chegado a esta fase da competição.
- Quão difícil foi marcar Erling Haaland, provavelmente o único do City habituado a este tipo de condições no norte da Noruega?
Pelo menos para os noruegueses, o Erling Haaland é o melhor avançado do mundo. É um grande desafio ter de marcar um jogador como ele, estar sempre atento para o controlar; basta um pequeno deslize defensivo e já o perdemos de vista.
Mas a forma como nos organizámos não deixava a responsabilidade apenas num jogador. Tínhamos cobertura, e o trabalho coletivo defensivo tornou tudo muito mais difícil para ele. Foi muito especial e divertido jogar contra um futebolista desse nível, e é certamente uma experiência que vai ficar comigo.

- Conte-nos como foram as celebrações após as vitórias frente ao City e ao Atlético. Houve algo especial planeado?
É um pouco assustador como as celebrações se tornaram normais depois dessas vitórias. Claro que foi um feito enorme para o clube vencer adversários tão grandes, mas talvez as celebrações não tenham refletido totalmente isso.
Na verdade, não houve uma celebração. Tivemos uns dias de folga e depois voltámos imediatamente ao trabalho. Queremos sempre alcançar o próximo objetivo, por isso talvez não haja tanto foco nas celebrações, mas sim em ultrapassar o próximo obstáculo.
- Toda a gente já percebeu a vossa força em casa. Mas agora também começam a conseguir resultados muito promissores fora. Quais são, para si, as principais razões para isso?
Acho que também está relacionado com a experiência. É aprender a manter a calma nessas situações, quando se está num estádio enorme, com uma multidão hostil contra nós e a jogar frente a jogadores de classe mundial. É saber como não se deixar afetar por essas circunstâncias e confiar nas próprias capacidades para cumprir o objetivo.

- O que pensa do Inter e como pode o Bodo ter sucesso frente a eles?
É mais um desafio que temos de superar. Já defrontámos equipas italianas antes e são muito, muito fortes na vertente tática do jogo. E sabemos que o Inter é reconhecido por ser incrivelmente forte nesse aspeto. Vimos como pode ser difícil jogar contra equipas italianas quando perdemos em casa com a Juventus, por isso temos de ajustar o nosso estilo para não sermos surpreendidos.
- Esta é a primeira participação do Bodo/Glimt na Liga dos Campeões e conseguiram apurar-se para as fases a eliminar. O que significa para o clube e para a cidade?
Não se pode subestimar a importância disto para o clube e para a cidade. Nota-se que o ambiente na cidade melhorou muito e o futebol é tema de conversa constante nas ruas.
Conseguimos realmente colocar Bodo no mapa. Antes, provavelmente muitos adeptos de desporto pelo mundo fora não sabiam onde ficava Bodo, mas agora tenho a certeza de que já sabem.
É fácil sentir que estamos um pouco isolados aqui no norte, por isso, de certa forma, sentimos que não lutamos apenas pelo clube, mas também pelo país.

