- Nem sempre é titular. Pode contar como foram os seus primeiros meses no London City, atualmente 6.ª classificadas no campeonato inglês?
Foi uma grande mudança. Estive 13 anos no PSG, por isso sabia que a adaptação iria demorar. Quando se chega a um novo campeonato, com uma nova língua, um novo ambiente... Sabia que ia precisar de tempo para me adaptar. Cabe-me a mim manter-me competitiva, trabalhar muito e atingir o nível deste campeonato, que é muito exigente. Mas não duvido da decisão que tomei. Também precisava de sair da minha zona de conforto e procurar um novo desafio.
- O que lhe pareceu mais difícil?
Adaptar-me a uma nova equipa. No PSG, eram as jogadoras que se adaptavam a mim, mas agora sou eu que tenho de me adaptar a um novo coletivo, a uma nova forma de jogar, a um ritmo diferente. Estou num projeto que acredita em mim, que espera muito de mim, e sinto isso. Cabe-me a mim impor-me.
- O valor da transferência, um dos mais altos da Europa, trouxe-lhe pressão extra?
Não sei se se pode falar em pressão, mas há expectativas. Todos conhecem as minhas qualidades, mas vão esperar ainda mais de mim... É perfeitamente normal, tendo em conta o valor da transferência e a forma como tudo aconteceu. O clube fez um grande esforço para que fosse possível. Portanto, sim, há uma grande expectativa em relação a mim, mas não me colocam pressão, sinto isso de forma positiva.

- A saída do treinador Jocelyn Prêcheur, que conhecia bem do PSG, foi difícil de ultrapassar?
Sim, foi complicado, porque tinha acabado de chegar. Mas não se pode controlar tudo. Sinto-me cada vez melhor fisicamente. Mudei as minhas rotinas. Estou bem acompanhada, por isso não estou preocupada. Sei que isso pode ser uma mais-valia para o London City e para as Bleues.
- O que muda em relação ao PSG?
É um campeonato diferente, que exige estar preparada a nível atlético e físico. O corpo tem de aguentar treinos mais intensos. Não há treinos com menos intensidade durante a semana, é algo muito típico em Inglaterra. Mesmo na véspera do jogo, não se abranda. Faço muito trabalho de ginásio, o meu corpo tem de se adaptar. O campeonato é realmente mais exigente fisicamente do que em França: independentemente da equipa que se defronta, vai sempre impor intensidade e ritmo. Exige muitas corridas e grande entrega física. E ainda não estamos a disputar a Liga dos Campeões...
- Incomoda-a não estar a jogar essa competição?
Não, sinceramente. Sei que este é um projeto a longo prazo. É a primeira época na Women's Super League. É preciso ter paciência e construir um grupo. Não se chega à Liga dos Campeões de um dia para o outro. Há praticamente 17 jogadoras novas... Pode demorar algum tempo. Mas claro, quando se está ao mais alto nível, quer-se jogar a Liga dos Campeões. Vamos fazer tudo para conquistar os lugares de acesso, talvez não esta época, mas quem sabe na próxima.
- Pode falar sobre a sua saída do PSG, depois dessa última época complicada internamente?
Hoje, não há animosidade nem guerra entre mim e o PSG. Estou grata porque o clube deu-me tudo, tal como os adeptos. Precisava de novos ares. Nunca é agradável quando uma jogadora como eu quer sair do clube, foi difícil para eles. Agora, tudo já foi ultrapassado por todos, não ficou nada de negativo.
