José Mourinho e o regresso ao Santiago Bernabéu: "Vou tentar não sentir nada"

José Mourinho, treinador do Benfica
José Mourinho, treinador do BenficaREUTERS/Pedro Rocha

José Mourinho, treinador do Benfica, falou à UEFA na antevisão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, diante do Real Madrid.

O treinador dos encarnados elegeu o facto de ter chegado já com a época em andamento, em setembro, como a maior dificuldade neste regresso ao futebol português.

"Entrar a meio da época é algo que não tenho grande experiência e que me cria sempre muitas dificuldades. Penso sempre em chegar e impor-me, não no sentido de liderança, mas no sentido de jogar e tenho dificuldades em perceber até que ponto posso entrar e romper com o passado. Cria-me algum tipo de dificuldades, cria-me frustrações, é uma coisa que a minha experiência ainda não me ensinou muito, agarrar numa equipa a meio da época. Essa foi a dificuldade maior no Benfica", assumiu José Mourinho, que foi confrontado com o facto de regressar ao Santiago Bernabéu, na segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

"Não quero sentir nada, não sei se vou conseguir, mas vou tentar não sentir nada. Cada vez que regresso a sítios onde fui feliz, tento sempre não sentir nada. A realidade é que antes do jogo sinto muito, não é nunca uma situação normal, voltar a casa e a um sítio onde fui feliz, mas durante o jogo abstraio-me completamente e é isso que espero fazer no jogo em Madrid", disse o treinador do Benfica, que recordou o golo marcado por Trubin aos 90+8' no Estádio da Luz, precisamente diante dos merengues, e que deu o apuramento aos encarnados.

"No momento em que nós fazemos o golo e toda a gente entra em campo, a única coisa que me lembro é da minha família que raramente está porque vivem em Londres e estavam ali naquele dia. Tinha mais ou menos a perceção de onde estavam, que seria numa box por cima do banco do Real, e quando vou naquela direção aparece-me o miúdo - que por acaso conheço porque joga no Benfica, mas mesmo que não conhecesse não dava muito tempo para perceber... É uma situação única. Já tinha ganhado numa situação parecida ao PSG, era uma eliminatória entre o Chelsea e o PSG, marcámos o golo da eliminatória os 90' e qualquer coisa, mas foi um atacante a marcar e não um guarda-redes. Aquela situação de arriscarmos tudo com o guarda-redes e ser ele a fazer o golo... Para mim, no futebol, tudo é déjà vu, porque ao longo destes anos já passei por tudo, do bom e do mau. Já tinha passado por ganhar a eliminatória no último lance do jogo, mas ser um guarda-redes a fazer um golo - e que golo! - é efetivamente de perder a cabeça. Tive aqueles 3 ou 4 segundos de perder a cabeças, mas depois o Arbeloa trouxe-me à terra porque apareceu-me à frente, abraçou-me e fez-me ter aquela coisa de 'uau, não posso celebrar assim à frente dos meus amigos', e fui para dentro e não participei da festa que os jogadores fizeram no campo, festa que é normal pela forma como nos qualificámos, porque ao fim de 4 jogos tínhamos zero pontos... Sempre disse que enquanto a matemática dissesse que é possível, é possível. Foi uma vitória incrível com o 'rei dos reis', com o 'mr. Champions League' e foi de um significado muito grande. Independentemente do que aconteça no playoff com o Real, ou nos oitavos, nos quartos....,  a maneira como nos qualificámos ficou na história da Champions, na do Benfica e na nossa própria história", afirmou o treinador do Benfica, que foi desafiado a resumir numa palavra o tempo em que esteve à frente do comando técnico do Real Madrid.

"Incrível porque a liga que ganhámos continua a ser 'a' liga porque continua a ser o máximo, a liga de todos os recordes, mas também incrível por todas as dificuldades: dificuldade de lutar contra um Barcelona fantástico, contra diversas situações e alguns tabus.... Foi incrível", resumiu.

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